segunda-feira, 9 de março de 2009

Férias prolongadas


Pessoal, vou ficar um tempo sem escrever ou postar nada por aqui. Era pra ter escrito isso logo após o carnaval. Passou o fim de semana e eu iria deixar para o próximo, mas resolvi falar isso hoje mesmo.

Ainda houveram alguns assuntos ou respostas que não postei aqui. Complementei com alguns textos do Fernando Sampaio (blog do Alma), mas faltou uma resposta à um texto do Egon Heck, lá no site dos dinos. Paciência, talvez no futuro eu volte a comentar.

Quanto à questão demarcatória estamos na iminência de novas ações. Espero que os representantes saibam se articular e tenham lucidez. Eu não vou descarregar outra enxurrada de artigos sobre o assunto.

Tenho uma data prevista para postar novamente. Daqui a 6 meses. Isto mesmo, vou ficar 6 meses sem postar nada por aqui. Atualizei os links e espero que meus 6 a 20 leitores habituais possam entrar no blog como facilitador do acesso às leituras.

E agradeço a vocês que me acompanharam nestes 21 meses de blog.

Provavelmente voltarei com uns artigos finais para fechar um ciclo. Aí, também provavelmente, não voltarei a postar na constância que vinha fazendo.

Ou seja, depois de publicar estes artigos, uns 5, planejo apenas escrever mais alguns depoimentos pessoais e ces`t fini, deixarei a blogosfera aos profissionais e aos que realmente têm vocação para coisa.

Já anuncio isto logo, para não ficar encordoando outros assuntos que com certeza surgirão. É quase impossível dar uma opinião sobre tudo que pensamos. Aos assuntos de relevância mesmo, então me alivio sabendo que as pessoas que estão nos meus links podem fazer isso.

Então, se quiserem usar este espaço como caminho para os links, beleza, mas assunto novo, aqui não haverá.

Um grande abraço, boa sorte e fiquem com Deus!

Como queríamos demonstrar

Uma vez postei aqui um depoimento do Nemerson Lavoura. Agora vai este com dados concretos. Ah, é do assunto de sempre. Engraçado que já ouvi esta história do "pensamento único" dita pelos adeptos do..."pensamento único".

Aquele tal de Fukuyama realmente despertou um ódio visceral nas viúvas do Muro. Ele sempre é citado com raiva. Será que foi mesmo lido?

"Augusto, porque você se importa com isso?". Porque eles sempre me encheram o saco, é por isso.



Alguns dias atrás um visitante desse blog deixou um comentário, me recomendando a leitura de uma entrevista no site da UESC. O site estava fora do ar, e só hoje me toquei de ir ler.Pois bem, a entrevistada era Márcia Rosely, do PC do B, conhecidíssima nos meios políticos da Universidade.

Me abstenho de comentar toda a entrevista, mas somente um trecho, exemplificativo do que venho falando e criticando há muito tempo:

"Udo/Web – E quais os desafios para o ensino superior na atual conjuntura?

Márcia Rosely – A Universidade brasileira viveu um momento muito difícil. O pensamento neoliberal, além de sucatear as Universidades Públicas, sufocou o debate político durante vários anos. O chamado pensamento único contribuiu para a crise da produção teórica. "

Eu esfreguei os meus olhos. "Cuméquié? Eu levei 5 anos numa Universidade com hegemonia do pensamento neoliberal e não percebi?"

Parto da premissa de que não há ideologia sem ideólogos. Para atingir a hegemonia, a ponto de gerar "pensamento único" e "sufocar o debate", imagino que a literatura liberal deva ser dominante, ao menos na biblioteca. É o mínimo que se espera.

Fiz uma comparação da quantidade de livros/referência de autores marxistas (ou esquerdistas) e não marxistas no site da Biblioteca:

Adam Smith: 8 referências
Karl Marx: 66 referências

Olavo de Carvalho: 1 referência
Antônio Gramsci: 33 referências

Friedrich Hayek: 1 referência
Lênin: 36 referências

Aristóteles: 38 referências
Paulo Freire: 100 referências

Milton Friedman: 5 referências
Emir Sader: 15 referências

"O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano": 0 exemplares
"As veias abertas da América Latina": 10 exemplares

Paulo Ferreira da Cunha: 0 referências
Boaventura Sousa Santos: 7 referências

José Guilherme Merquior: 7 referências (0 para o livro dele sobre Foucault)
Michel Foucault: 36 referências

Roberto Campos: 4 livros
Celso Furtado: 31 referências

Paul Johnson: 0 referências
Eric Hobsbawm: 14 referências

George Orwell*: 4 referências
Bertolt Brecht: 10 referências

Raymond Aron: 5 referências
Florestan Fernandes: 28 referências

Julián Marías: 6 referências
Marilena Chauí: 26 referências

Editora Instituto Liberal: 0 referências
Editora Paz e Terra: 234 referências

Vêem a completa distorção? A literatura filomarxista é francamente majoritária na Universidade e vem gente reclamar de "hegemonia neoliberal"!

Como, porca misera, pode haver "hegemonia neoliberal, que contribuiu para a crise da produção teórica", se o grosso da produção teórica tombada na biblioteca da UESC é francamente antiliberal?

Como pode o "neoliberalismo" ser hegemônico e, ao mesmo tempo, não redundar em referências em quantidade relevante na Biblioteca?

E mais, não há quase nenhum dos livros mais importantes do liberalismo ou "da direita": "Capitalismo e Liberdade", de Friedman, só posui 1 exemplar, na seção reserva. "A riqueza das nações", de Adam Smith, também não possui nenhum exemplar para empréstimo domiciliar. "O caminho da servidão", de Hayek, inexiste.

Paul Johnson, que desmascarou Marx no seu "Os Intelectuais", também não possui uma única obra aqui. Ludwig von Mises, que provou que o comunismo é tecnicamente impossível, também não dá as caras na UESC.

Outros nomes (não necessariamente liberais):
Ortega y Gasset - 2 obras(nenhuma para empréstimo domiciliar);
Eugen von Bohm-Bawërk - 1 livro (dois exemplares, somente um para empréstimo);
Eric Voegelin - 0 referências;
Michel Villey - 0 referências;
Jean-François Revel - 0 referências;
Guy Sorman - 1 referência;
Thomas Sowell - 0 referências;
Jagdish Bhagwatti - 1 referência;
Allan Bloom - 0 referências.....

Aí sabe o que acontece? Começam as aulas, os militantezinhos começam a engabelar os calouros com esse papo, e todo mundo leva cinco anos numa universidade, recebendo marxismo güela abaixo, crente e abafando que está sendo sufocando pelo pensamento único neoliberal.

E saem repetindo esse discurso, sem nem ao menos verificar e se tocar que isso é pura propaganda.

A explicação está em Gramsci. Na busca pela hegemonia a esquerda se faz de vítima até quando está em vantagem.

O fato de existirem meia dúzia de livros "de direita" soterrados por toneladas de filo ou criptomarxismo já é um fato inaceitável para os gauches, sinal de hegemonia Capitalista, que deve ser superada.

Ou seja, só vão sossegar quando não houver mais resquício de liberalismo e conservadorismo nas Universidades.E assim se produz a crise da cultura, e se toma a sociedade de assalto.

* Orwell não é liberal, tampouco capitalista. Ele era um socialista moderado, que está presente para servir de contraponto ao stalinista Brecht, o qual possui suas obras completas na biblioteca, ao passo que, de Orwell, está presente "A revolução dos bichos", mas ausente "1984".

**Obviamente esta lista não se esgota. Existem outros nomes, títulos e editoras, de lado a lado, que eu não chequei. Mas, querendo, basta procurar nos sites das bibliotecas. Ponho meu dedo mindinho no torno se em alguma Universidade Pública os "reacionários" suplantem os "progressistas".

http://caxassafilosofal.blogspot.com/2008/02/quod-erat-demonstrandum.html

Sobre o que não escrevi

Foram assuntos aos quais não abordei diretamente, e que acho que devia tê-lo feito. Ainda bem que teve quem o fez.

O primeiro é sobre o filme Terra Vermelha, que foi rodado em Dourados - MS. Assisti juntamente com o Fernando Sampaio, como não pude escrever nada melhor do que ele mesmo escreveu, então vai o texto dele.

O segundo assunto é sobre o assassinato de um jovem fazendeiro no norte do país. Incrivelmente saiu primeiro na mídia internacional do que aqui. Por que será? É algum pecado atribuir crimes aos "bons selvagens"?

Vai de novo o Fernando Sampaio.

Terra Vermelha

...No entanto, o que parece ser um discurso a favor da demarcação de terras indígenas como propõem a FUNAI e alguns antropólogos de miolo mole metidos a Rousseau, mostra na verdade o beco sem saída em que a política indigenista se encontra hoje.Os índios já sabem o que é civilização, querem celulares, tênis, motos, um freezer.

No filme, os jovens índios que tentam caçar para comer, só acabam caçando mesmo é um boi do fazendeiro.A vida idílica de caça e pesca na floresta só existe mesmo na cabeça dos já supra citados antropólogos de miolo mole. É impossível isolar os índios em reservas imensas como se estivessem em um zoológico para gringos tirarem fotos. A única saída que eles tem dali é o suicídio.

O maior mal dos índios hoje é a falta de perspectivas. E o que dá perspectiva ao caboclo brasileiro é, como diz aquela música, numa mão educação, na outra dinheiro.A FUNAI deveria se preocupar em dar educação àqueles que ela pretende proteger em vez de se preocupar em demarcar mais terras do que os índios já tem.E os índios deveriam aprender como usar suas terras para produzir riqueza.

Embora crucificado pelos indigenistas e ambientalistas, o agronegócio é a força motriz da economia do interior do Mato Grosso do Sul e mesmo do interior do Brasil. E, como provou Cláudio Moura e Castro em sua coluna na VEJA, educação e agronegócio andam juntos onde quer que se olhe neste país.Os índios não querem?Bem eles não tem muita escolha ao menos que o resto da população brasileira decida embarcar nas caravelas de volta ao velho continente.

Os índios podem hoje escolher entre se integrar à vida social e econômica do país ou ao suicídio na floresta. Eu acho a primeira alternativa melhor. Pode parecer que não, mas os humanistas como Bechis e a FUNAI acham a segunda alternativa melhor.

http://deslumieres.blogspot.com/2008/12/terra-vermelha.html


Os bons canibais

Quatro índios Kulina conhecidos como Gracinho, Messias, Tucumã e Macaquinho mataram, esquartejaram e comeram parte das vísceras do fazendeiro Océlio Alves de Carvalho de 21 anos, com quem tinham reconhecidamente boas relações.

A história saiu na CNN antes de ser conhecida por aqui, vá saber a razão.

Agora os meigos e bons selvagens fugiram para o mato, e pela legislação a PM e a Polícia Civil não podem entrar na aldeia para investigar nada. Ou seja, nada vai acontecer com os criminosos.

Ah, não pode chamar de criminoso. Algum antropólogo desses que defendem os povos da floresta provavelmente dirá que é parte da cultura lá deles que precisa ser respeitada. Afinal Hans Staden já descrevia canibais no Brasil lá pelo século XVI...

O fato é que há territórios no Brasil onde nosso Estado não vale nada. Agora quem mora ali naquelas bandas se pergunta: quem poderá nos defender? O Chapolin Colorado?

Seja nas favelas cariocas, nas reservas indígenas ou nos assentamentos do MST, o que acontece lá dentro só Deus sabe. E criminosos, senhores absolutos de seus territórios e autores das próprias leis são protegidos pela ausência do Estado, e pela conivência de ONG's e movimentos sociais.

http://deslumieres.blogspot.com/2009/02/os-bons-canibais.html

domingo, 8 de março de 2009

Novos links


Atualizei minha lista de links. Fica mais fácil para mim mesmo. Até iria comentar algo, mas vou deixar que vejam por conta própria.
Por hoje é só. Boa leitura.

terça-feira, 3 de março de 2009

Benicio del Burro e o Bufão

As coisas vão ficando mais claras. Leiam abaixo:

O ator Benicio del Toro, vencedor do Oscar, estará na noite desta segunda-feira com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, para uma exibição do filme "Che", na qual interpreta o ícone latino-americano Ernesto Guevara.

O ator portorriquenho viajou a Venezuela para assistir a uma exibição popular gratuita do filme, dirigido por Steven Soderbergh.

Um porta-voz da prefeitura de Caracas, responsável pela visita do ator, disse à Reuters que Del Toro assistirá a uma exibição privada do filme junto ao líder esquerdista, que reivindica a figura de "Che" Guevara em muitos de seus discursos.

Depois, os dois deverão discutir sobre a produção que relata a vida do guerrilheiro, alvo de elogios e críticas.

Benicio del Toro conquistou o Oscar em 2000 por sua participação no filme "Traffic". Além disso, venceu o prêmio espanhol Goya por sua atuação em "Che, o argentino", a primeira premiação do filme de Soderbergh antes de seu reconhecimento no prestigiado festival de Cannes.

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/03/02/ator-benicio-del-toro-mostrara-hugo-chavez-seu-filme-che-754657383.asp

Comento:

Beleza, agora sim o Benício del Asno está se juntando com o pessoal certo e não com aquela cubana reaça que o humilhou publicamente. Quem sabe, lambendo as botas do bufão, ele não consegue uma verbinha para um novo filme?

Em qual país mais ele pode ir mostrar seu filme? Talvez na Coréia do Norte pro Kin Jon-Il, ou pro Robert Mugabe no Zimbábue, ou..., ou ..., ou por essas Repúblicas bananeiras e populistas da América do Sul mesmo.

Esclarecimentos

Quem assistiu o Jornal Nacional de ontem ficou com a impressão de que Tarso Genro foi muito bonzinho com os cubanos. "Quem quis ficar, ficou. Quem quis voltar, como os pugilistas, voltou." . Afinal, Erislandy Lara disse que não pediu asilo e que o próprio presidente Lula foi falar com eles oferecendo ajuda.

Acontece que o próprio Lara havia falado ao Estadão que queria ficar no Brasil e não deram a ele esta oportunidade. Quanto à conversa com o presidente Lulla, até isto o planalto desmente. Ou seja, há algo de muito falso em tudo isso.

Particularmente penso que Lara foi orientado a "limpar a barra" das autoridades brasileiras neste caso. Lembremos que sua família continua em Cuba sob os ditames do castrismo. Pode ser que eu esteja errado, mas esta história não deixa de ser controversa.

Há aqui um comentário do Reinaldo Azevedo sobre isso, logo abaixo de um link de uma matéria do Estadão que afirma que Lara queria ficar no Brasil.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090130/not_imp315452,0.php

Ah, não sou assim uma Edith Piaf, hehe, mas tenho de cantar: “Non, je ne regrette rien...” Qual é? Essa gente surtou?

Os petralhas agora deram para cobrar de mim que peça desculpas a Tarso Genro porque um dos pugilistas cubanos disse que o próprio Lula lhe ofereceu refúgio, mas que ele recusou etc e tal.

Mas esperem: o próprio Planalto nega que tal conversa tenha existido. Por que eu pediria desculpas?

1 – os pugilistas tinham entrado legalmente no Brasil e aqui estavam em situação legal; não obstante, foram caçados pela Polícia Federal de Tarso Genro;

2 –segundo Felipe Pérez Roque, chanceler de Cuba, o próprio Coma Andante falou com uma autoridade brasileira (com quem? com quem?) pedindo, digamos, ajuda para, digamos, localizar os, digamos, fugitivos...

3 – mesmo sem nada dever às leis brasileiras, os dois pugilistas foram PRESOS. Sim, eles foram PRESOS, uma vez que não podiam mais se locomover livremente;

4 – foram proibidos de falar com a imprensa e metidos num avião enviado por Hugo Chávez;

5 – foram lavrados atos de DEPORTAÇÃO, o que é um absurdo, uma vez que, reitero, estavam aqui em situação legal. Poderiam, no máximo, ser repatriados;

6 – ah, claro, eles queriam voltar para Cuba, não é? Tanto é assim que, em vez de pedir ajuda ao governo brasileiro, escondiam-se dele numa pousada. Onde essa gente teve aula de lógica?;

7 – pugilistas cubanos são mesmo seres esquisitos: poderiam ter aceitado, então, a oferta do Apedeuta e, em segurança, escolher o seu destino. Mas não! Preferiram voltar a Cuba para arriscar a vida fugindo numa lancha...

EU? PEDIR DESCULPAS A TARSO GENRO? MAS EU ME ORGULHO DE TUDO O QUE ESCREVI A RESPEITO E NÃO ME ARREPENDO DE NADA.

O próprio governo diz que a história contada pelo cubano é fantasiosa. Mas os genuflexos não se conformam.

PS - E reitero: se Lula realmente falou com os cubanos, a situação do governo se agrava em vez de melhorar. Por isso o Planalto nega que a conversa tenha existido. Ela faria o presidente cúmplice de duas deportações ilegais. Porque é bom que os genuflexos se lembrem de que os pugilistas foram DEPORTADOS. Qual era a razão da deportação mesmo? Tenham paciência, né?

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2009/03/non-je-ne-regrette-rien.html

domingo, 1 de março de 2009

Idéias têm consequências


Sim. Eles sabem quem eu sou, eles me perseguem. Sorrateiramente montam suas rodinhas de conversa por onde passo e, voilá, tecem seus comentários estapafúrdios para eu escutar. Eu, o Joseph McCarthy campo-grandense, estou sendo caçado pelos neocomunas, ou melhor, pelos neobobos.

Estava nos corredores da Universidade Federal, saindo do banco, quando ouvi de um grupo de acadêmicos a seguinte frase: “Vai ser uma apresentação sobre Direitos Humanos numa visão marxista, você se encarrega disso.”.

Deixei os barbudos de lado e entrei no carro, mas aí tive o estalo. Como pode haver Direitos Humanos numa visão marxista? Quem conhece um pouco da vida pessoal de Marx, sabe que lhe faltaram muitas qualidades para chegar ao status de canalha.

Sobre as opiniões do filósofo alemão, bem observou Nélson Rodrigues: “As cartas de Marx mostram que ele era imperialista, colonialista, racista, genocida, que queria a destruição dos povos miseráveis e "sem história", os quais chama de "piolhentos", de "anões", de "suínos" e que não mereciam existir. Esse é o Marx de verdade, não o da nossa fantasia, não o do nosso delírio, mas o sem retoque, o Marx tragicamente autêntico.”

O marxismo é aquela doutrina de luta de classes que no fim tenta validar a violência. Eu posso matar ou ser morto, depende se sou burguês ou proletário. Na prática a doutrina marxista resultou em pilhas de cadáveres, ditaduras e supressão das liberdades individuais.

Gostaria de reencontrar meu antigo professor de História. Ele fazia chacota sobre a frase: “Comunistas comem criancinhas.”, que, segundo ele, foi usada como um ardil para espalhar uma aversão ao comunismo na população simples e ignara do país em meados da década de 60. E eu concordava com ele.

Só recentemente fiquei sabendo que a barbárie nos países da cortina de ferro foi tanta, que pessoas foram levadas ao canibalismo para não morrer de fome. Pesquisem na Internet. “O Livro Negro do Comunismo” de Stéphane Courtois e outros, e “A ilha dos Canibais” de Nicolas Werth são algumas obras impressas sobre o tema.

Para se ter uma idéia, a tragédia de Holodomor na Ucrânia matou mais pessoas do que o Holocausto judeu. Nessa dantesca fome gerada pelos comunistas, também houveram relatos de canibalismo.

Eu não me abstenho de afirmar que Marx teve responsabilidade nisso. Suas idéias eram erradas já na época e sua engenharia social somente poderia gerar o caos. Foi o que aconteceu.

Pergunto novamente: Há algum Direito Humano nisso?

Indignado, saí do carro. Iria questionar sobre essa aula-palestra que o acadêmico (ou professor, não sei) estava mencionando. Passei perto do grupo, mas não tive coragem de abordá-los. Um pouco de vergonha pela exposição, mas mais por pensar que no fim poderia se descambar para aquelas discussões infrutíferas e que apenas tentariam me desqualificar como burguês-reacionário-direitista, ou qualquer coisa parecida.

Voltei para o carro. Para me aliviar, pensei que se aqueles caras estivessem num filme da sessão da tarde seriam os loosers, e pouca atenção seria dada a eles. A tal aula ficaria perdida em alguma sala obscura da UFMS e não havia risco de (mais) um derramamento de sangue em nome de “Um outro mundo é possível.”.

Lembrei também dos líderes do Khmer Vermelho que tiveram aulas com professores marxistas em Paris e puseram em prática tais idéias no Camboja. Resultado: extermínio de 25% da população daquele país.

Aqui no Brasil o marxismo parece que resultou numa legislação trabalhista paternalista (a despeito de ter sido importada da Itália de Mussolini), um Judiciário que via de regra é parcial ao laboral, e uma falta de consciência e responsabilidade sobre deveres e direitos entre empregadores e empregados. Ou seja, atrasa, mas ao menos não mata.

Nem sei por que ainda me aborreço tanto. Já combinei comigo mesmo que os grandes problemas que enfrentamos são pela corrupção geral e ineficiência pessoal. Deve ser pela ideologia enganosa e pelo número de mortos que ainda tenho pinimbas quando ouço algo semelhante ao marxismo.

Pelo menos entendi porque uma parte do pessoal do Direitos Humanos (DH) muitas vezes podem ser confundidos com Direitos dos Terroristas, Direitos dos Bandidos e Assassinos, e por aí vai.

Tempos atrás vi na TV um representante do DH colocando em pé de igualdade as prisões colombianas que trancafiavam os narcoguerrilheiros das FARC, com as prisões na selva onde ficam as pessoas seqüestradas pelas FARC. Comparação absurda. Ingrid Betancourt que o diga.

Infelizmente algumas idéias anacrônicas ainda prosperam na Academia. Apesar de menores do que no passado, elas ainda podem gerar alguns efeitos deletérios. Mas sou otimista, elas serão substituídas, mesmo eu planejando passar mais longe de algumas rodas de conversa.

Viva Cuba Libre!


*Escrevi este artigo há quase dois anos atrás, mas ele não foi publicado, pois o ministro da (In)Justiça, Tarso Genro, agiu como capitão-do-mato e rapidamente deportou os dois boxeadores de volta para ilha. Finalmente, nesta última semana, Guillermo Rigondeaux conseguiu fugir novamente, Lara já havia feito isso no ano passado.
Os inimigos da Liberdade podem usar de seus ardis, mas eles não irão prosperar.
Parabéns Lara! Parabéns Rigondeaux!

No Pan-americano do Rio de Janeiro em 2007 o Brasil teve seu melhor desempenho na história da competição, mas mesmo assim ainda ficou atrás de Cuba na disputa pelo segundo lugar no quadro de medalhas. Porém para três atletas e um treinador cubanos aquele Pan-americano, mesmo sem terem competido nem recebido medalhas, representa talvez a maior conquista de suas vidas até hoje.

Foram quatro cubanos que literalmente fugiram da delegação e não devem voltar para ilha-presídio do Caribe. Para muitos leigos tal fato pode passar despercebido e apenas significar que a vida em Cuba está difícil, mas para quem tem mais informações acerca de lá, isto remete aos tristes anos da Guerra Fria e nos traz mais inconformidade em ainda haver no Brasil quem defenda e admire o governo e a ditadura de Fidel Castro.

Tal fato não é novo, no concernente a Cuba teve início no Pan-americano de 1971 em Cáli, na Colômbia. Torna-se menos surpreendente ainda quando nos lembramos dos casos dos atletas dos antigos países comunistas que também fugiam de suas “Repúblicas Populares”. Houveram fugas da Alemanha Oriental, China e a mais notória foi a da ginasta romena Nadia Comaneci.

A novidade desse episódio no Rio de Janeiro foi a saída às pressas da maior parte da delegação cubana, em virtude de boatos de que haveria deserção em massa. A equipe de vôlei nem foi receber a medalha de bronze. Vaias para Fidel.

Os atletas cubanos são parte especial do povo sofrido e miserável. Todo país comunista sempre investiu muito no esporte, como vitrine internacional do regime, como propaganda enganosa da situação interna. A Alemanha Oriental sempre esteve na frente da Alemanha Ocidental em conquistas esportivas, mas o Muro de Berlim foi construído para impedir que os habitantes do lado comunista migrassem em peso para o lado capitalista.

Fidel já lançou mão dos seus bodes expiatórios para justificar as deserções. Segundo ele há uma máfia alemã que alicia a deserção de atletas cubanos. Da próxima vez que eu ouvir Kaká e Ronaldinho negociarem seus contratos irei protestar dizendo que eles estão sendo aliciados, forçados a ficarem fora do país. O velho comandante acha que é proprietário dos cidadãos cubanos. O pior é que ele praticamente consegue ser mesmo.

O maior bode expiatório de Fidel é o chamado embargo norte-americano, no qual o único país do mundo que não pratica comércio com Cuba são os EUA; é mentira que outros países não possam comercializar com a ilha.

Mas não era ele que denunciava o imperialismo dos EUA? Então comercializar com aquele país é sinônimo de ser explorado, e quando os EUA decidem não ter relações comerciais com a ilha do ditador que promoveu expropriações em massa, também são culpados pelo colapso econômico comunista? Bom senso não faz parte do vocabulário de Fidel Castro e seus asseclas.

Alguns defensores do regime fidelista citam avanços em Educação e Saúde. Não me delongarei sobre o tema, mas digo que tanto numa quanto noutra área a situação é altamente questionável.

O índice de analfabetismo é reduzidíssimo, mas cada cubano tem que sobreviver com aproximadamente 15 dólares por mês. São os letrados miseráveis. Como conseqüência a prostituição campeia em massa, as gineteiras procuram os dólares dos turistas. Na verdade a Educação é usada como uma forma de doutrinação, a censura é geral e divulgam-se apenas informações favoráveis ao governo.

O sistema público de saúde é uma falácia. Há um satisfatório para os membros do partido, onde Michael Moore levou cidadãos norte-americanos no seu último documentário, e outro sofrível para a população cubana em geral.

Há muito o que se falar de Cuba, mas para os que preferirem algumas informações mais rápidas e acessíveis, além da Internet, o filme Cidade Perdida, protagonizado e dirigido por Andy Garcia (ele mesmo um exilado cubano), podem colaborar para isso.

Para os pugilistas Guillermo Rigondeaux, Erislandy Lara, o jogador de handebol Rafael D'Acosta e o técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas, desejo uma excelente vida nova. Com oportunidades e a liberdade de optar pelo que considerarem o melhor caminho.

Em vocês mantém-se a esperança de dias melhores, e juntos gritamos:

VIVA CUBA LIBRE!


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Comunistas comem criancinhas




Não. É bem pior que isso. As ações comunistas levaram à população dos seus respectivos países a tanta fome, que além da morte por inanição, pessoas praticaram antropofagia. Um relato dessa barbárie está em excertos no post abaixo.

Lembro-me que meu professor de História contava que os militares e grupos contrários à ações populares no Brasil disseminaram o medo ao comunismo na população simples e ignara dizendo que "comunistas comiam criancinhas". A população sem nem saber direito o que é comunismo, então já ficava horrorizada com a palavra.

É claro que meu professor tinha um viés esquerdista, e geralmente ríamos do absurdo que era acreditar na frase propalada e ao mesmo tempo ficávamos um tanto indignados pelo uso da "mentira" como meio de desqualificação.

Aliás, para eles (professores), o Brasil nunca correu o menor risco de cair num regime comunista. Foi apenas um reacionarismo das elites que não queriam ceder às pressões populares.

Isto é falso, mas não vou entrar no mérito dessa questão agora.

Coloquei o post abaixo simplesmente porque muitos até hoje não sabem o que se passou nos países comunistas, e que aquela frase que pensávamos ser apenas um ardil de uma histeria anticomunista, na verdade procede e tem razão de ser.

Há mais material no blog Realismo Socialista, que está nos meus links. Também há relatos de canibalismo na ex-URSS

"...dois terços acabariam por morrer de fome, de frio, de doença, acabando alguns por ser vítimas de canibalismo, perpetrado pelos seus companheiros desesperados. "

http://www.wook.pt/ficha/a-ilha-dos-canibais/a/id/199183

Este caso parece que foi pior, eles não comeram pessoas que haviam falecido, como na China, mas mataram pessoas para se alimentar. Não achei um link de uma parte do livro "A ilha dos canibais" que relata esta cena vista por um guarda soviético.

Pois é. Isto tudo parece ser coisa do passado, histeria anticomunista, mas serve para divulgar fatos desconhecidos por muitos e também para saber que idéias têm consequências e idéias erradas têm consequência desastrosas.

ps: Trecho emblemático do post abaixo:

"Caminhávamos juntos ao longo do vilarejo. . . Diante de meus olhos, entre as ervas daninhas, surgiu uma das cenas que já me haviam contado: um dos banquetes no qual as famílias trocam suas crianças para poder comê-las. Eu podia vislumbrar claramente a angústia nos rostos das famílias enquanto elas mastigavam a carne dos filhos dos amigos. As crianças que estavam caçando borboletas em um campo próximo pareciam ser a reencarnação das crianças devoradas por seus pais. O que fez com que aquelas pessoas tivessem de engolir aquela carne humana, entre lágrimas e aflições - carne essa que elas jamais se imaginaram provando, mesmo em seus piores pesadelos?"




Imagem: Criança ucraniana na tragédia de Holodomor

A China comunista e seus campos da morte


...Esse horror já podia ser pressagiado quando uma guerra civil se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Depois de nove milhões de mortos, os comunistas emergiram vitoriosos em 1949, tendo Mao como o soberano. Assim, a terra de Lao-Tzu (rima, ritmo, paz), do Taoísmo (compaixão, moderação, humildade) e do Confucionismo (piedade, harmonia social, progresso individual) foi confiscada pela importação da mais esquisita matéria-prima jamais conhecida pelos chineses: o marxismo alemão importado via Rússia. Era uma ideologia que negava toda a lógica, toda a experiência, todas as leis econômicas, todos os direitos de propriedade, e todos os limites sobre o poder do estado, alegando que todas essas noções eram meros preconceitos burgueses, e que tudo o que era necessário para se transformar a sociedade era um núcleo composto por poucas pessoas com todo o poder para modificar todas as coisas

...

A comunização da China se deu seguindo os três estágios usuais: expurgos, planejamentos e, por fim, a procura por bodes expiatórios. Primeiro ocorreram os expurgos - também conhecidos como "purificação" -, para que o comunismo pudesse ser implantado. Havia guerrilhas a serem mortas e terras a serem nacionalizadas. As igrejas tinham que ser destruídas. Os contra-revolucionários tinham que ser suprimidos. A violência começou no campo e depois se espalhou para as cidades. Todos os camponeses foram primeiramente divididos em quatro classes que eram consideradas politicamente aceitáveis: pobres, semi-pobres, médios, e ricos. Todos os outros eram considerados latifundiários e, assim, marcados para ser eliminados. Se nenhum latifundiário fosse encontrado, os "ricos" eram então incluídos nesse grupo.
A classe demonizada era desentocada em uma série de "encontros da amargura" -- que ocorriam em nível nacional -- nos quais as pessoas delatavam seus vizinhos que possuíssem propriedades e que fossem politicamente desleais. Aqueles assim considerados eram imediatamente executados junto com quem quer que tivesse simpatias por eles.
A regra era que deveria haver ao menos uma pessoa morta por vilarejo. O número de mortos está estimado entre um milhão e cinco milhões. Além disso, entre quatro e seis milhões de proprietários de terra foram trucidados pelo simples crime de ser donos de capital. Se alguém fosse suspeito de estar escondendo alguma riqueza, ele ou ela seria torturado com ferro quente até confessar. As famílias dos mortos eram também torturadas e os túmulos de seus predecessores eram saqueados e pilhados. O que acontecia com a terra? Esta era dividida em minúsculos lotes e distribuída entre os camponeses remanescentes.

A campanha então se dirigiu para as cidades. As motivações políticas eram o principal incentivo, mas havia também o desejo de se fazer controles comportamentais. Qualquer um suspeito de envolvimento com prostituição, jogatina, sonegação, mentiras, tráfico de ópio, ou suspeito de contar segredos de estado, era executado sob a acusação de "bandido". Estimativas oficiais colocam o número de mortos em dois milhões, sendo que outros dois milhões foram morrer nas prisões. Comitês residenciais formados por pessoas leais ao estado vigiavam cada movimento.

Qualquer visita noturna era imediatamente reportada, e todos os envolvidos eram presos ou assassinados. As celas das prisões iam ficando cada vez menores, chegando a um ponto em que uma pessoa vivia em um espaço de aproximadamente 35 centímetros. Alguns prisioneiros faziam trabalho forçado até morrer, e qualquer um que se envolvesse em alguma revolta era agrupado com seus colaboradores e todos eram queimados.

Havia indústrias nas cidades, mas aqueles que eram seus proprietários e gerentes eram submetidos a restrições cada vez mais apertadas: transparência forçada, escrutínio constante, impostos escorchantes, além de sofrerem todos os tipos de pressão para oferecer seus negócios à coletivização. Houve muitos suicídios entre os pequenos e médios empresários que perceberam para onde tudo estava indo. Ajuntar-se ao partido adiava apenas temporariamente a morte, já que em 1955 começou a campanha contra os contra-revolucionários escondidos dentro do próprio partido. Havia um princípio de que um em cada dez membros do partido era um traidor secreto.
...

Em 1957, o desastre estava por todos os lados. Os trabalhadores estavam tão enfraquecidos que eram incapazes até mesmo de colher suas escassas safras; e assim eles morriam, vendo o arroz apodrecer. As indústrias se avolumavam, mas não produziam nada de útil. A resposta do governo foi dizer às pessoas que gorduras e proteínas eram desnecessárias. Mas a fome não podia ser negada. O preço do arroz subiu de 20 a 30 vezes no mercado negro. Como as trocas foram proibidas entre os grupos coletivistas (você sabe, a tal da auto-suficiência), milhões ficaram à míngua. Já em 1960, a taxa de mortalidade pulou de 15 por cento para 68 por cento, e a taxa de natalidade despencou. Quem quer que fosse pego estocando grãos era fuzilado. Camponeses flagrados com a menor quantia imaginável eram aprisionados. Fogueiras foram banidas. Funerais foram proibidos, pois eram considerados esbanjadores.

Aldeões que tentavam fugir dos campos para as cidades eram fuzilados nos portões. Os mortos de fome atingiam 50 por cento em alguns vilarejos. Os sobreviventes ferviam grama e cascas de árvore para fazer sopa, enquanto outros vagueavam pelas estradas à procura de comida. Algumas vezes eles se bandeavam e atacavam casas, procurando por restos do milho que era servido ao gado. As mulheres eram incapazes de engravidar devido à desnutrição. Pessoas nos campos de trabalho forçado foram usadas em experimentos com comidas, provocando doenças e mortes.

Mas isso ainda era pouco. Em 1968, um membro da Guarda Vermelha, de 18 anos, chamado Wei Jingsheng, encontrou refúgio em uma família de um vilarejo em Anhui, e ali ele viveu para escrever o que ele viu:


"Caminhávamos juntos ao longo do vilarejo. . . Diante de meus olhos, entre as ervas daninhas, surgiu uma das cenas que já me haviam contado: um dos banquetes no qual as famílias trocam suas crianças para poder comê-las. Eu podia vislumbrar claramente a angústia nos rostos das famílias enquanto elas mastigavam a carne dos filhos dos amigos. As crianças que estavam caçando borboletas em um campo próximo pareciam ser a reencarnação das crianças devoradas por seus pais. O que fez com que aquelas pessoas tivessem de engolir aquela carne humana, entre lágrimas e aflições - carne essa que elas jamais se imaginaram provando, mesmo em seus piores pesadelos?"

O autor dessa passagem foi preso como traidor, mas seu status o protegeu da morte, e ele foi finalmente solto em 1997.

Quantas pessoas morreram durante a fome de 1959-1961? A menor estimativa é de 20 milhões. A maior, de 43 milhões. Finalmente, em 1961 o governo cedeu e permitiu alguma importação de comida, mas foi pouco e já era tarde. Foi permitido a alguns camponeses voltar a plantar em sua própria terra. Surgiram algumas oficinas particulares. Alguns mercados foram permitidos. Finalmente, a fome começou a diminuir e a produção começou a crescer.

...

Tendo lido tudo isso, você agora faz parte da minúscula elite de pessoas que sabem alguma coisa sobre o maior campo de morte da história do mundo, que foi no que a China se transformou entre 1949 e 1976 -- um experimento de controle total, algo que jamais se viu na história. Muitas pessoas hoje sabem mais sobre as baterias de celulares chinesas que explodem do que sobre as centenas de milhões de mortos e a inenarrável quantidade de sofrimento ocorrida sob o comunismo.

Quando você ouvir sobre produtos de baixa qualidade vindos da China, ou sobre trigo insuficientemente processado, imagine milhões sofrendo de uma fome dantesca, com pais trocando seus filhos para comê-los e, assim, permanecerem vivos. Não me diga que aprendemos alguma coisa com a história. Sequer conhecemos a história o suficiente para aprender algo com ela.



Texto completo:



domingo, 8 de fevereiro de 2009

Enquanto discutimos ideologias...


...os ratos se refestelam. Leiam abaixo:

"...A revista escondeu meu patrimônio. Minha fortuna é muito maior que o que eles falaram."

Na entrevista, Newtão confirmou ser dono de todos os bens que VEJA lhe atribuiu e relacionou outros mais. De acordo com a reportagem, o ex-governador possuiria 25 carros. Ele disse que são 150. VEJA afirmou que o ex-governador é dono de setenta fazendas. Ele se vangloriou de ter o dobro: "Não tenho só essa m... de setenta fazendas. São 145, sendo que em uma delas foram encontrados dois poços de petróleo". Newtão declarou que não é dono só de um, mas de dois apartamentos nos Estados Unidos. Um fica em Nova York. O outro, em São Francisco. Na Europa, possui não apenas um apartamento e um hotel em Paris, mas também um refúgio em Roma. Na Bahia, tem uma praia. No Rio de Janeiro, uma ilha em Angra dos Reis...

http://veja.abril.com.br/280109/p_052.shtml

Ê laiá. Isto é Brasil.

Adivinhem se ele vai preso ou se os seus bens serão apreendidos? Nada disso, é capaz de Newton Cardoso se reeleger pra qualquer coisa.

Este é um grande câncer no país, a corrupção. E está em todas as esferas, mas esta do Newtão foi de tirar pica-pau do ovo.

No Japão as denúncias levariam o político à cadeia, à renúncia se estivesse ocupando o cargo, ou, em outros tempos, ao haraquiri. Mas no Brasil o cara vem a público dizer que é muito mais rico. É bilionário. De certo é pra causar inveja aos seus colegas que só se tornaram milionários.

"Diminuam o estado!" Dirá o liberal.

Acontece que o estado é necessário. Diminuir o poder dos políticos seria interesante, mas o melhor mesmo seriam mecanismos severos de punição. Bens deveriam ser arrestados e o dinheiro devolvido ao erário.

Má quê! Estamos no Brasil e não em Cingapura, onde se não me engano, uma lei dessa foi posta em prática.

Pra se inteirar mais ainda leiam a reportagem original:

Newton havia se elegido deputado federal e tinha poucos bens. Mais de 90% da fortuna dele foi construída no período em que vivemos juntos", relata Maria Lúcia. A carreira política do peemedebista engrenou. Ele voltou à prefeitura de Contagem, ganhou o governo de Minas, conquistou outro mandato de deputado, passou de novo por Contagem e, por fim, foi vice-governador. A intensa vida pública não impediu Newtão de multiplicar seus bens. Ao contrário. Maria Lúcia diz que foi esse o período em que ele ganhou mais dinheiro.

O político foi denunciado muitas vezes por desvio de recursos oficiais. "Sou um dos políticos mais investigados da história do país", alardeia Newtão. Em 1989, ao final de seu mandato de governador, chegou a enfrentar um processo de impeachment. Venceu. Embora ainda responda a várias ações, Newtão nunca sofreu uma condenação definitiva por subtrair dinheiro dos cofres públicos.

Seus argumentos têm encontrado pouca acolhida nos tribunais. Há um mês, a juíza Nilsoni de Freitas Custódio, da 3ª Vara de Família de Brasília, condenou o ex-governador a dar 103 750 reais por mês à ex-mulher. Apesar de ser uma das maiores pensões já concedidas no país, Maria Lúcia recorreu. Argumenta que tem direito de receber cinco vezes mais.

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/01/newton-cardoso-divrcio-bilionrio.html

Sem comentários. Estou enjoado.

Lulla, o neoliberal

Ninguém comentou muito, mas na iminência da crise, o governo abaixou o IPI dos automóveis. Ano passado foi uma queda de braço pra acabar com a CMPF, esta o governo queria manter.

Mais do que ideologia, o governo, independente de partidos, vive numa situação de soma de vetores (lembram-se das aulas de matemática e física?). Funciona mais ou menos assim.

Um lado clama por mais serviços do Estado. Além dos clássicos, Educação, Saúde, Segurança, Infra-estrutura, etc, há demanda pra todo tipo de ajuda governamental. Lembro-me na grande crise do agronegócio (basicamente carne, leite, milho e soja), na qual os integrantes da cadeia produtiva pediam por preços mínimos, proteção, etc.

O mesmo ocorre com o sistema sindical. Sempre e aproximam do governo para colher benesses.

E há também o vetor que pede menos impostos, menos taxas, etc. Sem dúvida, baixos impostos são benéficos para sociedade.

Um grande problema não são simplesmente os impostos, mas o mau uso deles. Em post próximo comentarei mais.

De qualquer forma o que se pode filtrar é isso. O governo sofre influência de grupos de pressão, uns pedindo mais serviços e benesses e outros pedindo menos tungagem no bolso. Isto entre outras coisas que o próprio governo procede ativamente (clientelismo, fisiologismo, etc).

Desta soma de vetores é que se faz o "deslocamento" das ações estatais.

A palavra "Liberdade" que os anglo-saxões utilizam, seria muito melhor traduzida para o português, nessa relação indivíduo-estado, pela palavra "Independência".

Ou seja, os anglo-saxões quando falam que prezam a Liberdade, na verdade referem-se ao ato de agirem sem a necessidade de ajuda/intervenção estatal, portanto de maneira independente do governo.

É isso.

13 e 31



Este texto era pra ter sido postado no final do ano passado. Antes tarde do que nunca, pelo menos ainda não mudei de idade.

O ano está acabando e pretendo escrever estas linhas antes do fim dele. Este ano quebrei uma promessa, falei no início que não escreveria ou, pelo menos, evitaria assuntos político-ideológicos. Quem acompanhou os artigos e posts percebeu que passei longe disso.

Muito bem, como já passei dos 30 e acho que não há muito mais de interessante que se fazer depois dessa idade, pelo menos ela me serviu como uma numerologia curiosa.

Lá pelos idos de 1990 eu tinha 13 anos. A infância acaba aos 10, portanto eu já tinha uma bagagem pré-adolescente dos 11 e 12 anos que me conferiram alguns pensamentos. Ah sim, me lembro da primeira vez que escutei “Faroeste Caboclo” do Legião Urbana (eu falo “do” Legião e não “da” Legião), eu tinha 11 anos. Gostei da música e da letra, virei fã, mas foi só quando tinha 13 anos que comprei o disco “Que país é este?”. Putz, escutava o dia inteiro. De chofre também comprei os dois anteriores. Do primeiro escutava muito “Geração coca-cola”.

Resumindo, lá estava eu, um recém-adolescente, fã de rock de protesto, preocupado com os problemas da sociedade. As críticas ao sistema e à sociedade só podiam ter uma conotação anticapitalista, afinal uns têm muito e outros não tem nada. Os trabalhadores que mais suam a camisa ganham menos que uns engravatados que só assinam papéis. O mundo é muito errado mesmo.

Não sei por que cargas d’água fiquei sabendo que Karl Marx era o cara que havia criticado o sistema que vivíamos. Pensei que valia a pena lê-lo. Peguei “O Capital” na biblioteca da escola. Arghh, quanta asneira, li umas 30 páginas. Parei depois da tal da “mais-valia”, o argumento era tosco, não levava em conta outros ítens do custo de produção, mas apenas a mão-de-obra. Sem contar que o tom irascível do alemão me causou repugnância.

O Muro de Berlim que caíra no ano anterior e os balseiros cubanos - aliás, até então gostava muito de Cuba, me parecia um modelo a ser seguido na luta contra o imperialismo americano – me fizeram perceber que a História desmentira o velho barbudo e não havia porque me preocupar com ele. Mas eu continuava insatisfeito com o estado de coisas do mundo.

Depois de ler um livrinho do Paul Singer (apesar do nome ele é brasileiro), acabei achando que Keynes que tinha resolvido a parada ao instituir o Welfare State. A essa altura eu já estava com 14 anos. Fui um keynesiano desde então. Ser de centro-esquerda era o que me parecia o correto. Na prática do meu dia-a-dia, a influência dessa opinião foi zero.

De qualquer forma os meus 13 anos foram a minha fase mais “esquerdista” vamos dizer assim. Meu remédio foi ter lido um pouco de Marx. Acho que os esquerdistas não lêem Marx, por isso proferem as asneiras marxistas.

Hoje, aos 31, esta maldita Internet me puxou pro lado direito da força. Tudo bem, eram idéias que eu já nutria, mas foram muito mais referendadas nas minhas horas on-line.

Sou um direitista, sou um liberal? Não sei, talvez não completamente, até porque acho que estes rótulos são um tanto “engessativos”; mas definitivamente esquerdista não sou. Acho que o bom-senso tem de vir antes de tudo.

Os esquerdistas neomarxistas são os maiores inimigos? São eles que impedem a felicidade do mundo?

Não, claro que não, simplesmente porque acho que nossos maiores inimigos somos nós mesmos, com a vantagem de também sermos os nossos maiores amigos. Tudo depende de cada um.

Quanto à felicidade... esta é mais difícil, mas não tenho dúvidas de que também depende de cada um.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo! (como eu disse, era pra ter postado final do ano passado, mas fica reforçado o desejo de um feliz 2009)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Saia-justa



Muito além de linda, a repórter é bem informada e articulada. Coitado do Benicio del Toro, ficou sem saber o que falar. Também, quem mandou fazer mistificação de assassino?

Precisamos de umas repórteres assim por aqui, que não deixam prosperar mentiras e falácias.

Quero só ver o tipo das reportagens que vão sair aqui por conta do filme Che, que tem o Rodrigo Santoro no papel de Raúl Castro. Por certo só vão puxar o saco do cara e ainda incensar os personagens da vida real.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ainda o ministro do Terror

Sinceramente, eu achei q o Lulla iria saber lidar com esse caso do Battisti. A minha esperança é de que ele é menos idiota que os ideologizados do PT.

Vejam o caso do Equador. Houveram represálias ao projeto de ditador Rafael Correa e o dinossauro Marco Aurélio Garcia foi afastado das relações internacionais. Observamos que o poder do tal Foro de São Paulo não é tão grande assim.

Agora quanto ao terrorista italiano a coisa desandou e está vergonhosa. Eu estou enojado. Num país normal o Tarso Genro já teria sido afastado, leia-se mandado embora, e o terrorista já teria sido deportado.

Mas o que eu vejo é o apedeutekoba aludindo à uma tal "questão de soberania". É um palhaço, um fanfarrão terceiro-mundista. O Brasil toma prejuízos com algumas repúblicas bananeiras tipo a Bolívia, passando a mão na cabeça deles como se fosse o irmão mais velho e depois quer dar uma de valente pra cima dos grandes do hemisfério norte.

Vai ser idiota lá na pqp.

Reitero aqui minha posição. Tarso Genro deve ser exonerado do cargo. Essa idiotice dele além de ser de cunho bárbaro (ou que outro nome se dá ao ato de defender um assassino julgado e condenado?) , também trará sérios prejuízos ao país.

Tarso Genro deve ser afastado e Batistti deportado. Eu quero acreditar nisso e não me envergonhar mais por ser brasileiro.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O ministro e o terrorista


A quem causa espanto a recente atitude do ministro da Justiça, o sr. Tarso Genro? Para quem não sabe, Genro concedeu asilo político a Cesare Battisti, que foi condenado a prisão perpétua na Itália pela morte de 4 pessoas. Ex-integrante de um grupo de esquerda, os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti fugiu do seu país após seus crimes.

No Brasil, o italiano está ganhando o status de refugiado político. Engana-se quem pensa que Battisti partiu para alguma luta armada contra uma ditadura no seu país. Nada disso. A Itália era uma democracia consolidada nos anos 70 e Battisti tinha como sonho a ditadura comunista, eufemisticamente chamada de ditadura do proletariado.

Leninista convicto, Tarso Genro tem afinidades ideológicas com o italiano. Afinal foi Lênin que disse a frase: “Os fins justificam os meios.” Para eles, pode-se matar desde que seja pela “causa”.

Interessante lembrar como foi a atitude de Tarso Genro no caso dos dois boxeadores cubanos que fugiram no Pan americano do Rio de Janeiro de 2007. Genro agiu como capitão-do-mato e deportou os dois cubanos em tempo recorde para Cuba. Alegou que os dois queriam voltar imediatamente, pois estavam com saudades da família. Posteriormente um dos pugilistas conseguiu fugir para Alemanha.

Falavam que Cuba era o quintal dos EUA. Pois hoje ela é a senzala dos irmãos Castro, que são recebidos com todas as honras no Brasil.

Genro também quer rever a lei da Anistia. Para ele é insuportável ver os militares que impediram que transformassem o país numa sucursal da extinta URSS ainda estejam livres por aí. A bolsa-ditadura já custa alguns bilhões ao contribuinte, mas isso não é suficiente para nossos bolcheviques frustrados.

Ah sim, quantos aos crimes cometidos pelos ex-combatentes da ditadura nada se diz. Li recentemente no blog do Gustavo Bezerra o relato de um ex-militante que contou como fizeram um “justiçamento” por estarem desconfiados da traição de um integrante do PCB. Após o assassinato eles derreteram o corpo da vítima numa banheira com ácido. A confissão está na página 73 do livro “Memórias de um Stalinista” de Hércules Côrrea, falecido no ano passado. Repugnante.

Battisti está bastante contente, diz que vai voltar a escrever. Provavelmente ele até será chamado pra dar aulas em alguma Universidade, onde poderá fazer suas críticas ao capitalismo, às elites, etc, as velhas ladainhas que os alunos de Humanas estão submetidos há décadas.

O presidente Lula em sua visita a Corumbá declarou que não será um episódio como esse que vai gerar animosidade na relação do Brasil com a Itália. Mas na Itália, o subsecretário de Estado do Interior, Alfredo Mantovano, declarou que a decisão brasileira é "grave e ofensiva", e que "O governo italiano não pode aceitá-la. Em particular, por respeito às vítimas e a seus familiares.”.

Francisco Antonio Cadenas Collazzos, o “Padre Medina”, líder das FARC, obteve a condição de refugiado em 2006 no Brasil. O governo da Colômbia desejava sua extradição, mas o governo petista nunca faria isso com um integrante de um grupo narcoguerrilheiro e que fez parte do Foro de São Paulo ao lado do PT.
Assim age o governo petista. Cospe nas Democracias e estende a mão aos terroristas. Mas vejam bem, são terroristas humanistas, perseguidos políticos, que não compactuaram com a Democracia e as Leis do país de origem.

Sabendo disso e de quem é Tarso Genro, não me surpreendo por Cesare Battisti estar sendo tão protegido pelo poder público. Aliás, se estivessem vivos Stálin, Mao Tse-tung, Pol Pot ou qualquer outro ditador que matou milhões de pessoas por nobres causas humanistas, utilizando o bordão “Um outro mundo é possível!”, com certeza seria bem acolhido pelo nosso ministro da Justiça.




domingo, 11 de janeiro de 2009

Conflito Israel/Palestina

Eu nunca gostei de fazenda com nome de Canaã. Todos sabem que Canaã é a tal terra que Deus prometeu a Abraão, onde os hebreus (judeus) viveriam bem, num lugar de leite e mel, etc, etc.

Olhando a História percebemos que os judeus estão quebrando o pau até hoje por essa tal terra prometida.

É pena que os judeus que fundaram Israel na década de 40 já tenham investido tanto naquele pedaço de deserto. Eu proporia para eles comprarem o semi-árido nordestino e algum litoral brasileiro. O Adolfo Sachsida uma vez sugeriu o Piauí. Seria ótimo. Teríamos um país invejável como vizinho e poderíamos usufruir muito bem disso. Sem contar que daria uma diminuída na coronelança nordestina.

Aliás, eu não sei pra que tantos estados lá no Nordeste. Poderiam dar uma anexada em alguns. O poder político da bancada nordestina no senado é desproporcional e atrasa o país.

Minha opinião sobre o conflito na faixa de Gaza é o que está no blog do Reinaldo Azevedo, do Rodrigo Constantino, da Nariz Gelado, do Gustavo Bezerra, do Fernando Sampaio, e por aí vai. Não preciso repetir o que os outros já disseram.

Lembrei-me de um som do Clash. Estão lá juntos um árabe e um judeu unidos para irem ao show da banda.

O clipe original está nesse link:
http://www.youtube.com/watch?v=OAkfHShATKY

Não consegui colocar aquela telinha aqui. O que vai abaixo é uma versão ao vivo com o ex-vocalista do Clash.

Eu voltei e o Welckeyshayney também

Fiquei dias sem escrever nada, eu sei, até ficaria mais um tempo, meu computador está um lixo eterno e minha conexão também não está boa, mas não pude deixar de dar esta noticia: achei o Welckeyshayney!

Para quem não se lembra, falei do Welckey..., vulgo Zé, há alguns posts atrás, sobre nomes improváveis. Eis que meu antigo colega ressurge no comentário falando que está em Rondônia, de volta as origens.

Bom, não posso ter certeza absoluta de que seja ele mesmo, mas como disse que ele achou meu blog quando procurou o nome dele no Google, então acredito que seja possível de ser ele mesmo.

Para tirar as dúvidas, Zé, peço que me passe seu e-mail, pode ser via comentário do blog ou mande-me no meu:

augustoaraujo_vet@ yahoo.com.br

Espero que você me escreva. Este mês teremos o casamento do nosso colega Fabrício, quem sabe você não vem para o casório reencontrar seus antigos comparsas.


Abraços!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mensagem

Pessoal, meu computador está no conserto há dias, por isso não atualizei o blog no fim de semana. Como já vai ser Natal e Ano-Novo, acho que só volto no ano que vem.

Boas festas a todos!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Documentação

Janer Cristaldo escreveu um ótimo livro-reportagem denominado: "Ianoblefe - o jornalismo como ficção". Ele está publicando trechos no seu blog, mas o livro pode ser inteiramente acessado na Net.

No decorrer dos dias, como nenhum cadáver havia sido achado, o número de chacinados foi diminuindo. Foi fixado finalmente em 16. A única prova da chacina foi... um dente, encontrado pela Polícia Federal e exibido em grandes fotos pela imprensa, na ponta do dedo de um policial. Em verdade, não foi encontrado um só cadáver.

Relato toda essa farsa em Ianoblefe - o jornalismo como ficção. O livro foi recusado por cerca de vinte editoras. "Não podemos nos indispor contra todos os jornais do país", resumiu um editor. Mas foi aceito pela Ebooksbrasil, tocada por Teotonio Simões, e pode ser baixado de http://www.ebooksbrasil.org. Recomendo.

Cadáveres, nenhum. Mas o juiz Catta Preta não tem dúvidas de que houve o massacre. Como prova do crime, aceitou laudos de antropólogos sobre os hábitos culturais dos ianomâmis ...

Os uaicás, xirianás, iecuanás, macus e maiongongues, segundo Menna Barreto — ou ianomâmis, como os rebatizou Andujar — têm hoje a posse de 9,4 milhões de hectares, uma extensão territorial que jamais conseguirão controlar.

Não bastasse esta imensidão de terras entregue por Collor de Mello a um punhado de seres primitivos, incapazes de constituir ou gerir um Estado, o presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de demarcar uma área ainda maior, de 10,6 milhões de hectares (território equivalente a Cuba) na região conhecida como Cabeça do Cachorro, no noroeste do Amazonas. A demarcação, feita com patrocínio do G-7 (grupo formado por EUA, Japão, Canadá, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália) revoga e engloba 14 "ilhas" descontínuas, criadas durante o governo Sarney (1985-90).

Antes da nova demarcação, as 14 "ilhas" tinham apenas 2,6 milhões de hectares. Esta Cuba será entregue a cerca de 30 mil índios, quase 10% da população indígena do Brasil, espalhados em 600 comunidades de 23 etnias, como baré, suriana, maku, baniwa e tucano, entre outras.

Detentores de 11% do território nacional, os 325 mil índios brasileiros se candidatam fortemente à condição de maiores latifundiários do planeta.

Ironicamente, habitam o mesmo país em que o Movimento dos Sem-terra (grupos armados de fuzis, foices e facões, organizados pela Igreja Católica) invade e desmonta propriedades produtivas, com técnicas de guerrilha e sob as bandeiras de Mao Tse Tung e Che Guevara.

Alegam os defensores dos “povos da floresta” que todo o território brasileiro lhes pertencia, antes da chegada dos portugueses. Ocorre que os nativos não pediram passaporte a Cabral, nem lhe exigiram visto de entrada. Ora, sem Estado constituído, povo algum pode pretender a posse de qualquer território.

Postos em quarentena pela antropologia militante, isolados deste século por uma política oficial de Brasília, uma merencória opção é deixada aos autóctones de Pindorama: morrer de fome ou depender da caridade pública. Integrar-se ao século XX, jamais: os antropólogos precisam preservar, congelados no tempo, seus objetos de estudo.

E assim prepara-se o Brasil para entrar no terceiro milênio. Deixando para trás, perdidos no passado, seus primeiros habitantes.

http://cristaldo.blogspot.com/2008_12_01_archive.html