segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Num guentei e voltei

Pois é, falei que só postaria daqui um mês mais ou menos, mas não consegui, fiquei com uma coceirinha e tive que escrever este último artigo. Mas agora é pra valer. Vou deixar dois links (ranqueamento da Heritage Foundation e outra da carga tributária para 2008) e três (!) artigos do Constantino.

Aproveitei e corrigi os artigos do ano, no qual eu esqueci de colocar o "Viva Cuba Libre!" e o pequeno "Che morre novamente". Quanta Cuba, hein? Um velho amor não se esquece nem se deixa mesmo.

Abraços e feliz 2008.

http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=309543

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2007/01/16/287428586.asp

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2006/02/irlanda-de-bono.html

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/12/virada-da-irlanda.html

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2006/03/as-reformas-da-islndia.html

A Revolução Liberal



Por ocasião da última eleição presidencial, já há pouco mais de um ano, achava muito interessante a proposta do candidato Cristovam Buarque que propunha uma revolução doce, uma revolução pela Educação. Como exemplos de países que passaram por essa revolução o então candidato citava Irlanda, Espanha, Nova Zelândia e países conhecidos como os Tigres Asiáticos (Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan).

O interessante é que Cristovam Buarque se considera de uma corrente política chamada de “esquerda”, pois foi do PT e está hoje filiado ao PDT. Nos seus programas eleitorais volta e meia conclamava os jovens idealistas da “esquerda”. Lembro-me que na época em um encontro chegaram a lhe questionar como seria a implantação do socialismo no Brasil, ao passo que rapidamente ele tergiversou. Óbvio, pois os países que Cristovam mirava não tinham nada de socialistas, ou de “esquerda” que seja.

Retornei esta lembrança e a vontade de escrever este texto, pois acabei de ler o recém lançado livro “A Volta do Idiota” de Álvaro Vargas Llosa e outros escritores, que trata sobre o atual cenário geopolítico da América Latina, entre outras coisas.

Um dos capítulos se refere exatamente sobre a tal revolução doce nos países que Cristovam citava há um ano, e também em alguns do Leste Europeu, como República Tcheca e Polônia. Contudo, ela não foi somente uma revolução na educação (o que seria até certo ponto inócuo), mas sim um conjunto de medidas que geraram sensíveis e positivas modificações em tais países.

Resumidamente estas medidas estão calcadas na racionalização dos gastos públicos, diminuição de impostos, menos burocracia para abrir e fechar empresas, flexibilização trabalhista, atração de investimentos externos, maior garantia jurídica com leis mais objetivas, ambiente amigável para os negócios e, finalmente, grandes apostas nos campos da educação, da ciência e da tecnologia, boa parte em parceria com a iniciativa privada.

Para citar somente o caso da outrora pobre Irlanda (que já é chamada de Tigre Celta), após as medidas descritas acima o país vem crescendo mais de 7% ao ano desde 1993, a renda per capita está chegando perto dos US$ 40 mil, uma das maiores do mundo. O desemprego é baixo, perto dos 5%. Os indicadores sociais estão melhorando a cada ano. O gasto com educação não é muito diferente do brasileiro, cerca de 4,3% do PIB. O que faz a diferença mesmo é o grau de liberdade econômica, que não é nada mais do que o bom ambiente para as atividades econômicas e produtivas.

Houve um período de ajustes, com fechamento de empresas e setores ineficientes, mas no médio prazo os resultados mostraram-se altamente satisfatórios. Foram medidas baseadas no bom senso e de cunho liberal que ocasionaram isto.

Países que eram há poucas décadas exportadores de mão-de-obra, com pessoas buscando sobrevivência e oportunidades em outras nações, tornaram-se importadores de mão-de-obra. Para o horror dos marxistas (até há pouco achava que estavam extintos) o capitalismo não exclui, pelo contrário, ele inclui.

Na América Latina o modelo mais próximo aos países citados é o Chile, que mesmo governado pela socialista Michelle Bachelet, não alterou o modelo econômico herdado dos tempos de Pinochet, um ditador com inúmeros crimes no currículo, mas que optou por um modelo econômico sensato e próspero.

No Brasil o termo “neoliberal” virou xingamento nos meios acadêmicos. As poucas medidas de caráter liberal, como as privatizações, movidas pela necessidade em face de um Estado falido na década de 90, geram reclamações até hoje. Sorte dos ressentidos que a Internet banda larga (não estatal obviamente) está aí para dar vazão à raiva.

Alguém tem que avisar esta turma que um país que tem quase 40% do PIB abocanhado pelo Estado, que se encontra no 70º lugar entre 157 países ranqueados no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, leis trabalhistas do tempo de Getúlio Vargas, papeladas e burocracias que empurram empresas e trabalhadores para a informalidade com o agravante de se ter uma previdência por isso mesmo deficitária, entre outras inúmeras coisas, está longe de ser neoliberal.

Enquanto isso vamos observando a onda crescente de populismo em alguns países da América Latina, com alguns respingos por aqui também. Cargos de confiança por compadrio ou nepotismo seguem em alta no meio político, a despeito de quem vai pagar a conta do aumento de gasto estatal pelo cabide de emprego. Nossa elite acadêmica vai bradando contra o “neoliberalismo usurpador” e topamos com candidatos “de esquerda” propondo uma correta revolução doce, mas omitindo que ela nada mais é do que uma revolução liberal.
Publicado dia 08/01/08 pelo Correio do Estado:
E no blog "Revendo a História", do meu amigo Itamar:

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Feliz natal e próspero ano novo!!!


Que a lembrança do nascimento de Jesus ilumine o coração de todos.

O blog entra em férias a partir de agora, novos posts (e menos também) só em fim de Janeiro ou Fevereiro. Espero que possam aproveitar os links que contém ótimos textos e informações.

Durante quatro meses postei aqui, os textos de Agosto haviam sido escritos anteriormente e estavam guardados em Word, só depois de aprender a utilizar um blog é que consegui disponibilizar on-line. Não sei o quão útil ou producente foi isso, mas considerei interessante (embora um pouco trabalhosa) a feitura dos textos, serviu como um exercício de expressão.

Aos amigos que passaram e deixaram comentários ou simplesmente leram, aos internautas transeuntes e a todos em geral um grande abraço e um feliz 2008 com muita paz, saúde, alegria, fé e esperança.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Artigos do ano


Cinco foram publicados no Correio do Estado, um no jornal do sindicato rural (os que estão com um e dois asteriscos, respectivamente).

Num post de Setembro, linkado abaixo (Algumas considerações) explanei sobre as razões de fazer os textos, principalmente os de caráter ideológico, espero não ser tão necessário falar desse assunto (embora falarei com certeza) no ano que vem. Aliás se continuar postando coisas aqui, mas acho que durante o primeiro semestre, devo fazê-lo sim.

Mudei o título de um artigo para História Mal Contada, pois não havia gostado do primeiro título e considero que tratei os historiadores sem a devida distinção.

http://augustoaraujo.blogspot.com/2007/12/curso-e-exame-de-gesto-pblica-para.html*

http://augustoaraujo.blogspot.com/2007/11/pendenga-educacional.html

http://augustoaraujo.blogspot.com/2007/11/produtor-rural-aquele-crpula_12.html**

http://augustoaraujo.blogspot.com/2007/10/democracia-e-as-instituies.html*

http://augustoaraujo.blogspot.com/2007/09/algumas-consideraes.html

http://augustoaraujo.blogspot.com/2007/08/hrcules-56-jos-dirceu-e-falsos.html

Melhor notícia do ano

Parabéns ao Senado. Mas vamos ver se não inventam outro imposto com causa nobre que no final vai ser revertido pra corrupção.

Hilária charge animada (não consegui fazer deixar a telinha aberta):

http://charges.uol.com.br/2007/12/14/cotidiano-causas-perdidas/

A Volta do Idiota - algumas considerações (MS foi citado!!!)


Acabei de ler A Volta do Idiota. Achei que me surpreenderia pouco, menos que com o Manual, mas o livro é ótimo. Breves comentários então.

Mato Grosso do Sul foi citado!!!

No capítulo que trata de Evo Moralles e da Bolívia, apareceu lá "Mato Grosso do Sul...". Óó, estamos famosos, mesmo que apenas citados como estado (até tido como importante) que faz divisa com a Bolívia, em especial com a área mais próspera que é Santa Cruz de La Sierra.

Como no Manual, pecou-se por praticamente nada falar de Getúlio Vargas e seu populismo, considerei que pecaram em não citar o liberal Roberto Campos nesse livro em que discorreram sobre alguns liberais que lutaram quase que solitariamente contra a idiotice latinoamericana.

Aliás, considero que pecaram em não citar nenhum livro de Campos na biblioteca para desidiotizar-se, ao passo que citaram Carlos Rangel.

Sabiam que este Carlos Rangel ao escrever uma obra contradizendo que nosso subdesenvolvimento é resultado de nossa própria incompetência e não do colonialismo ou imperialismo, foi recebido a safanões e cusparadas num debate na Universidade da Venezuela? E isto em 1973!

Hoje com Chávez no poder os venezuelenos buscaram amparo na leitura do finado Rangel. Um pouco tarde, mas não de todo inócuo.

A Volta do Idiota é leitura recomendada, procurem o link que coloquei da livraria Saraiva, paguei o boleto e recebi em casa em 3 dias, uma pechincha.

Papel Higiênico e Socialismo

Por: Janer Cristaldo


Quando surgiram as primeiras notícias de que começavam a faltar carne, leite e ovos na Venezuela, não me surpreendi. Socialismo é isso mesmo. Sempre foi. Nada de espantar que começasse a faltar comida no socialismo do século XXI do fanfarrão Hugo Chávez. E pensei com meus botões: logo vai faltar papel higiênico. O socialismo sempre foi incompatível com papel higiênico. Não deu outra. Li há pouco, em reportagem do Lourival Santana, que começa a faltar papel higiênico na Venezuela.

O papel higiênico foi inventado há apenas 150 anos. É coisa recente em termos de história. Mas seu uso não é lá muito universal. O mundo muçulmano não o usa muito. Os vasos sanitários dos hotéis árabes reservam uma surpresa não muito simpática a seus usuários. Você puxa a descarga... e recebe um forte jato d’água no devido lugar. Aliás, este importante momento da vida de cada um recebeu merecida atenção do aiatolá Khomeiny. Em seus comentários ao Corão, escreveu:

- Não é necessário limpar o ânus com três pedras ou três pedaços de pano, uma só pedra ou um só pedaço de pano bastam. Mas, se se o limpa com um osso ou com coisas sagradas como, por exemplo, um papel contendo o nome de Deus, não se pode fazer orações nesse estado.

Que no deserto não haja papel higiênico, até que entendo. Quando passei quinze dias no Sahara argelino, levei meu estoque pessoal. A verdade é que não tínhamos nem hotel. Dormíamos ao relento ou em habitações sem teto em alguma aldeia. Vaso, nem sonhar. O que é difícil entender é a inevitável escassez de papel no socialismo.

Em todos os países socialistas que andei, conseguir papel higiênico era sempre uma luta contra a burocracia. Nunca encontrei um quarto de hotel com o dito. Era preciso pedi-lo na portaria, e pedir com jeito. Com visível enfado, o burocrata de plantão lhe passava alguns poucos metros de papel. Rolo, nem pensar. Nos dias do glorioso império soviético, os turistas que se dirigiam às repúblicas socialistas sempre recebiam a recomendação de levar sua própria provisão.

Suponho que as coisas não mudaram muito. Estive na Rússia em 2000, nove anos após a desintegração da URSS. Em São Petersburgo, em hotel cuja diária me custou 112 dólares, nada do bendito papel. Aliás, o quarto não tinha nem lâmpadas.

O curioso é que a Venezuela, mais que um país, é um poço de petróleo. É no mínimo espantoso que falte papel higiênico numa república que tem 100 bilhões de barris de petróleo de reserva.

O socialismo tem suas leis inelutáveis.


http://forum.darkside.com.br/vb/showthread.php?p=674836

(o link original do blog não está abrindo, coloquei este como referência)

Como afundar o país ou Manual do proto-ditador latinoamericano


Do blog do Contra de Gustavo Bezerra:


"Diante da atual situação política de Nuestra América, resolvi elaborar uma pequena receita que, creio, será útil aos candidatos a ditadores e demagogos de todos os tipos, cores e ideologias, que sonham em, um dia, alcançar o Paraíso na terra. Para eles próprios, evidentemente. Tomem nota:

Refundar a nação: ...

Apresente-se como representante das camadas populares: ...

Concentre todos os poderes: ...

Cale a imprensa: ...

Distribua assistencialismo: ...

Aparelhe a máquina estatal: ...

Coloque pobres contra ricos: ...

Invente um inimigo externo: ...

Reescreva a história: ...

Desqualifique seus críticos, não os argumentos : ...

Tenha amigos no exterior : ...

Conte com a ignorância alheia: ..."

O PT tem alguns genes do que foi escrito acima, mas está mais condizente com a esquerda carnívora de Chávez e cia. Confiram o texto na íntegra:

Novos links

Como têm observado minha inspiração não tem dado muito o ar da presença ultimamente, estou tentando compensar com textos de relevo. Agora ao finalizar o ano coloco mais alguns links ótimos.

O Capitalista é um blog que ainda não pude ler na totalidade, mas todos os textos que li até agora são ótimos e abrangem o sistema econômico de maneira objetiva, filosófica, ética e também respondendo às falácias que dizem a respeito do mesmo. Altamente recomendado pra qualquer pessoa.

O Capitalista não se limita apenas a dizer o que está errado com o Brasil, diz porque está errado e o que é preciso para corrigi-lo. Já adianto a solução: precisamos de mais pessoas que entendem o mundo em que vivem. Você pode ser uma delas.

Pedro Carleial, o Capitalista

É ler e conferir então.

Realismo Socialista é o cojunto de posts do blog do Conde que registram as maravilhas do comunismo, deve ter sido usada como fonte maior o Livro Negro do Comunismo. Se tivessem se atentado mais para esse livro muitos não se chocariam com a desconstrução do mito romântico de Che, entre outras coisas.

Carlos Alberto Sardenberg, Janer Cristaldo (embora não goste do seu ateísmo militante) e a seção de artigos do Correio do Estado, completam estes novos links.

Quando não encontrarem nada de novidade por aqui, passem nos links, com certeza acharão coisas interessantes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um Século de Hipocrisia


Por: Rodrigo Constantino


“É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola...” (Roberto Campos)


O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida sob grande reverência da mídia. Ele foi tratado como “gênio” e um “orgulho nacional”, respeitado no mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em primeiro lugar porque não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise técnica, e em segundo lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui tratar. Entendo perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de Niemeyer e tantos outros “artistas e intelectuais”. O que acaba sendo admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida inteira.


Niemeyer, sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. Seus inúmeros trabalhos realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam uma bela fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se um homem bem rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca para fora, o regime comunista, a “igualdade” material entre todos. Não consta nas minhas informações que ele tenha doado sua fortuna para os pobres. Enquanto isso, o capitalista “egoísta” Bill Gates já doou vários bilhões à caridade. Além disso, a “igualdade” pregada por Niemeyer é aquela existente em Cuba, cuja ditadura cruel o arquiteto até hoje defende. Gostaria de entender como alguém que defende Fidel Castro, o maior genocida da América Latina, pode ser uma figura respeitável enquanto ser humano. São coisas completamente contraditórias e impossíveis de se conciliar. Mostre-me alguém que admira Fidel Castro e eu lhe garanto se tratar ou de um perfeito idiota ou de um grande safado. E vamos combinar que a ignorância é cada vez menos possível como desculpa para defender algo tão nefasto como o regime cubano, restando apenas a opção da falta de caráter mesmo. Ainda mais no caso de Niemeyer.


Na prática, Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da pior espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua festa do centenário ocorreu em São Conrado, bairro de luxo no Rio, para 400 convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha. Artistas de esquerda são assim mesmo: adoram os pobres, de preferência bem longe. Outro aclamado artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de longe, de sua mansão. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem afastados de seus eventos. A definição de socialista feita por Roberto Campos nos remete diretamente a estes artistas: “No meu dicionário, ‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros”.


Aquelas pessoas que realmente são admiráveis, como tantos empresários que criam riqueza através de inovações que beneficiam as massas, acabam vítima da inveja esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um negócio, gerou empregos e criou valor para o mercado, reconhecido através de trocas voluntárias, é tachado de “egoísta”, “insensível” ou mesmo “explorador” por aqueles mordidos pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum hipócrita que prega aos quatro ventos as “maravilhas” do socialismo, vivendo no maior luxo que apenas o capitalismo pode propiciar, então ele é ovacionado por uma legião de perfeitos idiotas, de preferência se boa parte de sua fortuna for fruto de relações simbióticas com o governo. Em resumo, os esquerdistas costumam invejar aquele que deveria ser admirado, e admirar aquele que deveria ser execrado. É muita inversão de valores!


Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a oportunidade e abandonaram o “paraíso” comunista, que faz até o Brasil parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer uma proposta: trocar esses três “fugitivos” que buscam a liberdade por Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados artistas brasileiros, defensores do modelo cubano. Claro que não seria uma troca compulsória, pois estas coisas autoritárias eu deixo com os comunistas, que abominam a liberdade individual. A proposta é uma sugestão, na verdade. Acho que esses três comunistas mostrariam ao mundo que colocam suas ações onde estão suas palavras, provando que realmente admiram Cuba. Verissimo recentemente chegou a escrever um artigo defendendo Zapata e Che Guevara. Não seria maravilhoso ele demonstrar a todos como de fato adora o resultado dos ideais dessas pitorescas figuras?


Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um centenário defendendo atrocidades, com incrível incapacidade de mudar as crenças diante dos fatos. O que alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto pessoa? Os “heróis” dos brasileiros me dão calafrios! Eu só lamento, nessas horas, não acreditar em inferno. Creio que nada seria mais justo para um Niemeyer quando batesse as botas do que ter de viver eternamente num lugar como Cuba, a visão perfeita de um inferno, muito mais que a de Dante. E claro, sem ser amigo do diabo, pois uma coisa é viver em Cuba fazendo parte da nomenklatura de Fidel, com direito a casas luxuosas e Mercedes na garagem, e outra completamente diferente é ser um pobre coitado qualquer lá. Acredito que esse seria um castigo merecido para este defensor de Cuba, que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado pelos idiotas.


Após a matéria

Nem sei se era o caso de outro post. A matéria como previ não entrou em muitos detalhes político-ideológicos, mas valeu por mostrar os fugitivos de Cuba, incluindo os músicos que fugiram no Nordeste.

A opinião pública agora vai ver que o caso dos atletas cubanos no pan-americano foi muito mal explicado e conduzido.

Fica aí o link pra reportagem para os que não assistiram:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1666144-4005-766508-0-16122007,00.html

Sigo com o próximo post, um artigo irretocável do Rodrigo Constantino.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Expectativa


Já estava eu me preparando para entrar em férias (sim, isso mesmo, vou entrar em férias do blog), achando que este ano a "esquerda"já tinha se dado mal o suficiente com o desmascaramento de Che, o filme Tropa de Elite, o Lulla falando que quem tem uma certa idade e ainda é de esquerda tem problemas, as fanfarronices do esquerdista "Vulgo" Chávez e cia, etc,
Aliás, não postei aqui, mas partidários de Evo Moralles degolaram cães em praça pública dizendo que fariam o mesmo com os adversários. Onde está a Sociedade protetora dos animais?Onde estão os defensores do Humanismo esquerdista nos meios intelectuais? Como médico veterinário me indigno mais ainda com a barbaridade que fizeram.

Pois bem, eis que vejo na TV que hoje o Fantástico vai mostrar a filha de Fidel Castro que fugiu de Cuba. Que ótimo, mais uma porrada para ver se os inocentes úteis se tocam. Será que tem a mão de Ali Kamel nessa pauta?

Porém desconfio que ela não vai satanizar o sistema socialista em si, mas sim a ditadura (se bobear vai sobrar pros militares brasileiros) e o autoritarismo de Fidel. Veremos.

Não acho que vai fervilhar embate ideológico, mas já é alguma coisa. E jornalismo é pra isso aí mesmo. Até mais, então.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Curso e exame de gestão pública para políticos


Foi com grata surpresa que ouvi o apoio do ministro da Educação, Fernando Haddad, a iniciativa do governo estadual em se promover exames de gestão educacional para os candidatos a diretores escolares da rede estadual. Toda aquela pendenga sobre a “espionagem” do governador André Puccinelli na reunião da FETEMS estava jogando uma cortina de fumaça no cerne da questão que era a exigência da tal prova.

Abro um parêntese logo aqui: talvez o governador tenha agido de maneira desnecessária, mas o planejamento para realização de protestos por parte da FETEMS sem o devido debate apenas faz transparecer que entidade não age de maneira técnica, mas sim corporativa e talvez pior, quiçá partidária.

Pois bem, como apóio o exame que exija conhecimentos pedagógicos e de gestão educacional para os diretores escolares também apóio com mais força ainda um exame com assuntos pertinentes para os políticos. Quantas CPMF’s e impostos diversos poderíamos nos ver livres se houvesse maior profissionalismo e seriedade no tocante ao dinheiro público.

O próprio ministro disse que uma eleição escolar pode trazer malefícios a instituição por se escolher um diretor por compadrio ou camaradagem e não por competência. Não há como não pensar nos nossos políticos, verdadeiros doutores em assistencialismo e clientelismo, bons no toma lá da cá e são raríssimas exceções os que têm consciência e competência para exercer o cargo.

Não podemos eximir de culpa também os eleitores que alimentam este vício da democracia brasileira. Ao menos então que se exija que os candidatos a cargos públicos passem por um exame e se necessário um curso específico para área.

Para controlar a inflação, desde meados da década de 90 o governo parou de imprimir papel-moeda a seu bel prazer para cobrir seus custos. O Banco Central foi e é preponderante nisso. Entretanto os gastos para financiar a máquina (mal gerida) estatal não diminuíram e o país vem então numa escalada de impostos já há alguns anos. Depois não sabem as causas do crescimento econômico irrisório e do desemprego que não abaixa.

Quem não viu no jornal Nacional os vereadores brasileiros num congresso-fantasma em Buenos Aires, fazendo turismo com o dinheiro dos impostos que são frutos de quem trabalhou de verdade? Um dos “representantes do povo” ainda apareceu no vídeo se gabando de ter aumentado o número de funcionários de confiança e a verba de gabinete. É ou não é uma vergonha? Este talvez tenha sido um caso aberrante, mas quanto dinheiro não é desviado por corrupção, desperdício de material, licitações mal conduzidas, burocracia, falta de planejamento, controle e metas, enfim de um gestão profissional na área pública.

Como observo que as melhores empresas urbanas ou rurais são gerenciadas ou tem assessoria permanente de profissionais capacitados do ramo, há muito penso que a administração pública necessita de administradores de fato. Ou alguém dúvida que haja outra empresa com fluxo de caixa maior que o Estado? O problema é que quem financia esta empresa, de uma forma ou de outra, são todos os cidadãos, independente de classe social.

Alguns articulistas como Stephen Kanitz e Carlos Alberto Sardenberg já compararam a gestão pública do Brasil com a dos Estados Unidos. Segundo Sardenberg, é comum nos EUA que prefeituras contratem executivos, profissionais de mercado, para a administração. O prefeito, político eleito, define as linhas de ação, mas a gestão é profissional. E mesmo quando não há gerentes de fora, a administração pública, com freqüência, procura seguir as regras da gestão privada.

Um exemplo interessante também vem da Noruega. Lá cada cidadão recebe na sua conta bancária um dinheiro referente ao lucro da estatal petrolífera. Aqui no Brasil pagamos uma das gasolinas mais caras do mundo graças ao monopólio da Petrobrás. O petróleo é nosso e a conta também! Ações da BR só indo comprar com recurso próprio.

Sem dúvida o poder Executivo estaria mais a frente nessa questão de qualificação técnica, mas também os representantes do Legislativo que têm o poder de criar leis também deveriam ter conhecimentos a respeito de gestão pública. A própria aprovação do orçamento público deveria contar com auditores profissionais. Quanta barganha e mensalões não se economizariam com isso também.

Sei que um país no qual o mandatário-mor não aproveitou seus anos de tempo livre entre uma eleição perdida e outra para melhor se qualificar é difícil exigir que os demais representantes do povo façam um curso ou exame de gestão pública, mas sonhar não custa nada.

O Brasil não é um país injusto, é um país mal administrado.
Publicado pelo jornal Correio do Estado do dia 11/12/07

Também sou petista!




He, he, essa eu tirei do site do Diego Casagrande. É da classe de textos "Tipos de...". Como tenho amigos que trabalham para o PT espero que eles não levem a mal e se quiserem podem fazer um "Tipos de..." que julgam que me incluo.

TIPOS DE PETISTAS
por Marcelo Scotton


O PT está aí. Na maioria da imprensa, na sua família ou no ambiente de trabalho, pipocam petistas de todos os perfis. No fundo, todo mundo é petista. Convivendo com muitos deles, consegui diagnosticar alguns grupos.

Petistas peace and love – são petistas de bom coração. Acreditam no discurso de igualdade e justiça social que lhe prometem, mas nunca cumprem. São românticos e tem fortes tendências socialistas por pura generosidade. Possuem, porém, pouca massa crítica. Querem transformar o mundo em um lugar melhor, mas não fazem a menor idéia de como fazer isso.

Petista alienado – Não se envolve com política. Mas, além de ter assimilado toda cartilha politicamente correta do partido, está lá, eleição após eleição, contribuindo com seu voto. Seja para um deputado ou para um prefeito do partido.

Petistas tucanos (ou fernandistas) – esta ala é conhecida pela admiração e ódio simultâneos pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Atribuem a ele todas as mazelas sociais brasileiras, da mesma forma que lhe tomam de assalto feitos como a institucionalização do País, a estabilidade econômica e os programas sociais implementados.

Petistas racionalistas – sempre tem uma boa explicação para tudo. Quando reconhecem que o PT é ruim, dizem que "com o PSDB era pior". Quando estoura algum escândalo de corrupção, dizem que "os fins justificam os meios". Outros, mais atirados, dizem que às vezes é preciso "meter a mão na m....".

Petistas bolivarianistas – são os mais arrojados. Tem uma ideologia bolivariana e aderem a qualquer tipo de PT. Costumam fazer afirmações ousadas, como dizer que Hugo Chávez é democrático e que o mensalão não existiu. Colocam-se acima do bem e do mal e travam uma guerra fria contra a Rede Globo e a VEJA. Vomitam sandices econômicas quase folclóricas. Inventam notícias, manipulam dados e são leninistas.

Petistas de oportunidade – para estes, não importa sequer o nome do presidente do partido. O lance é conseguir um emprego público ou um cargo de confiança no governo ou em alguma prefeitura. Querem que o governo arroche os empresários de impostos, para que mais cargos públicos possam ser criados. Proliferam a cada ano, de mãos dadas com a dívida pública.

Petistas psolistas – para este grupo, o PT não cumpriu as regras esquerdistas, politicamente corretas e socialistas prometidas quando assumiu o governo. Decepcionaram-se. A partir daí, migraram para o PSOL de Heloísa Helena, o partido que é contra o 3º mandato de Lula, mas a favor da reeleição contínua – leia-se DITADURA – de Hugo Chávez na Venezuela.

Petistas comunistas – são aqueles que acham que o PT ainda vai dar uma reviravolta comunista. Adoram Fidel, Che Guevara e URSS. Odeiam capitalismo, EUA e Israel. São anti-semitas. Entretanto, volta e meia, são flagrados no McDonald’s bebendo Coca-Cola e comendo Big Mac. Possuem celulares, microcomputadores, e todas as benesses do diabo capitalista moderno que repudiam. Escutam rock americano.

Petistas compulsórios – este é o meu grupo. Querendo ou não, pertenço a algum PT. Meu grupo é aquele que, na condição de pagador de impostos, vive reclamando do governo, mas é obrigado a pagar tributos escorchantes. Consequentemente, através dos impostos, pago o salário dos petistas de oportunidade e dos demais grupos atualmente empregados no governo. Milito através de impostos.

Qual petista você é?

http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?do=Wm14aGRtOXlKVE5FWVhKMGFXZHZjeVV5Tm1sa0pUTkVNemd3TkRSTFFRPT1aeFAySg==

domingo, 2 de dezembro de 2007

Um outro mundo é possível


Para não passar o fim de semana em branco, deixarei um ótimo artigo do Stephen Kanitz:


Empresas Onde Todos se Divertem

Por 25 anos analisei as 1.000 maiores empresas do Brasil, e muitos professores de administração me perguntam como eu classificaria as companhias brasileiras com base nessa experiência. Daria um livro, mas, resumindo em uma única página, diria que existem cinco tipos de empresa no país.

A empresa Tipo A é aquela na qual somente o dono se diverte. Tudo gira em torno dele, tudo é feito do jeito dele. Ele é o verdadeiro deus de sua companhia e assim consegue implantar rapidamente sua visão do negócio. É o "empresário bem-sucedido" que aparece em capa de revistas, invariavelmente sozinho. É o dono da verdade, de tudo e de todos. Não preciso dizer que os demais integrantes dessas empresas não se divertem nem um pouco, não é esse seu objetivo.

A empresa Tipo B é aquela em que somente os filhos do dono se divertem. O pai, com 95 anos, ainda a controla com mão-de-ferro, mas isso já não é tão fácil como antigamente. Ele está ficando gagá, só que não percebe e já não se diverte como antes. Ele nunca quis fazer a transição de uma empresa familiar para uma profissional, muito menos entregar a companhia aos filhos. Para manter-se no poder, comprou-lhes iates e BMWs e deu-lhes cargos no conselho para fazer absolutamente nada. Não conseguindo salário compatível em nenhum outro lugar, os filhos resignados se deleitam fazendo cruzeiros mundo afora. No fundo, são os únicos que se divertem.

A empresa Tipo C é aquela onde ninguém mais se diverte. O pai de 95 anos finalmente morreu sem deixar uma equipe de administradores profissionais que pudesse salvar a companhia. Os filhos chamados às pressas do Caribe começam a brigar entre si, porque também só entendem de iates e BMWs. A empresa vai de mal a pior, e os filhos se safam vendendo-a a uma multinacional.

E aí essa elite empresarial não entende por que todos os empregados, trabalhadores e sindicalistas de empresas A, B e C são de esquerda e por que temos tantos intelectuais e professores de administração querendo acabar com tudo isso que está aí.

A empresa Tipo D é aquela na qual todo mundo se diverte. Ela não tem um único dono, é uma associação coletiva de pequenos acionistas, a maioria formada de trabalhadores da própria empresa, fundos de pensão de trabalhadores, da classe média, de médicos e engenheiros, poupando para a aposentadoria, para não depender do salário dos filhos. São as empresas de capital democrático, em que não há ações sem direito a voto, onde todos votam, como essas companhias listadas no novo mercado transacionadas todo dia na Bovespa. Elas são a concretização do sonho de Karl Marx, nas quais trabalhadores e consumidores são acionistas diretos das empresas em que trabalham ou compram, detendo assim os meios de produção.

Normalmente, o presidente dessas empresas é um administrador profissional, funcionário demissível a qualquer momento, como todos os outros. Nada de cargo vitalício como nas dos tipos A, B e C nem indicações por apadrinhamento político como nas empresas Tipo G, G de governo. O presidente dessas companhias é escolhido pela competência administrativa, e não pelo parentesco familiar ou loteamento político.

Como esse administrador depende da cooperação de todos para manter-se no poder, a opinião geral é ouvida, todo mundo faz parte da solução, ele acredita no trabalho de equipe. As idéias de todos são desejadas e levadas a sério. Nessas empresas, o presidente não destrata nem desrespeita os subordinados, jamais berra em público, não é o dono da verdade, caso contrário não sobreviveria. São empresas preocupadas com o social, e não somente com o bolso do acionista controlador, que nessas empresas nem existe. O D é de Divertido, Diversificado e Democrático. Essas são as melhores companhias para trabalhar no Brasil, infelizmente muito raras devido à proliferação de empresas dos tipos A, B, C e G.

Mas empresas Tipo D estão sendo criadas todo dia. Um outro mundo é possível, mais democrático, mais bem administrado, mais includente, mais socialmente responsável e muito mais divertido.

sábado, 24 de novembro de 2007

A pendenga educacional


Acompanhei pelo jornal a questão da “espionagem” na reunião dos professores da FETEMS. Citaram a KGB, foi um tal de totalitarismo pra lá, atitudes despóticas pra cá. O mais divertido foi que o próprio governador mostrou o documento produzido pelos “espiões”, ou seja, ele que anunciou sua “espionagem”!

Bom, a KGB torturava e executava suas vítimas, acho que aqui não cabe esta comparação, ainda bem! Quanto a dizer que foi despótico também não entendi o motivo, afinal mesmo gerando algum mal-estar ou constrangimento, não houve nada que ferisse a lei ou houvesse coação (isto sim consideraria-se como atitude despótica) por parte do governador.

Este constrangimento gerado talvez possa ser a única razão para a pendenga. No mais o episódio só lança uma cortina de fumaça que obscurece o cerne da questão que é a proposta do governo estadual em se tornar obrigatório a realização de exames para o cargo de diretor escolar. Acho a proposta interessante e o planejamento para realização de protestos sem o devido debate apenas faz transparecer que a FETEMS não age de maneira técnica, mas sim política e pior, quiçá, partidária.

Guardadas as devidas proporções, já que citaram tantos fatos e vultos históricos, também vou lembrar de alguns. Ronald Reagan foi posto a prova logo no primeiro ano de mandato. Os controladores de vôo dos EUA queriam um grande aumento de salário, embora já ganhassem bem. Reagan ficou sabendo dos seus “espiões” que os controladores planejavam uma greve que levaria o país a um caos aéreo e tomou providências. Ante a negativa dos funcionários em aceitar o aumento proposto pelo governo (nada desprezível, diga-se de passagem) e quando os mesmos entraram em greve, Reagan acionou os controladores substitutos que haviam sido treinados em segredo no caso de necessidade. Os grevistas foram demitidos e não houve caos aéreo.

Margaret Tatcher também teve grandes conflitos com o sistema sindical da Inglaterra. Suas medidas, apesar de duras e impopulares, lhe conferindo a alcunha de “a dama de ferro”, com o tempo se mostraram corretas e salutares.

Atualmente, Nicholas Sarkozy também vem passando por disputas com os sindicatos franceses. Ele que com seu ímpeto em muito me lembra o nosso governador André Puccinelli, recebeu a missão de reformar o Estado francês, gigante e asfixiante, que se de um lado garante grandes regalias para quem está “dentro do sistema”, de outro impede o crescimento econômico e a geração de empregos, com impostos pesadíssimos para o setor produtivo e o desemprego chegando na casa dos 20% para a população jovem.

E já que falei em tantas personalidades que remetem a um modelo político-econômico de livre-iniciativa e trabalho, deixo mais uma dica para o governador ser justamente lembrado junto a estes. Governador, diminua os impostos. A sociedade agradece.



Nota: colocarei os links da noticia em breve, para quem não é do MS ou não sabe da história se interar do fato

A Volta do Idiota




Onze anos após o lançamento do "Manual do Perfeito Idiota Latino-americano" (que deveria ser adotado nas universidades para contrabalancear as idéias) , Plinio Apuleyo Mendoza, Alvaro Vargas Llosa e Carlos Alberto Montaner lançam "A Volta do Idiota", uma análise do cenário geopolítico da América Latina de hoje, em especial com a presença de governantes de esquerda.

O lançamento da versão em português é nessa segunda-feira, dia 26. O livro pode ser pedido pelo site da editora Saraiva ou encontrado nas boas livrarias. Como nunca comprei pela net acho que vou encomendar por alguma livraria da cidade. Aos que se interessarem, uma boa leitura!

Link do pedido (tb nao tô ganhando porcentagem não):http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1994535&ID=C91DB49C7D70B100A15030674

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Novo link, depoimento surpreendente e ao mesmo tempo não




"Vocês acreditam que eu estudei História na UFRJ durante 5 anos sem jamais ter ouvido um professor mencionar o nome de Friedrich Hayek? Nem eu. É inacreditável mesmo. Aliás, também passaram em brancas nuvens Mises, Voegelin, Arendt, Paul Johnson, Popper, Jean-François Revel, Bohn-Bawerk, Milton Friedman... Pior ainda, eu não me lembro de ter ouvido falar de Edmund Burke, John Stuart Mill, Wilhelm von Humboldt, Bastiat ou Benjamin Constant (o francês, pois o positivista brasileiro era mencionado com freqüência). Adam Smith e David Ricardo eram citados en passant, como figurantes na história econômica anterior à chegada do Profeta (você imagina quem seja, não é?).

E eu freqüentava as aulas com relativa assiduidade e era excelente aluno, possivelmente o melhor de meu ano (o que não era nenhuma vantagem, pois eu fiz faculdade à noite com colegas que tinham extrema dificuldade em escrever um texto com três parágrafos que fizesse algum sentido). Portanto, eu não deixei de "descobrir" parte dos autores acima por ter vagabundeado durante a faculdade.

Eu sequer estou exigindo aulas inteiras sobre os autores acima (embora qualquer faculdade decente devesse incluí-las na ementa de certas disciplinas). Mas, cacete, ao menos não deixem os alunos sairem da faculdade ignorando a existência de alguns dos pensadores mais importantes dos séculos XIX e XX!

Por essas e outras que eu até hoje não me animei a entregar a monografia de fim de curso.
Para que serve o diploma de faculdades de História desse tipo? É melhor ler os blogues listados aí ao lado. Afinal de contas, foi neles que eu li pela primeira vez o nome de vários dos escritores e pensadores mais importantes que já passaram pela face da Terra."

Pois é, não é a toa que os professores da área só sabem falar mal do capitalismo e nem sabem o porquê do fracasso do comuno-socialismo. Acho que nem social-democracia eles sabem direito o que é. Já há muito tempo está indicado onde fica o ovo da serpente.
E notem a frase que grifei. Foi na Internet, através dos blogs que ele conseguiu acesso as informações que não os velhos clichês esquerdistas. Antes tarde do que nunca, o mesmo se deu comigo.
Ah!, o depoimento é do Nemerson Lavoura, do blog Resistência. Linkado e recomendado.

sábado, 17 de novembro de 2007

Para não dizer que não falei das flores


Para não ser mal compreendido, como americanófilo, reacionário, etc:

- 8 anos sem aumento de salário para os funcionários públicos federais foi dose. Por isso que uma parte do funcionalismo vota no capeta mas não no PSDB

- Deveriam ter sido convocadas eleições no Brasil já em 65 ou 70. JK ou Lacerda ganhariam, nenhum era comuna ou populista. Os malucos comunas poderiam ter sido combatidos sob o regime democrático.

- Os americanos não estão sempre certos. Os irmão Wright não são os pais a aviação, Santos Dumont é.

- O serviço público é necessário.

- ...tem mais?Não lembro.

Reaça!


Oba, finalmente alguém me chamou assim. Se não posso ser chamado de revolucionário de direita, acho que nem mereço esse epíteto por enquanto mesmo, pelo menos já me satisfaço com "reaça".

Explico. Disse ao meu amigo Kishô que o Correio andou publicando uns artigos meus, e para fazer graça falei para ele que todos eram "piores" que o texto que ele leu "Hercules 56..." que não foi aprovado para publicação no Estado do MS (poderiam ao menos ter falado para enxugar o artigo). Sem titubear ele falou que eu era o maior reaça. Lógico!

Defender de certa forma a ditadura é coisa inominável até tempos atrás, pelo menos para mim era. Eu que sempre tive ojeriza ao regime militar e aos milicos não pensava que um dia poderia fazer algum tipo de texto assim. E nem defendi, apenas questionei a razão um pouco mais e dei os motivos do regime. Sigo pensando que deveriam ter sido convocadas eleições em 65 ou 70, a despeito dos movimenos comunas que tínhamos no país.

O Kishô que é leitor da Caros Amigos agora tá enrolado, tem que aguentar o caro amigo aqui para contrabalancear as idéias.

A tempo.O Kishô é o cara que foi responsável pelo maior momento de resposta de um aluno à um professor em sala de aula que presenciei. Segue o diálogo em sala, do professor de Antropologia e ele.

Professor:
-Pois é Luciano, você e sua turminha são responsávei pelo desvio de atenção da turma nas aulas. Esta opinião é unanimidade entre os professores.

Kishô:
- Mas como diria Nelson Rodrigues professor: Toda unanimidade é burra!

PUTZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!!!O professor se calou e seguiu a aula.

Nós que fomos educados por idéias neo-marxistas sabemos que a unanimidade de pensamento está no que chamam de esquerda. Nelson Rodrigues, um dos maiores cronistas esportivos do Brasil, proferiu uma frase feliz, ainda mais nos tempos que vivia. O tempo demonstrou que ele estava correto.

Também foi o exemplo de Roberto Campos que disse: "Eu estava certo quando tinha todos contra mim."

Hoje vendo o caminho que o mundo trilhou sabemos que a pobreza anda junto com o que os "progressistas e revolucionários" queriam e a prosperidade com o que os "reaças" ou "entreguistas" apregoavam. Na acepção da palavra, hoje, reacionária é o que chamam de esquerda.

Lembrando o velhinho da foto deixo um texto de Nelson Rodrigues que é um sarro e ilustra também esta passagem minha com o Kishô:

"O poeta vira-se para mim e faz-me esta acusação horrenda:- “Você é um reaça!”

Tremo em cima dos sapatos. Ele insiste:-“Você acusa as esquerdas com argumentos da direita!” [...]

E, de fato, tempos atrás, eu me encontrei com o doce radical num terreno baldio. Era meia noite, hora que, segundo Machado de Assis, apavora. O sino da matriz dá as doze badaladas [...], uma coruja rosna.

E, então, cochicho para o doce radical:-“Callado, vou contar-te uma que eu só diria ao médium, depois de morto. Você jura que não me trai?”

O romancista estende a mão sobre uma Bíblia invisível:- “Juro!”

Com um sorriso terrível, declarei:- “Eu sou a encarnação abominável da direita!”

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Produtor rural, aquele crápula


Assisti pela Internet um programa no qual um professor do Paraná criticava uma campanha publicitária da FAEP, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, na qual veicularam a seguinte frase : “Se você se alimentou hoje, agradeça a um produtor rural”. A justificativa do professor era de que os produtores não produziam simplesmente para matar a fome de ninguém, mas sim para poder prover a si mesmos com o lucro gerado por um produto, no caso qualquer alimento ou produto agrícola por eles comercializados.

O professor em tese está certo, e por ser professor de História Econômica tenho certeza que se baseou em Adam Smith, que disse a célebre frase “Não é da benevolência do açougueiro ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos próprios interesses”. Corretíssimo.

Embora eu considere a produção de alimentos uma atividade nobre em si, ela é uma atividade capitalista que precisa ser economicamente viável para prosperar. Contanto o mesmo professor há de convir que no Brasil a inversão de valores e a deturpação de conceitos chegaram a tal ponto que a campanha da FAEP se justifica e muito. Digo isso pelo fato do produtor rural ser visto por uma parcela da sociedade de uma maneira que já não faz parte da época em que vivemos.

Já há algum tempo certos “formadores de opinião” querem infligir uma pecha aos produtores rurais que consiste mais ou menos no seguinte: Não importa o tamanho da sua propriedade rural, se foi fruto de herança ou se foi comprada, não importa o que você produza, você é um latifundiário. Sim, e se você não é um latifundiário explorador da mão de obra alheia, você é um devastador da Natureza. E se você não é devastador da Natureza provavelmente você será um latifundiário improdutivo.

Tais idéias beócias devem-se a inúmeras falácias que foram sendo repetidas e “colando” numa parte do senso comum. Não vou elencá-las agora para não me alongar, talvez fosse o caso de outro texto. Dessa forma analisarei apenas o pensamento deturpado que citei no parágrafo anterior.

Primeiro, o conceito de latifúndio degenerou-se (em definição seria área superior a 600 módulos rurais, em geral superando 10 mil hectares conforme a região). Existem pequenas, médias e grandes propriedades. A tendência que se observa é a da terra ser naturalmente dividida entre os herdeiros, tornando as fazendas menores com o tempo. Para pequeno efeito de comparação saliento que o Brasil possui uma área média de propriedade rural menor que a dos EUA e da Austrália.

Mas e uma grande propriedade, qual o problema com ela? Então consideraremos uma montadora de automóveis como um latifúndio automotivo, uma grande rede de lojas populares um latifúndio comercial, uma grande rede de varejo sendo um latifúndio varejista, e por aí vai. E teremos desapreço pelos seus proprietários por serem “latifundiários” mesmo que não-rurais?

Outra coisa, se dissermos que uma propriedade é improdutiva, do que seus donos vivem? Qual a vantagem em se possuir uma propriedade e não usufruir economicamente dela? Será que o tal proprietário não gosta de dinheiro? O próprio presidente do Incra admitiu recentemente que não existem mais propriedades improdutivas no Centro-Sul do Brasil. E reitero, já não existem mais esses tais latifúndios improdutivos há muito tempo mesmo.

Quanto à pecha de explorador considero pior ainda. O assalariado rural médio não recebe muito, é verdade. Sua remuneração fica em torno de 1 a 2,5 salários mínimos. Mas se alguém tem algum emprego melhor para uma pessoa de baixa escolaridade, em geral analfabeta ou no máximo com primeiro grau completo e num local onde ela vai ter moradia sem pagar aluguel, tem leite (não adulterado!) de graça, luz, água encanada e carne subsidiadas (quando não são de graça também) e a possibilidade de se alimentar com frutas e verduras que cultivar, então fique a vontade para ir às fazendas e tentar tirar de lá os funcionários do campo. Vale a pena lembrar que o salário mínimo rural é há muitos anos aproximadamente 10% superior ao mínimo da cidade.

Na parte ambiental é inegável que houveram danos ao meio ambiente, principalmente pela falta de conhecimento, em especial no manejo de solo e da pastagem, ao adentrarmos o Cerrado para nele produzirmos. Porém considero o panorama mais estável hoje, mas sem dúvida não podemos deixar de atentar para a questão ambiental.

Abro um parêntese nesse ponto para comentar uma situação kafkaniana ocorrida este ano. O Incra desapropriou uma fazenda em Selvíria - MS por excesso de reserva legal! Isso mesmo, a proprietária querendo cumprir mais do que a lei ambiental pedia, deixando mais de 20% da sua área com vegetação intocada teve a fazenda considerada improdutiva e posta em processo de desapropriação. O mais interessante é que quem acompanha o meio rural sabe que na atualidade boa parte das agressões ao meio ambiente são produzidas pela ocupação humana proveniente dos assentamentos rurais.

Ao escrever este texto não tive a intenção enaltecer o produtor rural. Como produtor e técnico também tenho críticas à área da qual faço parte, mas quis fazer justiça e elucidar o porquê de certas coisas. Falácias são perigosas, ainda mais quando tendem a jogar a opinião pública contra um setor que além de produzir alimentos e demais produtos que geram empregos e alavancam o desenvolvimento é responsável por mais de 30% do PIB nacional.

Sei também que muitos não possuem a tal visão deturpada de que falei. Aliás, uns ainda consideram o produtor como uma pessoa de alto poder aquisitivo, “rica”, embora no triênio 2004-2006 tenhamos passado por uma grande crise sendo descapitalizados ou contraindo dívidas, e muitos simplesmente se mantiveram na atividade por não viverem exclusivamente dela.

Realmente, há pessoas que acham que os produtores rurais são privilegiados, talvez até mesmo o referido professor considere isso. Esquece ele que como funcionário público o que dá condições de sustentar seu salário são os impostos frutos da economia do Estado, em muito baseada no agronegócio. Será que a FAEP vai ter que fazer uma campanha publicitária para lembrá-lo disso também?

domingo, 11 de novembro de 2007

"...but I'm not the only one..."


Pelo blog do Reinaldo Azevedo tomei conhecimento que a Folha de São Paulo publicou matéria sobre a blogosfera, mais precisamente sobre a divergência de opiniões que polarizam o debate entre "direita x esquerda" ou vice-versa.

Pois é, quem ler meus três primeiros textos do blog (Agosto) vai ver que o maior motivo de fazê-lo foi de comentar a minha surpresa pelo fato de ainda existirem idéias anacrônicas que alimentam este debate. E eu entrei no debate. De sola. E digo, não de passagem, que quem alimenta mesmo este debate demodé são os fanfarrões esquerdistas com seus velhos clichês.

Há motivos para isso acontecer. Ignorância é uma delas com certeza. Eu mesmo não conhecia bem as bases econômicas e a lógica e dinâmica capitalista.Agora, não saber as implicações da queda do Muro de Berlim e continuar falando asneiras sobre os malefícios do capitalismo é dose. Mas há outros motivos. A ditadura militar é uma delas. Área de Humanas com professores, jornalistas e advogados contaminados pela doutrina esquerdista (marxismo camuflado) é outra. Miséria de parte da população também é, assim como as falsas causalidades apontadas para isso.

Enfim, poderia discorrer muito sobre a questão. Até quanto a associação com pessoas corruptas e fisiologistas empechadas com a alcunha da direita pelos "esquerdistas". FHC disse que não há uma direita no Brasil. Politicamente talvez não haja mesmo, assim como a esquerda na prática foi apenas um esbirro populista, estatista e de aumento de impostos.

Partidos políticos são siglas. Ideologia é diferente. Pelo menos está se discutindo, com amadurecimento ou não. Há um texto, uma entrevista precisamente, no site Millenium que fala sobre isso. Não se discute mais "Direita e Esquerda", isso é coisa de país atrasado, tipo o Brasil mesmo. Há um debate entre Liberal Democracia e Social Democracia e o limite da intervenção do Estado na Economia e na vida das pessoas. Vence quem tem mais competência administrativa. E só.

Não se dicute legitimidade da propriedade privada, economia de mercado, guerrinha invejosa entre classes sociais, etc. Esta última deve residir na maneira com a qual a pessoa auferiu sua posição. Se de maneira honesta ou por meios ilícitos. E só, nada mais. O resto é apenas xorumela das viúvas do Muro de Berlim ou oportunistas safados com discurso demagógico.

Deixo uma magnífica frase do texto do RA, assim como o link:

O Muro de Berlim já caiu faz tempo. E caiu sobre a cabeça das esquerdas. Mas, nos jornais, tem-se ainda a impressão de que foi o contrário.

ps: quem não quiser "entrar"neste debate até que é bom mesmo; o mais correto a se fazer é cada um cuidar o melhor possível da sua própria vida e da sua família

Parem as máquinas!!!!!


Talvez esta seja a notícia mais importante veiculada por este blog. O anime Dragon Ball Z será filmado em película!!!!! Isso mesmo a saga de Goku irá para a tela grande.

Que foi? Estão acostumados só com as notícias políticas e ideológicas? Mas é que Dragon Ball (principalmente o Z), South Park e Simpsons, merecem espaço em qualquer mídia.

Não fiz a resenha de Tropa de Elite, provavelmente não farei da série Dragon Ball. Aliás se for algo bem resumido até que faço sim. E, pasmem, eu tenho uma visão geopolítica e filosófica do desenho sim, e não é qualquer coisa não!Mas, por enquanto só fico na notícia que está nesse link.


Espero que não seja o micão que foi "Dragon Ball - O filme" que parece ter sido feito na coxa só pra faturar uns trocados. E isso que o filme foi em anime também. Imagem e som ruim, dublagem errada, putz. O Kishô que o diga.

Esperança nesse então. Quem serão os atores? Hummmm, muito difícil tranferir a empatia de Goku e cia para a vida real. Veremos.

Por enquanto todos juntos:

Ka....meee....ha....meeee...HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Leite derramado


Por: Xico Graziano


Há males que vêm para bem. O recente escândalo da adulteração do leite vai ajudar na modificação do antigo sistema de defesa agropecuária do país. O Brasil merece trabalho melhor.

O modelo atual é sabidamente ineficiente. Vem desde 1934 sua conformação, com as primeiras instruções para a inspeção de carnes, leite e seus derivados. Em 1950 surge a lei básica do sistema, obrigando à inspeção sanitária o processamento alimentar. Nasce o SIF, Sistema de Inspeção Federal.

A base do sistema é a chamada inspeção permanente, aquela exercida por médico veterinário oficial, cujo escritório funciona dentro dos laticínios e frigoríficos. O pressuposto é que, com a presença física, ali, no pátio da agroindústria, o profissional verifica, ao vivo, todo o processo. Exerce assim, diretamente, seu poder de polícia sanitária.

No começo, funcionou bem. Poucas eram as empresas, muitos os fiscais sanitários. Vivia-se a época do Estado-patrão. Precários os métodos de controle, difícil a comunicação, afinal nem fax havia, somente os olhos do veterinário resolviam a parada. Bons anos.

Quanto mais se fortalecia o setor agroindustrial, porém, ganhando escala para atender à urbanização brasileira, a defesa agropecuária encolhia sua eficiência. As empresas, e o mercado, cresciam em tamanho e complexidade. A fiscalização tradicional, aquela do mano-a-mano, não dava mais conta do recado. Nem inchando a máquina estatal.

Problema semelhante inquietara muitos países. A saída exigiu mudança do paradigma sanitário. Ao invés de fiscalizar diretamente, na ponta do consumo, dentro da empresa, a legislação repassou aos próprios empresários a tarefa do controle sanitário. E sacramentou ao governo a função de supervisores, através de auditorias aleatórias.

Riscos sanitários em toda a cadeia produtiva, e não apenas na ponta final, passaram a ser investigados. Essa migração configurou novo método de trabalho, intitulado APPCC, Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. Coube às empresas adotar o novo sistema. E os governos garantem sua credibilidade.

No Brasil, o corporativismo jamais permitiu tal modernização. Os técnicos preferem manter seu “poder de polícia”, a repartir com a iniciativa privada a responsabilidade pela qualidade dos alimentos processados. O discurso atrasado é forte: supondo-se impolutos e onipresentes, argumentam que as parcerias privadas significam uma subversão à estrutura natural do Estado. Parece coisa getulina.

Já surgiu, no governo de FHC, proposta para criar uma Agência de Defesa Sanitária no país. Não vingou. Continua, com alguns aperfeiçoamentos, dominando o paradigma antigo. Resultado: o sistema acabou precário, por culpa não propriamente dos veterinários, mas devido ao modelo ultrapassado de fiscalização.

A política de empurrar a sujeira para debaixo do tapete engana há tempos. Entra e sai Ministro da Agricultura, sem que a poderosa corporação sanitária seja enfrentada. Na gestão do Roberto Rodrigues, desgraçadamente, ressurgiu a febre aftosa, afetando o Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Percebeu-se, claramente, que o sistema de defesa agropecuária do país estava em frangalhos.

Agora, rolou o leite derramado. Uma vergonha pública. A fraude dos laticínios prova, definitivamente, que o velho sistema está falido. Virou um faz-de-conta. A isenção na fiscalização, imaginado a partir da presença fixa do profissional dentro da empresa, também suscita dúvidas. Afinal, a fraqueza humana não escolhe lugar.

O assunto lembra, na década de 1970, as auditorias da SUDAM, Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia. Projetos de pecuária bovina, espalhados na selva, somente permitiam acesso via aérea. E os fiscais do governo, a pé, pegavam carona no avião dos empresários para verificar o correto uso do dinheiro público. Os laudos eram, obviamente, favoráveis. Nunca viram a dinheirama desviada.

O tema da fiscalização sanitária é tabu no Brasil. Falta coragem para colocar o dedo na ferida. Tudo se abafa em nome do interesse nacional. Ocorre que, nessa época de árduas negociações internacionais, reconhecer as fraquezas internas pode significar “um tiro no pé”. Causa tremedeira por aqui as investigações das missões estrangeiras. Seus duros relatórios fomentam a guerra comercial, entremeada com questões sanitárias, como procedem os malandros irlandeses.

A pecuária leiteira cumpre uma agenda positiva, discutida há dez anos, finalmente estabelecida na Instrução Normativa 51, de 2002. Esta impõe melhorias na cadeia produtiva, desde a ordenha até o resfriamento, agora obrigatório. O bucólico, e mal asseado, latão-de-leite na beira da estrada teve seus dias contados. Ainda bem.

Essa evolução tecnológica abriu as portas do mercado internacional. De grande importador – em 1998 foram cerca de US$ 500 milhões - o Brasil começou a exportar leite e derivados. Em 2006 arrecadou US$ 140 milhões em divisas. Esse bom trabalho levou uma bordoada dos picaretas da soda cáustica.

O SIF está numa encruzilhada. Precisa vencer seu corporativismo e se abrir para as novas tecnologias de controle sanitário. Nesse processo, os serviços estaduais de defesa sanitária, sempre desprezados por Brasília, merecem apoio. E os empresários do setor que arquem com sua responsabilidade. Lição-de-casa, para todos, a cumprir.Na sanidade animal, antes tarde que nunca, chegou a hora da verdade.


Artigo Publicado dia 06/11/2007 pelos Jornais O Estado de S. Paulo e O Tempo, de MG.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Dica de sites

Por isso que o Lulla vai tentar o terceiro mandato. Aliás notaram que o "4" pintado de vermelho na logo da copa Brasil 2014 também pode sugerir um quarto mandato lullista?








Ai, ai, ai, teorias conspiratórias pra que te quero. Fui!

Ops, não fui não, olhem o link de onde tirei as últimas charges e abaixo vai o blog onde as vi pela primeira vez. É do Aluisio de Floripa, muito comédia o cara: "Fogo nos botocudos!!!" . Quiá, quiá quiá.

http://www.sponholz.arq.br//index.html


http://oquepensaaluizio.zip.net/


Pensamento do dia:

"Não sou contra as viagens internacionais do Lula. Sou contra ele voltar delas." Sandra Eks

sábado, 3 de novembro de 2007

Campanha do leite


Ha, ha, ha. Essa charge acima é em homenagem aos meus colegas que trabalham na vigilância sanitária. Em especial ao Fabricio, o novo Lineu da vet 2000, he, he.

Aê moçada, como dizem os dois humoristas que passam nos intervalos comerciais da TV Morena:

"Fica esperto."
"Tô ligado!"

Guto, olha a ética profissional. Ok, ok.
* tecla SAP :
SIF = Serviço de Inspeção Federal



quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O blog está nú!!!


Caramba, quando eu pensava que o Correio não publicaria meu último artigo e já estava até pensando em fazer algumas modificaçõezinhas nele e reenviá-lo, eis que vejo que publicaram ontem o "A Democracia e as Instituições" (eu estava fora da cidade):


E o que é melhor ou pior não sei: foi publicado o endereço do blog.

Estava em dúvida quanto a isso, perguntei por e-mail pro pessoal do Correio se seria conveniente ou não divulgá-lo. Bom, agora já saiu. Até agora não houve nenhum comentário proveniente de lá. Que seja, sei que sou lido mais pelos amigos mesmo. Espero que ninguém sinta-se ofendido com algumas coisas daqui.

Meus agradecimentos ao Correio do Estado na pessoa do sr. Neri Kaspary pela possibilidade de eu poder externar minhas humildes opiniões.







terça-feira, 30 de outubro de 2007

Estudo revela quem ganha o quê, na cadeia produtiva da carne - 27 de Outubro de 2007



De acordo com dados apresentados pelo pesquisador da Embrapa Gado de Corte (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), de Campo Grande/MS, Gelson Feijó, a cada quatro animais abatidos, um representa lucro líquido para o frigorífico, em função do completo aproveitamento dos sub-produtos, como sebo, couro e miúdos, sobre os quais o produtor não recebe qualquer remuneração.

Segundo Gelson Feijó, os frigoríficos conseguem lucratividade através da comercialização desses produtos e que não são pagos aos pecuaristas. “Se a indústria dependesse somente da venda da carcaça, teria prejuízos, pois entre o que ela paga e o que vende aos varejistas, perde pelo menos 2%”, afirma Feijó, que comprova esta afirmação apresentando dados de um frigorífico que paga R$ 936,00 por uma carcaça e a vende a R$ 906,00, ao varejo.“Desta forma fica evidente que é com os sub-produtos do boi que as indústrias conseguem obter lucratividade, que por sua vez vai depender da eficiência da própria indústria na exploração e busca por clientes para esses sub-produtos”, esclarece o pesquisador.

O varejo:

Segundo Feijó, os estudos demonstraram que em toda a cadeia produtiva da carne, quem fica com a maior parte do lucro é o mercado varejista. “Eles pagam, em média, R$ 4,00 reais o quilo de carcaça, e vendem a R$ 14,00 o quilo do filé, e de R$ 14,00 a R$ 20,00 o quilo da picanha”, revela Feijó, que com isso demonstra quem atualmente leva a melhor na pecuária de corte.

Exclusividade brasileira:

Segundo o presidente do SRCG, José Lemos Monteiro, o fato de as indústrias frigoríficas pagarem apenas pela carcaça, só ocorre no Brasil. “Em todo o mundo o produtor é remunerado pelo quilo vivo do boi. Apenas aqui somos pagos pela carcaça, sendo que produzimos o sebo que vira sabonete, biocombustível; o couro que se transforma em calçados e muito mais”, pondera ele.

Monteiro informa também que o couro, hoje, é o principal sub-produto de origem bovina, representando cerca de 17%do peso de um animal, ou o equivalente a 40 quilos se tomarmos como exemplo um animal padrão de 240 quilos. “Este couro é exportado para vários países, rendendo mais de 2 bilhões de dólares ao ano, mas nada é repassado ao criador”, indigna-se o presidente do sindicato.

Mais riquezas

Outro sub-produto bastante valorizado são as pedras retiradas da vesícula biliar do animal, que depois de processadas são utilizadas para estimular ostras a produzirem pérolas, “ Isso também é vendido a preço de ouro para , mas que não vemos a cor do dinheiro”, ressaltou o produtor e leiloeiro rural, Tonhão, presente no Café da Manhã.



Comento:

Vou deixar a pecuária e montar um açougue...
Um pouco mais:
Com um custo de produção da arroba de R$ 45,oo e um preço líquido de venda de R$ 60,00 temos uma lucratividade de 33% para os produtores. Não é um mal negócio. A produtividade de 6 a 8 arrobas por hectare é que leva uma baixa capitalização do produtor.
Quanto ao varejo ganhar mais depende. Um boi não é só picanha, filé, etc. Faltou "desmontar" todo o animal e chegar a um preço total de compra e de venda do produto para se ter a exata compreensão do lucro do varejo, cujo custo também não consiste só em valor de compra da carcaça.
No fim voltamos a velha Lei da Oferta e da Procura.
Mas que Indústria e Varejo mandam mais (inclusive com práticas de cartelização) na cadeia da carne isso não há dúvidas