domingo, 1 de março de 2009

Idéias têm consequências


Sim. Eles sabem quem eu sou, eles me perseguem. Sorrateiramente montam suas rodinhas de conversa por onde passo e, voilá, tecem seus comentários estapafúrdios para eu escutar. Eu, o Joseph McCarthy campo-grandense, estou sendo caçado pelos neocomunas, ou melhor, pelos neobobos.

Estava nos corredores da Universidade Federal, saindo do banco, quando ouvi de um grupo de acadêmicos a seguinte frase: “Vai ser uma apresentação sobre Direitos Humanos numa visão marxista, você se encarrega disso.”.

Deixei os barbudos de lado e entrei no carro, mas aí tive o estalo. Como pode haver Direitos Humanos numa visão marxista? Quem conhece um pouco da vida pessoal de Marx, sabe que lhe faltaram muitas qualidades para chegar ao status de canalha.

Sobre as opiniões do filósofo alemão, bem observou Nélson Rodrigues: “As cartas de Marx mostram que ele era imperialista, colonialista, racista, genocida, que queria a destruição dos povos miseráveis e "sem história", os quais chama de "piolhentos", de "anões", de "suínos" e que não mereciam existir. Esse é o Marx de verdade, não o da nossa fantasia, não o do nosso delírio, mas o sem retoque, o Marx tragicamente autêntico.”

O marxismo é aquela doutrina de luta de classes que no fim tenta validar a violência. Eu posso matar ou ser morto, depende se sou burguês ou proletário. Na prática a doutrina marxista resultou em pilhas de cadáveres, ditaduras e supressão das liberdades individuais.

Gostaria de reencontrar meu antigo professor de História. Ele fazia chacota sobre a frase: “Comunistas comem criancinhas.”, que, segundo ele, foi usada como um ardil para espalhar uma aversão ao comunismo na população simples e ignara do país em meados da década de 60. E eu concordava com ele.

Só recentemente fiquei sabendo que a barbárie nos países da cortina de ferro foi tanta, que pessoas foram levadas ao canibalismo para não morrer de fome. Pesquisem na Internet. “O Livro Negro do Comunismo” de Stéphane Courtois e outros, e “A ilha dos Canibais” de Nicolas Werth são algumas obras impressas sobre o tema.

Para se ter uma idéia, a tragédia de Holodomor na Ucrânia matou mais pessoas do que o Holocausto judeu. Nessa dantesca fome gerada pelos comunistas, também houveram relatos de canibalismo.

Eu não me abstenho de afirmar que Marx teve responsabilidade nisso. Suas idéias eram erradas já na época e sua engenharia social somente poderia gerar o caos. Foi o que aconteceu.

Pergunto novamente: Há algum Direito Humano nisso?

Indignado, saí do carro. Iria questionar sobre essa aula-palestra que o acadêmico (ou professor, não sei) estava mencionando. Passei perto do grupo, mas não tive coragem de abordá-los. Um pouco de vergonha pela exposição, mas mais por pensar que no fim poderia se descambar para aquelas discussões infrutíferas e que apenas tentariam me desqualificar como burguês-reacionário-direitista, ou qualquer coisa parecida.

Voltei para o carro. Para me aliviar, pensei que se aqueles caras estivessem num filme da sessão da tarde seriam os loosers, e pouca atenção seria dada a eles. A tal aula ficaria perdida em alguma sala obscura da UFMS e não havia risco de (mais) um derramamento de sangue em nome de “Um outro mundo é possível.”.

Lembrei também dos líderes do Khmer Vermelho que tiveram aulas com professores marxistas em Paris e puseram em prática tais idéias no Camboja. Resultado: extermínio de 25% da população daquele país.

Aqui no Brasil o marxismo parece que resultou numa legislação trabalhista paternalista (a despeito de ter sido importada da Itália de Mussolini), um Judiciário que via de regra é parcial ao laboral, e uma falta de consciência e responsabilidade sobre deveres e direitos entre empregadores e empregados. Ou seja, atrasa, mas ao menos não mata.

Nem sei por que ainda me aborreço tanto. Já combinei comigo mesmo que os grandes problemas que enfrentamos são pela corrupção geral e ineficiência pessoal. Deve ser pela ideologia enganosa e pelo número de mortos que ainda tenho pinimbas quando ouço algo semelhante ao marxismo.

Pelo menos entendi porque uma parte do pessoal do Direitos Humanos (DH) muitas vezes podem ser confundidos com Direitos dos Terroristas, Direitos dos Bandidos e Assassinos, e por aí vai.

Tempos atrás vi na TV um representante do DH colocando em pé de igualdade as prisões colombianas que trancafiavam os narcoguerrilheiros das FARC, com as prisões na selva onde ficam as pessoas seqüestradas pelas FARC. Comparação absurda. Ingrid Betancourt que o diga.

Infelizmente algumas idéias anacrônicas ainda prosperam na Academia. Apesar de menores do que no passado, elas ainda podem gerar alguns efeitos deletérios. Mas sou otimista, elas serão substituídas, mesmo eu planejando passar mais longe de algumas rodas de conversa.

Viva Cuba Libre!


*Escrevi este artigo há quase dois anos atrás, mas ele não foi publicado, pois o ministro da (In)Justiça, Tarso Genro, agiu como capitão-do-mato e rapidamente deportou os dois boxeadores de volta para ilha. Finalmente, nesta última semana, Guillermo Rigondeaux conseguiu fugir novamente, Lara já havia feito isso no ano passado.
Os inimigos da Liberdade podem usar de seus ardis, mas eles não irão prosperar.
Parabéns Lara! Parabéns Rigondeaux!

No Pan-americano do Rio de Janeiro em 2007 o Brasil teve seu melhor desempenho na história da competição, mas mesmo assim ainda ficou atrás de Cuba na disputa pelo segundo lugar no quadro de medalhas. Porém para três atletas e um treinador cubanos aquele Pan-americano, mesmo sem terem competido nem recebido medalhas, representa talvez a maior conquista de suas vidas até hoje.

Foram quatro cubanos que literalmente fugiram da delegação e não devem voltar para ilha-presídio do Caribe. Para muitos leigos tal fato pode passar despercebido e apenas significar que a vida em Cuba está difícil, mas para quem tem mais informações acerca de lá, isto remete aos tristes anos da Guerra Fria e nos traz mais inconformidade em ainda haver no Brasil quem defenda e admire o governo e a ditadura de Fidel Castro.

Tal fato não é novo, no concernente a Cuba teve início no Pan-americano de 1971 em Cáli, na Colômbia. Torna-se menos surpreendente ainda quando nos lembramos dos casos dos atletas dos antigos países comunistas que também fugiam de suas “Repúblicas Populares”. Houveram fugas da Alemanha Oriental, China e a mais notória foi a da ginasta romena Nadia Comaneci.

A novidade desse episódio no Rio de Janeiro foi a saída às pressas da maior parte da delegação cubana, em virtude de boatos de que haveria deserção em massa. A equipe de vôlei nem foi receber a medalha de bronze. Vaias para Fidel.

Os atletas cubanos são parte especial do povo sofrido e miserável. Todo país comunista sempre investiu muito no esporte, como vitrine internacional do regime, como propaganda enganosa da situação interna. A Alemanha Oriental sempre esteve na frente da Alemanha Ocidental em conquistas esportivas, mas o Muro de Berlim foi construído para impedir que os habitantes do lado comunista migrassem em peso para o lado capitalista.

Fidel já lançou mão dos seus bodes expiatórios para justificar as deserções. Segundo ele há uma máfia alemã que alicia a deserção de atletas cubanos. Da próxima vez que eu ouvir Kaká e Ronaldinho negociarem seus contratos irei protestar dizendo que eles estão sendo aliciados, forçados a ficarem fora do país. O velho comandante acha que é proprietário dos cidadãos cubanos. O pior é que ele praticamente consegue ser mesmo.

O maior bode expiatório de Fidel é o chamado embargo norte-americano, no qual o único país do mundo que não pratica comércio com Cuba são os EUA; é mentira que outros países não possam comercializar com a ilha.

Mas não era ele que denunciava o imperialismo dos EUA? Então comercializar com aquele país é sinônimo de ser explorado, e quando os EUA decidem não ter relações comerciais com a ilha do ditador que promoveu expropriações em massa, também são culpados pelo colapso econômico comunista? Bom senso não faz parte do vocabulário de Fidel Castro e seus asseclas.

Alguns defensores do regime fidelista citam avanços em Educação e Saúde. Não me delongarei sobre o tema, mas digo que tanto numa quanto noutra área a situação é altamente questionável.

O índice de analfabetismo é reduzidíssimo, mas cada cubano tem que sobreviver com aproximadamente 15 dólares por mês. São os letrados miseráveis. Como conseqüência a prostituição campeia em massa, as gineteiras procuram os dólares dos turistas. Na verdade a Educação é usada como uma forma de doutrinação, a censura é geral e divulgam-se apenas informações favoráveis ao governo.

O sistema público de saúde é uma falácia. Há um satisfatório para os membros do partido, onde Michael Moore levou cidadãos norte-americanos no seu último documentário, e outro sofrível para a população cubana em geral.

Há muito o que se falar de Cuba, mas para os que preferirem algumas informações mais rápidas e acessíveis, além da Internet, o filme Cidade Perdida, protagonizado e dirigido por Andy Garcia (ele mesmo um exilado cubano), podem colaborar para isso.

Para os pugilistas Guillermo Rigondeaux, Erislandy Lara, o jogador de handebol Rafael D'Acosta e o técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas, desejo uma excelente vida nova. Com oportunidades e a liberdade de optar pelo que considerarem o melhor caminho.

Em vocês mantém-se a esperança de dias melhores, e juntos gritamos:

VIVA CUBA LIBRE!


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Comunistas comem criancinhas




Não. É bem pior que isso. As ações comunistas levaram à população dos seus respectivos países a tanta fome, que além da morte por inanição, pessoas praticaram antropofagia. Um relato dessa barbárie está em excertos no post abaixo.

Lembro-me que meu professor de História contava que os militares e grupos contrários à ações populares no Brasil disseminaram o medo ao comunismo na população simples e ignara dizendo que "comunistas comiam criancinhas". A população sem nem saber direito o que é comunismo, então já ficava horrorizada com a palavra.

É claro que meu professor tinha um viés esquerdista, e geralmente ríamos do absurdo que era acreditar na frase propalada e ao mesmo tempo ficávamos um tanto indignados pelo uso da "mentira" como meio de desqualificação.

Aliás, para eles (professores), o Brasil nunca correu o menor risco de cair num regime comunista. Foi apenas um reacionarismo das elites que não queriam ceder às pressões populares.

Isto é falso, mas não vou entrar no mérito dessa questão agora.

Coloquei o post abaixo simplesmente porque muitos até hoje não sabem o que se passou nos países comunistas, e que aquela frase que pensávamos ser apenas um ardil de uma histeria anticomunista, na verdade procede e tem razão de ser.

Há mais material no blog Realismo Socialista, que está nos meus links. Também há relatos de canibalismo na ex-URSS

"...dois terços acabariam por morrer de fome, de frio, de doença, acabando alguns por ser vítimas de canibalismo, perpetrado pelos seus companheiros desesperados. "

http://www.wook.pt/ficha/a-ilha-dos-canibais/a/id/199183

Este caso parece que foi pior, eles não comeram pessoas que haviam falecido, como na China, mas mataram pessoas para se alimentar. Não achei um link de uma parte do livro "A ilha dos canibais" que relata esta cena vista por um guarda soviético.

Pois é. Isto tudo parece ser coisa do passado, histeria anticomunista, mas serve para divulgar fatos desconhecidos por muitos e também para saber que idéias têm consequências e idéias erradas têm consequência desastrosas.

ps: Trecho emblemático do post abaixo:

"Caminhávamos juntos ao longo do vilarejo. . . Diante de meus olhos, entre as ervas daninhas, surgiu uma das cenas que já me haviam contado: um dos banquetes no qual as famílias trocam suas crianças para poder comê-las. Eu podia vislumbrar claramente a angústia nos rostos das famílias enquanto elas mastigavam a carne dos filhos dos amigos. As crianças que estavam caçando borboletas em um campo próximo pareciam ser a reencarnação das crianças devoradas por seus pais. O que fez com que aquelas pessoas tivessem de engolir aquela carne humana, entre lágrimas e aflições - carne essa que elas jamais se imaginaram provando, mesmo em seus piores pesadelos?"




Imagem: Criança ucraniana na tragédia de Holodomor

A China comunista e seus campos da morte


...Esse horror já podia ser pressagiado quando uma guerra civil se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Depois de nove milhões de mortos, os comunistas emergiram vitoriosos em 1949, tendo Mao como o soberano. Assim, a terra de Lao-Tzu (rima, ritmo, paz), do Taoísmo (compaixão, moderação, humildade) e do Confucionismo (piedade, harmonia social, progresso individual) foi confiscada pela importação da mais esquisita matéria-prima jamais conhecida pelos chineses: o marxismo alemão importado via Rússia. Era uma ideologia que negava toda a lógica, toda a experiência, todas as leis econômicas, todos os direitos de propriedade, e todos os limites sobre o poder do estado, alegando que todas essas noções eram meros preconceitos burgueses, e que tudo o que era necessário para se transformar a sociedade era um núcleo composto por poucas pessoas com todo o poder para modificar todas as coisas

...

A comunização da China se deu seguindo os três estágios usuais: expurgos, planejamentos e, por fim, a procura por bodes expiatórios. Primeiro ocorreram os expurgos - também conhecidos como "purificação" -, para que o comunismo pudesse ser implantado. Havia guerrilhas a serem mortas e terras a serem nacionalizadas. As igrejas tinham que ser destruídas. Os contra-revolucionários tinham que ser suprimidos. A violência começou no campo e depois se espalhou para as cidades. Todos os camponeses foram primeiramente divididos em quatro classes que eram consideradas politicamente aceitáveis: pobres, semi-pobres, médios, e ricos. Todos os outros eram considerados latifundiários e, assim, marcados para ser eliminados. Se nenhum latifundiário fosse encontrado, os "ricos" eram então incluídos nesse grupo.
A classe demonizada era desentocada em uma série de "encontros da amargura" -- que ocorriam em nível nacional -- nos quais as pessoas delatavam seus vizinhos que possuíssem propriedades e que fossem politicamente desleais. Aqueles assim considerados eram imediatamente executados junto com quem quer que tivesse simpatias por eles.
A regra era que deveria haver ao menos uma pessoa morta por vilarejo. O número de mortos está estimado entre um milhão e cinco milhões. Além disso, entre quatro e seis milhões de proprietários de terra foram trucidados pelo simples crime de ser donos de capital. Se alguém fosse suspeito de estar escondendo alguma riqueza, ele ou ela seria torturado com ferro quente até confessar. As famílias dos mortos eram também torturadas e os túmulos de seus predecessores eram saqueados e pilhados. O que acontecia com a terra? Esta era dividida em minúsculos lotes e distribuída entre os camponeses remanescentes.

A campanha então se dirigiu para as cidades. As motivações políticas eram o principal incentivo, mas havia também o desejo de se fazer controles comportamentais. Qualquer um suspeito de envolvimento com prostituição, jogatina, sonegação, mentiras, tráfico de ópio, ou suspeito de contar segredos de estado, era executado sob a acusação de "bandido". Estimativas oficiais colocam o número de mortos em dois milhões, sendo que outros dois milhões foram morrer nas prisões. Comitês residenciais formados por pessoas leais ao estado vigiavam cada movimento.

Qualquer visita noturna era imediatamente reportada, e todos os envolvidos eram presos ou assassinados. As celas das prisões iam ficando cada vez menores, chegando a um ponto em que uma pessoa vivia em um espaço de aproximadamente 35 centímetros. Alguns prisioneiros faziam trabalho forçado até morrer, e qualquer um que se envolvesse em alguma revolta era agrupado com seus colaboradores e todos eram queimados.

Havia indústrias nas cidades, mas aqueles que eram seus proprietários e gerentes eram submetidos a restrições cada vez mais apertadas: transparência forçada, escrutínio constante, impostos escorchantes, além de sofrerem todos os tipos de pressão para oferecer seus negócios à coletivização. Houve muitos suicídios entre os pequenos e médios empresários que perceberam para onde tudo estava indo. Ajuntar-se ao partido adiava apenas temporariamente a morte, já que em 1955 começou a campanha contra os contra-revolucionários escondidos dentro do próprio partido. Havia um princípio de que um em cada dez membros do partido era um traidor secreto.
...

Em 1957, o desastre estava por todos os lados. Os trabalhadores estavam tão enfraquecidos que eram incapazes até mesmo de colher suas escassas safras; e assim eles morriam, vendo o arroz apodrecer. As indústrias se avolumavam, mas não produziam nada de útil. A resposta do governo foi dizer às pessoas que gorduras e proteínas eram desnecessárias. Mas a fome não podia ser negada. O preço do arroz subiu de 20 a 30 vezes no mercado negro. Como as trocas foram proibidas entre os grupos coletivistas (você sabe, a tal da auto-suficiência), milhões ficaram à míngua. Já em 1960, a taxa de mortalidade pulou de 15 por cento para 68 por cento, e a taxa de natalidade despencou. Quem quer que fosse pego estocando grãos era fuzilado. Camponeses flagrados com a menor quantia imaginável eram aprisionados. Fogueiras foram banidas. Funerais foram proibidos, pois eram considerados esbanjadores.

Aldeões que tentavam fugir dos campos para as cidades eram fuzilados nos portões. Os mortos de fome atingiam 50 por cento em alguns vilarejos. Os sobreviventes ferviam grama e cascas de árvore para fazer sopa, enquanto outros vagueavam pelas estradas à procura de comida. Algumas vezes eles se bandeavam e atacavam casas, procurando por restos do milho que era servido ao gado. As mulheres eram incapazes de engravidar devido à desnutrição. Pessoas nos campos de trabalho forçado foram usadas em experimentos com comidas, provocando doenças e mortes.

Mas isso ainda era pouco. Em 1968, um membro da Guarda Vermelha, de 18 anos, chamado Wei Jingsheng, encontrou refúgio em uma família de um vilarejo em Anhui, e ali ele viveu para escrever o que ele viu:


"Caminhávamos juntos ao longo do vilarejo. . . Diante de meus olhos, entre as ervas daninhas, surgiu uma das cenas que já me haviam contado: um dos banquetes no qual as famílias trocam suas crianças para poder comê-las. Eu podia vislumbrar claramente a angústia nos rostos das famílias enquanto elas mastigavam a carne dos filhos dos amigos. As crianças que estavam caçando borboletas em um campo próximo pareciam ser a reencarnação das crianças devoradas por seus pais. O que fez com que aquelas pessoas tivessem de engolir aquela carne humana, entre lágrimas e aflições - carne essa que elas jamais se imaginaram provando, mesmo em seus piores pesadelos?"

O autor dessa passagem foi preso como traidor, mas seu status o protegeu da morte, e ele foi finalmente solto em 1997.

Quantas pessoas morreram durante a fome de 1959-1961? A menor estimativa é de 20 milhões. A maior, de 43 milhões. Finalmente, em 1961 o governo cedeu e permitiu alguma importação de comida, mas foi pouco e já era tarde. Foi permitido a alguns camponeses voltar a plantar em sua própria terra. Surgiram algumas oficinas particulares. Alguns mercados foram permitidos. Finalmente, a fome começou a diminuir e a produção começou a crescer.

...

Tendo lido tudo isso, você agora faz parte da minúscula elite de pessoas que sabem alguma coisa sobre o maior campo de morte da história do mundo, que foi no que a China se transformou entre 1949 e 1976 -- um experimento de controle total, algo que jamais se viu na história. Muitas pessoas hoje sabem mais sobre as baterias de celulares chinesas que explodem do que sobre as centenas de milhões de mortos e a inenarrável quantidade de sofrimento ocorrida sob o comunismo.

Quando você ouvir sobre produtos de baixa qualidade vindos da China, ou sobre trigo insuficientemente processado, imagine milhões sofrendo de uma fome dantesca, com pais trocando seus filhos para comê-los e, assim, permanecerem vivos. Não me diga que aprendemos alguma coisa com a história. Sequer conhecemos a história o suficiente para aprender algo com ela.



Texto completo:



domingo, 8 de fevereiro de 2009

Enquanto discutimos ideologias...


...os ratos se refestelam. Leiam abaixo:

"...A revista escondeu meu patrimônio. Minha fortuna é muito maior que o que eles falaram."

Na entrevista, Newtão confirmou ser dono de todos os bens que VEJA lhe atribuiu e relacionou outros mais. De acordo com a reportagem, o ex-governador possuiria 25 carros. Ele disse que são 150. VEJA afirmou que o ex-governador é dono de setenta fazendas. Ele se vangloriou de ter o dobro: "Não tenho só essa m... de setenta fazendas. São 145, sendo que em uma delas foram encontrados dois poços de petróleo". Newtão declarou que não é dono só de um, mas de dois apartamentos nos Estados Unidos. Um fica em Nova York. O outro, em São Francisco. Na Europa, possui não apenas um apartamento e um hotel em Paris, mas também um refúgio em Roma. Na Bahia, tem uma praia. No Rio de Janeiro, uma ilha em Angra dos Reis...

http://veja.abril.com.br/280109/p_052.shtml

Ê laiá. Isto é Brasil.

Adivinhem se ele vai preso ou se os seus bens serão apreendidos? Nada disso, é capaz de Newton Cardoso se reeleger pra qualquer coisa.

Este é um grande câncer no país, a corrupção. E está em todas as esferas, mas esta do Newtão foi de tirar pica-pau do ovo.

No Japão as denúncias levariam o político à cadeia, à renúncia se estivesse ocupando o cargo, ou, em outros tempos, ao haraquiri. Mas no Brasil o cara vem a público dizer que é muito mais rico. É bilionário. De certo é pra causar inveja aos seus colegas que só se tornaram milionários.

"Diminuam o estado!" Dirá o liberal.

Acontece que o estado é necessário. Diminuir o poder dos políticos seria interesante, mas o melhor mesmo seriam mecanismos severos de punição. Bens deveriam ser arrestados e o dinheiro devolvido ao erário.

Má quê! Estamos no Brasil e não em Cingapura, onde se não me engano, uma lei dessa foi posta em prática.

Pra se inteirar mais ainda leiam a reportagem original:

Newton havia se elegido deputado federal e tinha poucos bens. Mais de 90% da fortuna dele foi construída no período em que vivemos juntos", relata Maria Lúcia. A carreira política do peemedebista engrenou. Ele voltou à prefeitura de Contagem, ganhou o governo de Minas, conquistou outro mandato de deputado, passou de novo por Contagem e, por fim, foi vice-governador. A intensa vida pública não impediu Newtão de multiplicar seus bens. Ao contrário. Maria Lúcia diz que foi esse o período em que ele ganhou mais dinheiro.

O político foi denunciado muitas vezes por desvio de recursos oficiais. "Sou um dos políticos mais investigados da história do país", alardeia Newtão. Em 1989, ao final de seu mandato de governador, chegou a enfrentar um processo de impeachment. Venceu. Embora ainda responda a várias ações, Newtão nunca sofreu uma condenação definitiva por subtrair dinheiro dos cofres públicos.

Seus argumentos têm encontrado pouca acolhida nos tribunais. Há um mês, a juíza Nilsoni de Freitas Custódio, da 3ª Vara de Família de Brasília, condenou o ex-governador a dar 103 750 reais por mês à ex-mulher. Apesar de ser uma das maiores pensões já concedidas no país, Maria Lúcia recorreu. Argumenta que tem direito de receber cinco vezes mais.

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/01/newton-cardoso-divrcio-bilionrio.html

Sem comentários. Estou enjoado.

Lulla, o neoliberal

Ninguém comentou muito, mas na iminência da crise, o governo abaixou o IPI dos automóveis. Ano passado foi uma queda de braço pra acabar com a CMPF, esta o governo queria manter.

Mais do que ideologia, o governo, independente de partidos, vive numa situação de soma de vetores (lembram-se das aulas de matemática e física?). Funciona mais ou menos assim.

Um lado clama por mais serviços do Estado. Além dos clássicos, Educação, Saúde, Segurança, Infra-estrutura, etc, há demanda pra todo tipo de ajuda governamental. Lembro-me na grande crise do agronegócio (basicamente carne, leite, milho e soja), na qual os integrantes da cadeia produtiva pediam por preços mínimos, proteção, etc.

O mesmo ocorre com o sistema sindical. Sempre e aproximam do governo para colher benesses.

E há também o vetor que pede menos impostos, menos taxas, etc. Sem dúvida, baixos impostos são benéficos para sociedade.

Um grande problema não são simplesmente os impostos, mas o mau uso deles. Em post próximo comentarei mais.

De qualquer forma o que se pode filtrar é isso. O governo sofre influência de grupos de pressão, uns pedindo mais serviços e benesses e outros pedindo menos tungagem no bolso. Isto entre outras coisas que o próprio governo procede ativamente (clientelismo, fisiologismo, etc).

Desta soma de vetores é que se faz o "deslocamento" das ações estatais.

A palavra "Liberdade" que os anglo-saxões utilizam, seria muito melhor traduzida para o português, nessa relação indivíduo-estado, pela palavra "Independência".

Ou seja, os anglo-saxões quando falam que prezam a Liberdade, na verdade referem-se ao ato de agirem sem a necessidade de ajuda/intervenção estatal, portanto de maneira independente do governo.

É isso.

13 e 31



Este texto era pra ter sido postado no final do ano passado. Antes tarde do que nunca, pelo menos ainda não mudei de idade.

O ano está acabando e pretendo escrever estas linhas antes do fim dele. Este ano quebrei uma promessa, falei no início que não escreveria ou, pelo menos, evitaria assuntos político-ideológicos. Quem acompanhou os artigos e posts percebeu que passei longe disso.

Muito bem, como já passei dos 30 e acho que não há muito mais de interessante que se fazer depois dessa idade, pelo menos ela me serviu como uma numerologia curiosa.

Lá pelos idos de 1990 eu tinha 13 anos. A infância acaba aos 10, portanto eu já tinha uma bagagem pré-adolescente dos 11 e 12 anos que me conferiram alguns pensamentos. Ah sim, me lembro da primeira vez que escutei “Faroeste Caboclo” do Legião Urbana (eu falo “do” Legião e não “da” Legião), eu tinha 11 anos. Gostei da música e da letra, virei fã, mas foi só quando tinha 13 anos que comprei o disco “Que país é este?”. Putz, escutava o dia inteiro. De chofre também comprei os dois anteriores. Do primeiro escutava muito “Geração coca-cola”.

Resumindo, lá estava eu, um recém-adolescente, fã de rock de protesto, preocupado com os problemas da sociedade. As críticas ao sistema e à sociedade só podiam ter uma conotação anticapitalista, afinal uns têm muito e outros não tem nada. Os trabalhadores que mais suam a camisa ganham menos que uns engravatados que só assinam papéis. O mundo é muito errado mesmo.

Não sei por que cargas d’água fiquei sabendo que Karl Marx era o cara que havia criticado o sistema que vivíamos. Pensei que valia a pena lê-lo. Peguei “O Capital” na biblioteca da escola. Arghh, quanta asneira, li umas 30 páginas. Parei depois da tal da “mais-valia”, o argumento era tosco, não levava em conta outros ítens do custo de produção, mas apenas a mão-de-obra. Sem contar que o tom irascível do alemão me causou repugnância.

O Muro de Berlim que caíra no ano anterior e os balseiros cubanos - aliás, até então gostava muito de Cuba, me parecia um modelo a ser seguido na luta contra o imperialismo americano – me fizeram perceber que a História desmentira o velho barbudo e não havia porque me preocupar com ele. Mas eu continuava insatisfeito com o estado de coisas do mundo.

Depois de ler um livrinho do Paul Singer (apesar do nome ele é brasileiro), acabei achando que Keynes que tinha resolvido a parada ao instituir o Welfare State. A essa altura eu já estava com 14 anos. Fui um keynesiano desde então. Ser de centro-esquerda era o que me parecia o correto. Na prática do meu dia-a-dia, a influência dessa opinião foi zero.

De qualquer forma os meus 13 anos foram a minha fase mais “esquerdista” vamos dizer assim. Meu remédio foi ter lido um pouco de Marx. Acho que os esquerdistas não lêem Marx, por isso proferem as asneiras marxistas.

Hoje, aos 31, esta maldita Internet me puxou pro lado direito da força. Tudo bem, eram idéias que eu já nutria, mas foram muito mais referendadas nas minhas horas on-line.

Sou um direitista, sou um liberal? Não sei, talvez não completamente, até porque acho que estes rótulos são um tanto “engessativos”; mas definitivamente esquerdista não sou. Acho que o bom-senso tem de vir antes de tudo.

Os esquerdistas neomarxistas são os maiores inimigos? São eles que impedem a felicidade do mundo?

Não, claro que não, simplesmente porque acho que nossos maiores inimigos somos nós mesmos, com a vantagem de também sermos os nossos maiores amigos. Tudo depende de cada um.

Quanto à felicidade... esta é mais difícil, mas não tenho dúvidas de que também depende de cada um.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo! (como eu disse, era pra ter postado final do ano passado, mas fica reforçado o desejo de um feliz 2009)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Saia-justa



Muito além de linda, a repórter é bem informada e articulada. Coitado do Benicio del Toro, ficou sem saber o que falar. Também, quem mandou fazer mistificação de assassino?

Precisamos de umas repórteres assim por aqui, que não deixam prosperar mentiras e falácias.

Quero só ver o tipo das reportagens que vão sair aqui por conta do filme Che, que tem o Rodrigo Santoro no papel de Raúl Castro. Por certo só vão puxar o saco do cara e ainda incensar os personagens da vida real.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ainda o ministro do Terror

Sinceramente, eu achei q o Lulla iria saber lidar com esse caso do Battisti. A minha esperança é de que ele é menos idiota que os ideologizados do PT.

Vejam o caso do Equador. Houveram represálias ao projeto de ditador Rafael Correa e o dinossauro Marco Aurélio Garcia foi afastado das relações internacionais. Observamos que o poder do tal Foro de São Paulo não é tão grande assim.

Agora quanto ao terrorista italiano a coisa desandou e está vergonhosa. Eu estou enojado. Num país normal o Tarso Genro já teria sido afastado, leia-se mandado embora, e o terrorista já teria sido deportado.

Mas o que eu vejo é o apedeutekoba aludindo à uma tal "questão de soberania". É um palhaço, um fanfarrão terceiro-mundista. O Brasil toma prejuízos com algumas repúblicas bananeiras tipo a Bolívia, passando a mão na cabeça deles como se fosse o irmão mais velho e depois quer dar uma de valente pra cima dos grandes do hemisfério norte.

Vai ser idiota lá na pqp.

Reitero aqui minha posição. Tarso Genro deve ser exonerado do cargo. Essa idiotice dele além de ser de cunho bárbaro (ou que outro nome se dá ao ato de defender um assassino julgado e condenado?) , também trará sérios prejuízos ao país.

Tarso Genro deve ser afastado e Batistti deportado. Eu quero acreditar nisso e não me envergonhar mais por ser brasileiro.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O ministro e o terrorista


A quem causa espanto a recente atitude do ministro da Justiça, o sr. Tarso Genro? Para quem não sabe, Genro concedeu asilo político a Cesare Battisti, que foi condenado a prisão perpétua na Itália pela morte de 4 pessoas. Ex-integrante de um grupo de esquerda, os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti fugiu do seu país após seus crimes.

No Brasil, o italiano está ganhando o status de refugiado político. Engana-se quem pensa que Battisti partiu para alguma luta armada contra uma ditadura no seu país. Nada disso. A Itália era uma democracia consolidada nos anos 70 e Battisti tinha como sonho a ditadura comunista, eufemisticamente chamada de ditadura do proletariado.

Leninista convicto, Tarso Genro tem afinidades ideológicas com o italiano. Afinal foi Lênin que disse a frase: “Os fins justificam os meios.” Para eles, pode-se matar desde que seja pela “causa”.

Interessante lembrar como foi a atitude de Tarso Genro no caso dos dois boxeadores cubanos que fugiram no Pan americano do Rio de Janeiro de 2007. Genro agiu como capitão-do-mato e deportou os dois cubanos em tempo recorde para Cuba. Alegou que os dois queriam voltar imediatamente, pois estavam com saudades da família. Posteriormente um dos pugilistas conseguiu fugir para Alemanha.

Falavam que Cuba era o quintal dos EUA. Pois hoje ela é a senzala dos irmãos Castro, que são recebidos com todas as honras no Brasil.

Genro também quer rever a lei da Anistia. Para ele é insuportável ver os militares que impediram que transformassem o país numa sucursal da extinta URSS ainda estejam livres por aí. A bolsa-ditadura já custa alguns bilhões ao contribuinte, mas isso não é suficiente para nossos bolcheviques frustrados.

Ah sim, quantos aos crimes cometidos pelos ex-combatentes da ditadura nada se diz. Li recentemente no blog do Gustavo Bezerra o relato de um ex-militante que contou como fizeram um “justiçamento” por estarem desconfiados da traição de um integrante do PCB. Após o assassinato eles derreteram o corpo da vítima numa banheira com ácido. A confissão está na página 73 do livro “Memórias de um Stalinista” de Hércules Côrrea, falecido no ano passado. Repugnante.

Battisti está bastante contente, diz que vai voltar a escrever. Provavelmente ele até será chamado pra dar aulas em alguma Universidade, onde poderá fazer suas críticas ao capitalismo, às elites, etc, as velhas ladainhas que os alunos de Humanas estão submetidos há décadas.

O presidente Lula em sua visita a Corumbá declarou que não será um episódio como esse que vai gerar animosidade na relação do Brasil com a Itália. Mas na Itália, o subsecretário de Estado do Interior, Alfredo Mantovano, declarou que a decisão brasileira é "grave e ofensiva", e que "O governo italiano não pode aceitá-la. Em particular, por respeito às vítimas e a seus familiares.”.

Francisco Antonio Cadenas Collazzos, o “Padre Medina”, líder das FARC, obteve a condição de refugiado em 2006 no Brasil. O governo da Colômbia desejava sua extradição, mas o governo petista nunca faria isso com um integrante de um grupo narcoguerrilheiro e que fez parte do Foro de São Paulo ao lado do PT.
Assim age o governo petista. Cospe nas Democracias e estende a mão aos terroristas. Mas vejam bem, são terroristas humanistas, perseguidos políticos, que não compactuaram com a Democracia e as Leis do país de origem.

Sabendo disso e de quem é Tarso Genro, não me surpreendo por Cesare Battisti estar sendo tão protegido pelo poder público. Aliás, se estivessem vivos Stálin, Mao Tse-tung, Pol Pot ou qualquer outro ditador que matou milhões de pessoas por nobres causas humanistas, utilizando o bordão “Um outro mundo é possível!”, com certeza seria bem acolhido pelo nosso ministro da Justiça.




domingo, 11 de janeiro de 2009

Conflito Israel/Palestina

Eu nunca gostei de fazenda com nome de Canaã. Todos sabem que Canaã é a tal terra que Deus prometeu a Abraão, onde os hebreus (judeus) viveriam bem, num lugar de leite e mel, etc, etc.

Olhando a História percebemos que os judeus estão quebrando o pau até hoje por essa tal terra prometida.

É pena que os judeus que fundaram Israel na década de 40 já tenham investido tanto naquele pedaço de deserto. Eu proporia para eles comprarem o semi-árido nordestino e algum litoral brasileiro. O Adolfo Sachsida uma vez sugeriu o Piauí. Seria ótimo. Teríamos um país invejável como vizinho e poderíamos usufruir muito bem disso. Sem contar que daria uma diminuída na coronelança nordestina.

Aliás, eu não sei pra que tantos estados lá no Nordeste. Poderiam dar uma anexada em alguns. O poder político da bancada nordestina no senado é desproporcional e atrasa o país.

Minha opinião sobre o conflito na faixa de Gaza é o que está no blog do Reinaldo Azevedo, do Rodrigo Constantino, da Nariz Gelado, do Gustavo Bezerra, do Fernando Sampaio, e por aí vai. Não preciso repetir o que os outros já disseram.

Lembrei-me de um som do Clash. Estão lá juntos um árabe e um judeu unidos para irem ao show da banda.

O clipe original está nesse link:
http://www.youtube.com/watch?v=OAkfHShATKY

Não consegui colocar aquela telinha aqui. O que vai abaixo é uma versão ao vivo com o ex-vocalista do Clash.

Eu voltei e o Welckeyshayney também

Fiquei dias sem escrever nada, eu sei, até ficaria mais um tempo, meu computador está um lixo eterno e minha conexão também não está boa, mas não pude deixar de dar esta noticia: achei o Welckeyshayney!

Para quem não se lembra, falei do Welckey..., vulgo Zé, há alguns posts atrás, sobre nomes improváveis. Eis que meu antigo colega ressurge no comentário falando que está em Rondônia, de volta as origens.

Bom, não posso ter certeza absoluta de que seja ele mesmo, mas como disse que ele achou meu blog quando procurou o nome dele no Google, então acredito que seja possível de ser ele mesmo.

Para tirar as dúvidas, Zé, peço que me passe seu e-mail, pode ser via comentário do blog ou mande-me no meu:

augustoaraujo_vet@ yahoo.com.br

Espero que você me escreva. Este mês teremos o casamento do nosso colega Fabrício, quem sabe você não vem para o casório reencontrar seus antigos comparsas.


Abraços!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mensagem

Pessoal, meu computador está no conserto há dias, por isso não atualizei o blog no fim de semana. Como já vai ser Natal e Ano-Novo, acho que só volto no ano que vem.

Boas festas a todos!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Documentação

Janer Cristaldo escreveu um ótimo livro-reportagem denominado: "Ianoblefe - o jornalismo como ficção". Ele está publicando trechos no seu blog, mas o livro pode ser inteiramente acessado na Net.

No decorrer dos dias, como nenhum cadáver havia sido achado, o número de chacinados foi diminuindo. Foi fixado finalmente em 16. A única prova da chacina foi... um dente, encontrado pela Polícia Federal e exibido em grandes fotos pela imprensa, na ponta do dedo de um policial. Em verdade, não foi encontrado um só cadáver.

Relato toda essa farsa em Ianoblefe - o jornalismo como ficção. O livro foi recusado por cerca de vinte editoras. "Não podemos nos indispor contra todos os jornais do país", resumiu um editor. Mas foi aceito pela Ebooksbrasil, tocada por Teotonio Simões, e pode ser baixado de http://www.ebooksbrasil.org. Recomendo.

Cadáveres, nenhum. Mas o juiz Catta Preta não tem dúvidas de que houve o massacre. Como prova do crime, aceitou laudos de antropólogos sobre os hábitos culturais dos ianomâmis ...

Os uaicás, xirianás, iecuanás, macus e maiongongues, segundo Menna Barreto — ou ianomâmis, como os rebatizou Andujar — têm hoje a posse de 9,4 milhões de hectares, uma extensão territorial que jamais conseguirão controlar.

Não bastasse esta imensidão de terras entregue por Collor de Mello a um punhado de seres primitivos, incapazes de constituir ou gerir um Estado, o presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de demarcar uma área ainda maior, de 10,6 milhões de hectares (território equivalente a Cuba) na região conhecida como Cabeça do Cachorro, no noroeste do Amazonas. A demarcação, feita com patrocínio do G-7 (grupo formado por EUA, Japão, Canadá, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália) revoga e engloba 14 "ilhas" descontínuas, criadas durante o governo Sarney (1985-90).

Antes da nova demarcação, as 14 "ilhas" tinham apenas 2,6 milhões de hectares. Esta Cuba será entregue a cerca de 30 mil índios, quase 10% da população indígena do Brasil, espalhados em 600 comunidades de 23 etnias, como baré, suriana, maku, baniwa e tucano, entre outras.

Detentores de 11% do território nacional, os 325 mil índios brasileiros se candidatam fortemente à condição de maiores latifundiários do planeta.

Ironicamente, habitam o mesmo país em que o Movimento dos Sem-terra (grupos armados de fuzis, foices e facões, organizados pela Igreja Católica) invade e desmonta propriedades produtivas, com técnicas de guerrilha e sob as bandeiras de Mao Tse Tung e Che Guevara.

Alegam os defensores dos “povos da floresta” que todo o território brasileiro lhes pertencia, antes da chegada dos portugueses. Ocorre que os nativos não pediram passaporte a Cabral, nem lhe exigiram visto de entrada. Ora, sem Estado constituído, povo algum pode pretender a posse de qualquer território.

Postos em quarentena pela antropologia militante, isolados deste século por uma política oficial de Brasília, uma merencória opção é deixada aos autóctones de Pindorama: morrer de fome ou depender da caridade pública. Integrar-se ao século XX, jamais: os antropólogos precisam preservar, congelados no tempo, seus objetos de estudo.

E assim prepara-se o Brasil para entrar no terceiro milênio. Deixando para trás, perdidos no passado, seus primeiros habitantes.

http://cristaldo.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

Contra toda mistificação!


Colapso Mental


Por: Anselmo Heidrich

Pois é... Jared Diamond (foto) escreveu um livrão que aponta a decadência de uma das ilhas do Pacífico por sua suposta hiper-exploração de recursos naturais.Engraçado como o mesmo não aconteceu com outras centenas de ilhas daquele oceano. Estranho criar uma regra a partir da exceção...

Jared Diamond e Thor Heyerdahl criaram o mito do colapso ambiental na Ilha de Páscoa.A tese é de que a super-exploração ao desmatar a ilha os impediu de obter matéria-prima para suas canoas e pesca. Consequentemente, a fome levou a guerra civil e ao canibalismo.

Na verdade, a coisa é bem mais simples do que tudo isto...Quando os europeus descobriram a ilha em 1722, com seus navios baleeiros em busca de água e alimento, também procuravam mulheres. As DSTs se disseminaram.Mais tarde, em 1805, a escuna americana Nancy raptou escravos; em 1862, foi a vez do Peru.

Após protestos internacionais, 100 sobreviventes foram repatriados e com eles, vieram a varíola e a maioria dos nativos morreu.Em 1870, europeus forçaram os nativos a entrar nos navios queimando suas plantações.

O Chile colocou os poucos nativos remanescentes num campo de concentração em 1888, após a anexação da ilha.Quando os holandeses aportaram por ali, em 1722, as choças nativas estavam cobertas com folhas de palmeira. Como, se não havia mais árvores no século XV, segundo Diamond?Embora Diamond diga que havia trimoras (árvores locais) no século XV, para construção de pequenas canoas, as estátuas ainda eram transportadas no século XIX.

Neste mesmo século houve epidemia de sarampo, o que não impedia os ilhéus de cultivarem bananas, batatas e cana-de-açúcar. A ilha ainda tinha lagos com solos ricos nas margens que nunca foram cultivados.

Ah... Mas, não tinham canoas para a pesca! O oficial da marinha americana W. S. Thomson que viveu por lá em 1890 relatou que as lagoas eram repletas de lagostas e caranguejos. Nas praias havia tartarugas marinhas, ou seja, ovos e carne. Entre os artefatos dos locais havia anzóis de pedra e osso, redes de pesca de amoreiras...

Adotavam as temporadas de pesca para evitar a pesca predatória.Nunca foi provada a existência de 3.000 ilhéus, como diz Diamond. E as guerras eram rotina, com ou sem fome.A única “prova” de canibalismo foi dada pelos missionários que precisavam arranjar uma boa justificativa para “salva-los da degradação”.

O “eco-colapso” de Diamond é história pra boi dormir quando sabemos que, de concreto, houve escravidão, sífilis, varíola, campos de concentração todos documentados.O problema da ilha nunca foi ecológico, mas puramente econômico.

Comento:
Lembram-se que escrevi um artigo chamado Rapa Nui, sobre a ilha de Páscoa e convergi para nossa questão indígena? Até então conhecia apenas a versão de Diamond que foi revertida em película pelo filme homônimo ao meu artigo.
Como penso que uma "função"da blogosfera vem sendo a desmistificação de uns conceitos massificados, então me deparei fazendo algo contrário ao que queria.
Agradeço ao Anselmo Heidrich por ter me alertado ao fato de Rapa Nui ter sido alvo de uma mistificação.
Diamond com sua teoria quis fazer um alerta ao próprio homem moderno: "Cuidem do planeta. Preservem os recursos naturais para a sociedade não ruir." Para ele Rapa Nui era o planeta Terra e nós éramos os aborígenes locais.
Diamond poderia pregar um desenvolvimento sustentável, mas sem proceder inverdades e deturpações que no fim só gerariam um sentimento anticapitalista e anti-progressso.
O cientista deu lugar ao pregador messiânico e cuspiu na ciência e na verdade. Isto que ocorreu foi uma forçação de barra de Diamond.
Contudo, no meu artigo, não acho que minha idéia central foi minada. Acho que o sistema de produção moderno permitiu nosso crecimento populacional e que continuamente temos que buscar um desenvolvimento sustentável.
Defender apenas o extrativismo coletor das antigas sociedades tribais seria uma opção, mas antes de tudo seria uma opção de morte para boa parte da humanidade. É só escolher. De que lado ficam os humanistas?

Como eram felizes

















Peguei a foto acima do blog dos jovens da aldeia Jaguapirú de Dourados. Talvez seja uma foto dos guarani do começo do século.

Qual era a expectativa de vida do homem há mais de 200 anos atrás? Uns 40, 50 anos.

Qual era a expectativa de vida do homem antes de domesticar animais para alimentação e de uma agricultura menos rudimentar? Acho que menos que 40 anos.

Pareciam fortes e bem nutridos? Havia sal na sua alimentação? Havia imprensa da época para noticiar a mortalidade infantil da época?

Abaixo uma foto dos joven indígenas universitários. Imagino que sejam os responsáveis pelo blog: http://ajindo.blogspot.com/

O que é melhor, tentar voltar para foto de cima ou optar pela foto abaixo?












Só faltou combinar com os índios

Recebido por e-mail:

"...os indios não querem ser inclusos em uma sociedade que não é a deles, eles querem continuar com sua cultura que desenvolveram nessa chão desde há muito tempo atrás..."

As fotos abaixo demonstram isso:








Ou melhor, esses caras aí estão fantasiados de índio. É a mesma coisa que eu na festa junina ir de caipira, os os alemães na Oktoberfest se vestirem com aqueles shorts e macacão e por aí vai.

Os antepassados destes caras foram de fato silvícolas, eles, agora, são brasileiros como nós e deveriam estar sob os mesmos direitos e deveres que todo mundo.

Repudio fortemente esta tal "dívida histórica".

Primeiro porque todos os povos do mundo em algum momento da história, tiveram enfrentamentos e atritos.

Segundo porque quem diz que eles estariam melhores hoje se não tivessem o contato com o não-índio?

Quanto vale 5 mil anos de conhecimento tecnológico? Qual é o preço dos royalties que deveríamos cobrar pela domesticação dos animais, pela agricultura de escala, pela água encanada, pelo fogão a gás, pela geladeira, pela luz elétrica, etc, etc.

Você acha pouco? Tente viver sem essa pequena lista que fiz acima.

Qual foi o primeiro desejo de Ingrid Betancourt após ser libertada das Farc?

"Um banheiro e uma ducha quente."



Preservem a cultura indígena. Mantenham o infanticídio. Resgatem o canibalismo.




Aqui está um vídeo que eu já havia assistido tempos atrás. Foi postado no Mídia Sem Máscara agora. Traz a história de Hakani, uma menina que foi enterrada viva pela sua tribo. Hakani é uma criança feliz hoje em dia, graças aos malvados não-preservacionistas culturais que não seguiram os preceitos tribais.

A primeira vez que vi foi no blog do ex-chefe da Funai, Mércio Gomes. Ele realmente pediu que se punissem os realizadores do vídeo. Absurdo.

Para saber mais acessem:

http://www.hakani.org/pt/

domingo, 7 de dezembro de 2008

Resposta ao sr. Iuri Munareto


Finalmente o assunto que eu queria ter tratado já na semana passada. Googleando as referências ao meu último artigo, publicado pelo Correio do Estado, descobri que o sr. Elo Ramiro Loef o enviou à um site de Chapadão do Sul. Agradeço a ele, meus artigos estão disponíveis desde que citadas a fonte (eu!).

Um rapaz de nome Iuri me contrapôs. Sei que é um rapaz porque ele é estudante de Ciências Sociais e mais recentemente de Arquitetura. Bom, já que Egon Heck e Mieceslau Kudlavicz não emitiram nenhuma resposta aos artigos que os citei – por favor, não falem que eles são cagões – pelo menos o estudante se propôs em argumentar o texto.

Houve também a opinião do agrônomo Francisco Cezar Dias, que teceu comentários sobre meu texto e à crítica de Iuri, este por sua vez também o respondeu. A seqüência está linkada abaixo pra quem quiser ver.

Bom ,então lá vou eu responder ao Iuri, um auto-proclamado anarco-comunista (!?) - também vi na Net. Fiz um desafio de um debate, pode ser na UFMS. Se aceitar fica para o ano que vem.

Este post é longo, mas necessário.

É lastimável o simplório texto "A valentia dos Vermelhos",

Ele tem todo direito de considerar lastimável por não concordar com a mensagem do mesmo, mas daí a classificar o texto de “simplório” requereria alguma justificativa para isso. Como aluno de Ciências Sociais ele deveria se alegrar de ler os nomes de Hegel e Marcuse, entre outras coisas, citados num artigo não acadêmico.

Na verdade não passa de uma tentativa de desqualificação barata e ordinária, mas muito utilizada por esta turma.

lastimável, porém não surpreendente, em um estado essencialmente agrário,

A economia do estado já está mais diversificada, mas realmente é calcada na agropecuária e qual o problema? Prefereria morar num deserto ou num local altamente industrializado? Alguém está te segurando aqui?

Talvez a demarcação indígena seria aceita com mais entusiasmo se fosse proposta no Rio de Janeiro ou São Paulo, que também foram habitadas por índios no passado.

aonde um boi possui aproximadamente sete hectares de terra, e um ser humano de etnia indígena apenas três.

Afirmação completamente errada, ou seja, é uma mentira. Numa pecuária tradicional utiliza-se 1 cabeça por hectare, a depender se é boi, vaca, novilho, bezerros, etc. Numa média geral temos 0,7 Unidades Animais por hectare de pasto, o que daria 1,4 hectares para cada boi (considerando um animal de 450 quilos de peso vivo)

Quanto ao ser humano de etnia indígena possuir apenas três hectares. Muita calma nessa hora. Analisemos alguns dados:

- mais de 12% do território nacional é área indígena, isto para uma população muito menor do que a branca.

- No estado temos reservas como a Kadiwéu com mais de 500 mil hectares, onde moram cerca de 1500 indígenas e também temos a reserva Jaguapirú com pouco mais de 3000 hectares e com 11 mil moradores.

A reserva Jaguapirú, já é quase um distrito ou um grande bairro de Dourados, dada a sua proximidade com a cidade.

Dizem que há cerca de 40 mil indígenas no estado. Não sei a área exata de todas reservas indígenas do MS, mas utilizando-se apenas os dados das duas reservas acima chegamos a mais de 12 hectares por indígena no estado. Como vimos o sr. Iuri novamente fez uma afirmação falsa.

Há um problema de adensamento em reservas do sul do estado, sem dúvida, e isto se resolve de duas maneiras:

- Ou os índios optam por um padrão de vida que era usado há uns 5 mil anos atrás, quando não havia domesticação e criação de animais e nem uma agricultura que não fosse essencialmente de subsistência e passam a ser coletores da natureza; mas para isso deveriam ser realocados para regiões longínquas como a Amazônica.

- Ou se adaptam ao modo de vida que permitiu o crescimento populacional da Humanidade em alguns bilhões de pessoas, coisa que seria inviável num sistema de simples extrativismo natural.

Por último: não considero ser procedente a comparação entre bovinos e indígenas. Quantos hectares são disponíveis para um “ser humano” japonês dentro do seu país? Fosse apenas terra o necessário para felicidade, o homem deveria ser muito mais feliz há centenas de anos atrás, quando a população mundial era pequena e sobrava terra, mas tal coisa é irreal.



Como o próprio Iuri deixou claro, o boi é um animal, o índio é um ser humano. Afirmar que o índio só pode sobreviver se tiver terra é que é um preconceito do Iuri, pois estaria outorgando que o índio não tem capacidade de aprender novas funções, que não tem capacidade de ler, escrever, utilizar computadores, ser um professor, se qualificar profissionalmente. Pensando como o Iuri, estaríamos alijando o índio de seus direitos de cidadão.

Essa crítica de fazendeiros à tentativa de demarcação por estudiosos da antropologia é uma afronta ao nosso humilde intelecto;

Ah é? Parece que sua vontade é que os fazendeiros não teçam críticas, deveriam se calar e aceitar passivamente a situação. Esta é a democracia de um lado só. Compreendo, muito típico da claque do Iuri.

querem falar na questão alimentícia, mas incentivam ao máximo o plantio de cana,

Aí depende, têm muita gente do meio rural, os mais tradicionalistas até, que não gostam da cultura da cana. Dizem que exaure o solo, em determinadas épocas utiliza muita mão-de-obra externa que pode trazer à região pessoas de má índole e, talvez o pior, a queima da cana para a colheita não é vista como algo salutar.

Agora há os que por razões econômicas apóiam a cultura da cana. Ela é uma grande geradora de divisas e investimentos, sendo que seus incentivadores não são apenas os proprietários rurais, mas sim políticos interessados em aumento de verbas e também os próprios trabalhadores que terão maior oferta de emprego.

eu não sei quanto à vocês, mas não lembro de cana ser um alimento recomendável em grandes quantias;

Seguindo esta lógica então não deveria haver plantações de eucalipto, pois ninguém come eucalipto. Mas com certeza a produção de celulose para papel, vigamentos para construção civil e tantas outras utilidades da madeira ficariam inviabilizadas.

Com certeza que a produção de alimentos é algo nobre e deve ser respaldada, mas ela não é a única utilidade da terra. A cana de açúcar gera vários produtos. Açúcar, cachaça, álcool para desinfecção hospitalar e o badalado etanol que serve como bio-combustível.

enquanto essa comparação aos índios americanos \"donos de cassinos\" é simplesmente digna de risos, sugiro ao autor do texto um pouco mais de estudo e menos preconceito.

Sugiro um pouco mais de estudo a você. Procure se informar quem é o dono da rede Hard Rock Café dos EUA.



E onde está o preconceito que você falou? Fui preconceituso em relatar que os índios americanos são donos de cassinos? Mais uma acusação infundada.

Se seus antepassados fossem brutalmente assassinados, escravizados, aniquilados e sua cultura da mesma forma tivesse ido junto como se sentiria??

Aqui pinta-se o tradicional quadro do vitimismo indígena. Seguindo essa pressuposição Americanos e Japoneses deveriam viver às turras. Um atacou o outro de surpresa e sem uma justificativa relevante e o outro meteu duas bombas atômicas no território do então inimigo.

Volto. Acontece que os índios no Brasil não viviam em nenhum paraíso idílico. A luta pela sobrevivência era árdua e haviam muitas guerras entre as diversas etnias. Os próprios guaranis eram conhecidos como índios guerreiros que subjugavam outras tribos. Aliás, “guarani” significa “guerreiro”.

Como lembra Waren Dean, em seu livro "A Ferro e Fogo - A história da Floresta Atlântica do Brasil" (Editora Companhia da Letras, 1994), tanto os tupis como os guaranis foram tribos que faziam poucos séculos, na época em que os portugueses descobriram o Brasil, que invadiram a região e desalojaram outras tribos indígenas, cuja história perdeu-se na poeira dos tempos.

Os índios daqui não foram brutalmente assassinados. Houveram conflitos, sem dúvida, mas de uma maneira geral no atual Mato Grosso do Sul, o contato entre não-índios e índios é um dos mais pacíficos ocorridos na História da humanidade.

Quanto ao escravagismo também é falso. A colonização do nosso estado já se deu em um momento de término da escravidão e os índios nunca tiveram índole para serem escravos.

Aliás, sr. Iuri, a palavra “escravo” em inglês é “slave” que proveio de “eslavos”. Tal fato se deu porque os vikings escravizaram os vizinhos eslavos do leste europeu.

Os índios daqui do Estado não foram aniquilados, tanto é que aí estão nas reservas, cidades, título de eleitor na mão, etc.

Quanto à cultura cito Kwame Anthony Appiah: “Uma cultura só tem importância se for boa para os indivíduos”.)

Os índios andavam nús e descalços pelas matas. Faziam suas necessidades em ambiente aberto. Entre algumas etnias (estas sim foram aniquiladas, os tupinambás) havia o costume da antropofagia, ou seja, canibalismo. Comiam os animais que conseguiam caçar, macacos, pacas, capivaras, em geral sem nem retirar os pêlos assando o animal por inteiro num braseiro. A agricultura era rudimentar e de subsistência. Eram essencialmente coletores.

Resta saber qual cultura os atuais indígenas gostariam de manter. Alguns hábitos que considerarem úteis, conhecimentos empíricos adquiridos com séculos de vivência no local, podem ser mantidos, mas o que não julgarem de relevância pode ser deixado de lado. Quem deve decidir isto são eles.

Temos que nos lembrar que os índios daqui eram ágrafos, não escreviam, não registravam os acontecimentos, havia apenas a tradição oral.

A verdade é que os índios do atual MS estavam num estágio de evolução tecnológica de alguns milhares de anos de atraso em relação aos que aqui chegaram depois. Isto não é problema, a humanidade só evoluiu graças às trocas voluntárias ocorridas entre as diversas culturas, propiciadas pelas sociedades abertas. O errado é se proceder um tal preservacionismo cultural obtuso em detrimento da livre escolha das pessoas, no caso os índios.

Iuri transpõe a luta de classes de Marx, para a luta de etnias (índios e não-indios), mas simplesmente fazendo generalizações simplistas e omitindo informações. Bem ao estilo do que fazia o citado autor alemão.

E para finalizar cito a questão do latifúndio... latifúndio é atraso sim senhor, todo país considerado desenvolvido não usa mais essa prática retrógrada. Suíça, Alemanha, Holanda, ué, mas são todos paises minúsculos, alguém poderá dizer. Então eu lembro também dos Estados Unidos e do Canadá, países maiores territorialmente que o nosso e que também não utilizam a prática do latifúndio.

Outra falácia repetida ad nauseum. Primeiro porque Iuri não sabe o que é latifúndio e segundo porque os eventuais latifúndios dos pioneiros e as grandes áreas de terra contribuíram para a convivência apaziguada entre índios e não-índios.

Ao primeiro:

Latifúndio é uma área de terras 600 vezes superior à um módulo rural. No sul do estado corresponderia a uma fazenda com 12 mil hectares de área. Praticamente não há mais latifúndio naquela região. E mesmo os que houverem não são problema, desde que legitimados e auferidos de maneira legal.

Se considerarmos o tempo de colonização do nosso estado com os de países europeus e mesmo americanos que Iuri citou, também poderemos saber a razão da diferença entre o tamanho das propriedades rurais. No estado de São Paulo a média das propriedades rurais é quase de padrão europeu, e não por alguma suposta reforma agrária, mas simplesmente pelo tempo de colonização.



A média das propriedades rurais nos EUA, Canadá e Brasil não diferem muito. Não estou de posse de dados oficiais mas segundo pronunciamento em assembéia legislativa do Rio Grande do Sul, o deputado Rubens Pillar do PPB, citou que o tamanho médio das propriedades no Brasil é 64 hectares; nos Estados Unidos, 190 hectares e no Canadá, 242 hectares.


Quanto ao índice GINE que mede a concentração de terras, o Brasil apresenta o valor de 0, 802, sendo o 9º lugar nas Américas.

Quanto ao que falei sobre a inicial grande propriedade no Mato Grosso do Sul ter propiciado menos conflitos, basta compararmos com o que ocorreu nos Estados Unidos.

Após o governo dos EUA promover o Homestead Act que doava 160 acres, o equivalente a 64 hectares de terra, a cada família de colono houve uma intensa migração de pessoas para regiões até então habitadas unicamente por indígenas. A corrida para o Oeste promoveu um conflito entre os recém-chegados e os indígenas do local. Houve muito derramamento de sangue nos EUA.

Já no Brasil a colonização foi muito mais paulatina, a princípio com as grandes propriedades, principalmente porque poucas pessoas se dispunham em enfrentar as dificuldades de uma região tão desprovida de recursos como era o velho Mato Grosso do século 19. O que acontecia é que havia muita terra, tanto para índios quanto para não-índios e a convivência foi em sua maioria pacífica.

Hoje professores universitários de suas cátedras se sentem confortáveis em criticar a colonização inicial do nosso estado, mas se esquecem que se não fosse a coragem e determinação dos pioneiros que aqui chegaram de carro de boi, atualmente não haveriam bibliotecas nem salas de aula com ar condicionado para eles proferirem suas palavras.

Da resposta ao agrônomo Francisco:

Só para tentar esclarecer, as terras que estão sendo estudadas por antropólogos, tem o objetivo de devolvê-las aos seus verdadeiros donos, que por grileiros, foram tomadas há alguns anos atrás, ou seja, cadê a justiça cobrada por vocês?? não a vejo nesse caso.



Aquelas terras não foram tomadas por grileiros, foram tituladas pelo estado brasileiro após a guerra do Paraguai. As reservas demarcadas pelo antigo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) foram respeitadas e em alguns casos houve realocamento dos índios.

Por exemplo a aldeia de Dourados tem mais densidade populacional que a cidade de Dourados, e necessita de terra, Mato grosso do sul (sic) é o segundo estado que mais se reside povo de etnia indígena (sic)

Aldeias que no início contavam com 400 pessoas e hoje tem mais de 11 mil. O aumento populacional foi pelo crescimento vegetativo dos indígenas locais (cadê o tal genocídio?) e de indígenas de outras localidades que foram para lá, atraídos pelos recursos da cidade em detrimento da felicidade idílica da floresta virgem, que só existe na cabeça de alguns românticos que nunca andaram nús dependendo da caça e pesca para se alimentar.

E a medida que vai aumentando a população indígena, então a solução é ir aumentando as reservas? Depois de todas as terras brasileiras virarem reserva indígena (mais de 12% do país já é) teremos que guerrear com os vizinhos em busca de mais áreas para resolver os problemas da nossa questão indígena, lógico que tudo movido por necessidades humanistas.



Finalizando:

Yuri, ponho-me à disposição para um debate sobre o assunto, ou mesmo alguma variante dele. Entenda como um desafio, se aceitar fica para o ano que vem, de preferência na UFMS.



Meu artigo:
http://www.jovemsulnews.com.br/user/index.php?id=36528

Comentário do Iuri:
http://www.jovemsulnews.com.br/user/index.php?id=36561

Comentário do Francisco Cezar:
http://www.jovemsulnews.com.br/user/index.php?id=36620

Segundo comentário do Iuri:
http://www.jovemsulnews.com.br/user/index.php?id=36627

História da língua Tupi, e mais

Este texto é muito interessante, utilizei-o como subsídio para o post acima:

Como lembra Waren Dean, em seu livro "A Ferro e Fogo- A história da Floresta Atlântica do Brasil" (Editora Companhia da Letras, 1994), tanto os tupis como os guaranis foram tribos que faziam poucos séculos, na época em que os portugueses descobriram o Brasil, que invadiram a região e desalojaram outras tribos indígenas, cuja história perdeu-se na poeira dos tempos.

A palavra "Tupi" significa "o grande pai" ou "líder". Ora, os "tupis" achavam-se os máximos tanto que chamavam a si mesmos de "tupis". Já "Guarani" significa "guerreiro". Os tupis, os primeiros contactados pelos portugueses quando iniciaram sua colonização no Brasil, dividiam-se em várias tribos cujos nomes registrados pela história são como elas mesmos chamavam-se ou como seus inimigos apelidaram-nas

...

Oito anos antes da invasão francesa, apareceu no Brasil um alemão chamado Hans Staden, cujas aventuras poderiam inspirar um belo filme de ação nas mãos de um Steven Spielberg ou de algum talentoso cineasta (se botar na mão de brasileiro, vira "suruba"- Aliás, "suruba" é uma palavra do tupi-guarani que significa "bom", bem diferente do significado que possui hoje no português brasileiro). (Aliás, mais uma notinha. O falecido ex-presidente da república, Jânio Quadros, quando se candidatou a prefeito de São Paulo em 1982, usava como slogan de sua campanha política- "Este é suruba". Teve gente que não entendeu e pensou "naquilo", o que valeu uma reportagem da revista Veja explicando que "suruba" significava apenas "bom").


He, he, esta da suruba foi engraçada.

-Como estão as coisas aí?

-Ah, tá suruba.

A história de Hans Staden (verídica) que quase virou churrasco também é ótima.

E para economizar a googleada, vejam quem são os donos da Hard Rock Cafe:

http://www.jt.com.br/editorias/2006/12/08/int-1.94.6.20061208.1.1.xml

13 razões para ser contra a carcinicultura


Com o objetivo de denunciar a atividade de cultivo de camarão em cativeiro, movimentos sociais, fóruns, redes e articulações lançam nota que explicita 13 razões para dizer NÃO à carcinicultura.

Porque a carcinicultura...
Eles não são contra só a carcinicultura, são contra a bovinocultura de corte ou leite, são contra a suinocultura, a avicultura, a sojicultura, afinal, são contra qualquer tipo de cultura.
Se alguma destas 13 razões (que número sugestivo, hein) tiver alguma procedência, há que se perguntar, "Mas não há alguma forma de melhorar isto? O extrativismo é a únca maneira de se proceder a produção de camarão?"
Notem também os motivos ideológicos em questão, "7 - Agrava o racismo ambiental..." !?

Vovó Rambo da Austrália



A delicada vovó Ava Estelle, de 81 anos, ficou tão chocada quando dois delinqüentes estupraram sua neta de 18 anos que ela conseguiu localizar os desavisados ex-condenados - e os baleou nos testículos."


A velha senhora passou uma semana caçando esses homens - e quando os encontrou vingou-se desta forma inusitada", disse Evan Delp, investigador da polícia de Melbourne. Em seguida ela tomou um taxi, foi até a delegacia de polícia mais próxima, colocou a arma no balcão do sargento de plantão e lhe disse, com toda a calma:

"Por Deus, esses bastardos não vão estuprar mais ninguém!"...

...Vovó Rambo entrou em ação em 21 de agosto, após sua neta Debbie ter sido agarrada e violentada em plena luz do dia pelos dois bandidos armados de facas. "Quando vi a expressão no rosto da minha Debbie, aquela noite no hospital, decidi que sairia sozinha atrás daqueles bastardos porque imaginei que a lei seria branda com eles", relatou a bibliotecária aposentada.

"E eu não estava com medo deles porque eu tinha um revólver e tinha atirado durante toda a vida. E não fui tonta de devolvê-lo quando a lei mudou a respeito de possuir um." ...

...Agora, especialistas perplexos tentam imaginar exatamente o que fazer com a vovó vigilante. "O que ela fez está errado e ela infringiu a lei, mas é difícil mandar uma velha senhora de 81 anos para a cadeia" - disse o investigador Delp - "Especialmente quando 3 milhões de pessoas na cidade querem nomeá-la prefeito."



Comento:

Parabéns para dona Ava, o que ela fez foi arriscado, poderia acabar em morte, mas se fosse a morte dos dois malacos, surfistas de esgoto, ela estaria fazendo um bem para a Humanidade.

Perceberam o que ela disse: "A justiça seria branda com eles", "Atirei a vida inteira e não fui tonta de devolver a arma quando mudou a lei a respeito da posse de armas."

A vovó personificou literalmente o slogan do Aluizio Amorim em terras estrageiras, então é:

"FIRE IN THE BOTOCUDS!!!"