domingo, 17 de agosto de 2008

A sociedade aberta e seus inimigos



Tomei emprestado o título da comentada obra de Karl Popper para nomear também este artigo. No livro de Popper analisa-se a migração da cultura humana do regime tribal para o regime aberto. O que seria isto? Basicamente na primeira, há uma submissão da cultura às forças mágicas, mitos e tradições coletivistas, enquanto a última põe em liberdade as faculdades críticas e racionais do homem.

Na Guerra do Peloponeso, entre Esparta e Atenas, Popper encontra o berço dessa transição, com os espartanos representando a vida tribal e os atenienses esboçando uma abertura ao indivíduo livre e racional.

Entre os princípios da política espartana estavam a proteção contra as influências estrangeiras que pudessem pôr em perigo a rigidez dos tabus tribais, a independência ao comércio externo e o anti-universalismo de não se misturar com outras culturas. Em Atenas, ao contrário, vários pensadores já defendiam os pilares básicos da sociedade aberta, com uma nova fé na razão, na liberdade, na troca de conhecimento e na fraternidade dos homens.


Esparta representava uma sociedade fechada em si mesma, já Atenas se propunha ser uma sociedade aberta à interação entre as diversas culturas. Para Popper, a transição da sociedade fechada para a aberta pode ser descrita como uma das mais profundas revoluções por que passou a humanidade.

Escrevi estes parágrafos, baseados na ótima análise que Rodrigo Constantino fez da obra de Karl Popper, apenas para fazer um paralelo com o que estamos enfrentando no Mato Grosso do Sul, neste caso das demarcações de terra e explicitar o que pensam os antropólogos e a FUNAI.

Estes que citei são pautados por algo chamado “relativismo cultural” uma visão na qual não se classificam as diversas culturas como sendo superioras ou inferioras, mas apenas como diferentes entre si. Parece ser muito bonito e justo, mas isto esconde grandes equívocos.


Ao não se conduzirem pela coerência e bom-senso, os profissionais optam por deixar os índios como membros indeléveis da sociedade fechada, mais por vontade dos profissionais do que dos próprios índios. Além de chegarem a ser coniventes com o infanticídio que algumas tribos praticam no Brasil, entre outros absurdos.

Imaginem, talvez não devêssemos ensinar hábitos de higiene aos índios “para não prejudicar sua cultura”. Parece brincadeira, mas certos profissionais agem por vezes de forma análoga. Os inimigos da sociedade aberta não são os índios, são alguns brancos que os ladeiam.

Apenas vou ilustrar como se originou o relativismo cultural ou multiculturalismo: Durante o tempo do Império Britânico, pensadores ingleses entraram em contato com muitas outras culturas, se interessaram por elas e passaram a estudá-las. Tais pensadores tomaram como premissa, não supor a princípio que qualquer cultura fosse inferior à deles mesmos, para agirem livres de preconceitos.

Posteriormente alguns profissionais transformaram tal hipótese de trabalho (igualdade do valor das culturas) em verdade incontestável, agindo como bitolados diante de um dogma. Deste radicalismo surgiu o erro. Respeitar uma cultura, não deve ser sinônimo de mantê-la isolada e estanque.

As sociedades abertas são um passo à frente dentro da civilização. Manter os índios como bibelôs, querendo que eles vivam como seus antepassados de 100, 200, mil anos atrás, é um contra senso. Nós mesmos não vivemos como nossos pais, que não viveram como os pais deles. A cultura é algo dinâmico e mutável.

Mais do que qualquer coisa e sobretudo, os índios são seres humanos, como eu, como você. Num país miscigenado como o nosso, praticar uma separação ferrenha de hábitos e culturas, como desejam alguns antropólogos, é irreal e ineficiente.

Entendo que também possa haver um certo pensamento comum de que o índio sempre se prejudicou quando entrou em contato com a nossa cultura, que o desejo de possuir os mesmos bens e produtos que os brancos foi algo pernicioso e negativo para os índios.

Não penso dessa forma. Se no passado houveram problemas, acredito que hoje os indígenas têm o potencial de usufruir mais qualidade de vida do que jamais tiveram. Perguntem se durante o inverno eles preferem tomar banho num rio gelado ou uma ducha quente. O exemplo parece ser simplista, mas pode-se listar uma série de coisas do gênero.

E mesmo nós tivemos boas e más influências advindas dos indígenas. Se por um lado adquiriu-se o insalubre hábito do tabagismo dos índios norte-americanos, por outro adquirimos o sociável hábito do consumo da erva-mate, presente no chimarrão gaúcho e no tereré sul-matogrossense.

Ah, Karl Popper também fez uma crítica contundente de Hegel e Marx, dois expoentes máximos de nossos meios acadêmicos, e que explicam em muito as atitudes e opiniões oriundas dos profissionais de certas áreas de Humanas que estão em contato com os índios. Mas isto é assunto para outro texto.

Por enquanto apenas saúdo a sociedade aberta. Eu sou seu amigo.

Obs: Imagem do afresco de Rafael, denominado "A Escola de Atenas"



domingo, 10 de agosto de 2008

Obituários

A blogosfera azul rende homenagens à Alexander Solzhenitsyn, sobrevivente e testemunha dos Gulags soviéticos. Bem lembrou Rodrigo Constantino num livro seu, que o desejo de Utopus acabou num Gulag.

http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2008/08/obiturio-alexander-solzhenitsyn.html

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/08/soljentsin-alma-da-velha-e-eterna-rssia.html

http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/08/solzhenitsyn-revisitado.html


Já eu, do meu lado, comunico a morte de Nenê Venâncio, antigo condutor de gado, morto de causa natural com 103 anos de idade em Rio Brilhante.

Nenê conduzia gado dos campos de vacaria, através do sertão até o Porto 15 e daí para o oeste paulista. Este sim deveria ter sido ouvido por historiadores e antropólogos.

Os idiotas que papagaiam a pecha de latifúndio improdutivo deveriam ter perguntado à Nenê quantas milhares de cabeças de gado improdutivas ele conduziu na sua vida pelo velho Matogrosso.

Vou avisar o pessoal do sindicato rural, uma vez li uma linda matéria no jornal deles sobre a vida de Nenê Venâncio

Também morreu recentemente o seu Zuzu de Nova Alvorada. Uma vez conversei com ele e ele me contou sobre o primeiro automóvel que chegou na região. 1920, sei lá. O pessoal falava que era coisa do diabo, pois não tinha cavalo nem animal nenhum puxando o veículo.

Pois é, são estas pessoas que deveriam ser ouvidas. Pessoas com mais de 80 anos e que conheceram o estado de um jeito muito diferente do que é hoje. Nossa História vai se perdendo e ficamos a mercê da ignorância e mistificação.

ps: achei um link falando sobre a vida de Nenê Venâncio, está no site da Assembéia Legislativa e data de 2005, ano em que ele completou 100 anos, foi feita uma homenagem pelo Pedro Teruel, vejam só, vale a pena ler.

http://www.al.ms.gov.br/Default.aspx?Tabid=197&ItemID=15062

sábado, 9 de agosto de 2008

Alguns desserviços da FUNAI e comentários

Voltei. Não tenho muitas novidades. Gostaria de resumir ao máximo esta história e já antecipar o final dela, mas não é tão fácil assim.

Eu achava que as grandes vítimas seriam em ordem: o contribuinte, os índios e a própria antropologia.O segundo e terceiro já estão vitimados. Explico.

Haviam índios que trabalhavam em fazendas, prestando serviços esporádicos. Os fazendeiros com receio de que os antropólogos ou outros profissionais registrassem fotos e alegassem que a fazenda era uma área indígena, simplesmente pararam de dar serviço e gerar renda para os índios. Atitude bem compreensível.Ruim para os fazendeiros e muito pior para os índios.

Parabéns pra FUNAI, primeira cag... feita.

Este estudo é uma coisa típica de burocrata que não tem noção da realidade e das implicações práticas dos atos tomados.

Ah, quanto a antropologia.

Vocês acham que alguém vai ser louco de deixar algum vestígio de resto de aldeia na propriedade? Se havia alguma coisa de sítio arqueológico, coisa que não acredito que ainda existia, foi sumariamente destruído nesses dias. Lógico, óbvio, quem não faria isso?

Imagina que se você soubesse que se achassem algum osso ou artefato indígena no terreno de sua casa e isso implicaria em expropriação, você deixaria lá esperando que fosse descoberto ou esconderia ou mesmo destruiria os artefatos. Destruição óbvia.

E lá se vai algo que poderia somar conhecimento para a ... antropologia!

Parabéns FUNAI, segunda cag.. em série.

Quanto aos contribuintes esperarei outro post para explicar

....

Os fazendeiros querem acompanhar os estudos com medo de serem "plantadas" provas de que eram antigas moradias ou cemitérios indígenas. Estão certos também. O tal antropólogo chefe é acusado de fabricar laudos, quem duvida que ele faria esta montagem de provas também.

Aliás descobri que esta coisa de cemitério, terra sagrada, etc, é muito suspeito. Tudo bem, quando há cemitério quer dizer que moraram lá, mas e daí? Eles moraram em várias partes, eram nômades, podem achar cemitérios que os próprios índios desconhecem, por ser de épocas imemoriais.

Mas o que eu descobri é o seguinte, índio bonzinho né, enterra seus mortos com pompa, pois bem.Alguns netos octogenários de pioneiros me relataram da época em que conviviam mais com os índios (1930-1940), "Moranga, quedio", vinham pedindo para trocar o vegetal pelo queijo da fazenda.

Uma vez falaram "Bobó não pesta mais. " Quem era bobó? A velha avó, que não ajudava mais em nada, só dava trabalho. O que os bons índios fizeram? Adentraram ela na mata e a abandonaram, esperando que morresse à míngua ou vitimada por alguma onça. Que gratidão, que bonzinhos!

Observem que se hoje acharem os ossos daquela velha vão falar que ali é terra sagrada dos índios. Besteira.

Mas o melhor é que disseram que a velha não morreu. A bobó, conseguiu achar o caminho de volta pra aldeia. Daí em diante os senhores que me relataram a história não sabem que fim teve a história.

Há muita romantização dos índios, ou muita relativização cultural

....

Alguém pode falar "Putz, mas esse cara só quer ferrar os índios". Não senhores, até acho que seja justo que se averiguem algumas áreas para eles, todas devidamente indenizadas, óbvio.Como deveria ser feito?

1- Há áreas realmente "griladas" no sul do estado?

Se houverem áreas em que houve apropriação INDÉBITA pelo ATUAL proprietário, esta área deve ser passível de desapropriação, com indenização a ser estudada pelas benfeitorias feitas e talvez fosse o caso também de se pagar o valor da terra nua, haja vista a lei do usucapião.

Agora, se esta área que a princípio foi grilada, mas depois foi ADQUIRIDA e já está na mão de terceiros, óbvio que ela deve ser indenizada integralmente.

2- Quais aldeias foram "espremidas"desde seu começo?

Consta que há aldeias que foram fundadas com 600 habitantes e 3 mil hectares. É pouco? Acho que é pouco sim. Deveria ser feito uma média, eu acredito que deveriam ter destinado (para esta aldeia), algo como 6 mil hectares, ou talvez 10 mil, no máximo.

Estas áreas poderiam ser adquiridas em outros munícipios que não estes com terras agricultáveis. Falando sério, é um desperdício que terras altamente produtivas se tornem reservas. Poderiam juntar com a reserva Kadiwéu em Porto Murtinho, ou em outras áreas de Corumbá.

Hoje tal aldeia mencionada tem mais de 10 mil pessoas. Não é mais uma aldeia, se parece mais com um assentamento rural, cheio de chacrinhas. Pouca terra não dá camisa pra ninguém mesmo, qualquer um do meio rural sabe disso.

O aumento populacional é natural, e ocorrido por todo desenvolvimento capitalista que obtivemos até hoje. Ficar dando terras continuamente para estes indígenas não resolveria, é um saco sem fundo.

Estes índios "excedentes" têm que entrar no mercado de trabalho para sair da miséria e da dependência estatal. Ou então, se quiserem REALMENTE viver como silvícolas, que arrumem uma passagem só de ida pra Amazônia para eles.

Quê? Caça, ecologia? Bom aí a briga fica entre antropólogos e ecologistas

....

Olha eu falei isto acima mas não acho que vai ocorrer nada disso.

A pior opção é entregar estes 3 milhões de hectares pra FUNAI.

A segunda pior é não se fazer nada e apenas adoçar a boca de indígenas para em seguida nada mudar.

A melhor? Seria aumentar algumas reservas sem perder área produtiva, apenas para não ser injusto com algumas aldeias que na sua fundação ficaram espremidas entre as fazendas, mas principalmente:

Fazer entrar na cabeça de índios e antropólogos que os índios são brasileiros sujeitos aos mesmo direitos e deveres e procurar a melhor forma de entrar no mercado de trabalho e num sistema produtivo eficiente.

Ah, dizem que há mais de 40 mil índios guaranis, que têm problemas, etc. Boa parte destes índios residem no Paraguai e entram no Brasil sem nenhum controle. Se se cogitar de demarcar terras indiscriminadamente vocês verão, será uma invasão paraguaia no Brasil, vai vir índio paraguaio até do Chaco pra cá.

Olha é tanta coisa errada, tanto absurdo, que nem dá pra ficar falando tudo. Vou ficar por aqui. Até mais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

MATO GROSSO DO SUL

por Denis Rosenfield, no Estadão

Parece não haver mais limites para a ação da Funai de demarcação de terras indígenas, como se o País fosse um imenso território virgem suscetível de qualquer reconfiguração territorial. Um Estado federativo passaria a reger-se por portarias e atos administrativos do Poder Executivo que criariam "nações" que, doravante, conviveriam com "outros Estados". Não estaria longe o dia em que essas "nações" passariam a tratar a "nação brasileira" em pé de igualdade, solicitando, inclusive, reconhecimento internacional e autonomia política.Em 14 de julho deste ano, a Funai editou seis portarias visando à demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul.

As portarias abrangem 26 municípios e dizem respeito a uma área potencial total de 12 milhões de hectares, correspondendo aproximadamente a um terço do território estadual. Em sua redação, as portarias não visam especificamente a uma propriedade ou área determinada, mas têm abrangência tal que qualquer propriedade poderia vir a ser atingida. Há uma ameaça real que paira sobre toda essa região, criando uma insegurança jurídica prejudicial aos produtores, aos trabalhadores, aos investimentos e à própria autonomia do Estado de Mato Grosso do Sul.

Observe-se que se trata de uma área extremamente fértil, povoada, rica em recursos, com produtores lá instalados há décadas, com títulos de propriedade e uma situação perfeitamente estabelecida. De repente, o que se considerava uma situação estável, segura, se vê subitamente em perigo graças a atos administrativos da Funai, que passa a considerar esse Estado como um molde aguardando uma nova forma, imposta de fora.

Ressalte-se que uma portaria, que é um ato do Poder Executivo, passa a legislar sobre o direito de propriedade e o pacto federativo, sem que o Poder Legislativo interfira minimamente nesse processo. Um funcionário de terceiro escalão passa a valer mais do que um deputado, um senador e, mesmo, um governador de Estado.

Há, evidentemente, uma anomalia em questão.Imagine-se um Estado que pode ser repentinamente amputado de um terço de seu território, o qual passaria à legislação federal indígena graças a portarias e estudos ditos antropológicos. O poder concentrado nessas poucas mãos é francamente exorbitante.

Não se trata de uma questão pontual, relativa, por exemplo, a uma aldeia indígena em particular, mas de uma questão que envolve um conjunto macro, que atinge fortemente o direito de propriedade, base de uma sociedade livre, e a configuração territorial de um ente federativo. Da forma como as portarias foram publicadas, elas podem acarretar uma demarcação que produziria, entre outras conseqüências, desemprego para os trabalhadores dessa região, a anulação de títulos de propriedade, a perda de arrecadação tributária, a retração de investimentos, a desvalorização das terras legitimamente adquiridas e uma completa desorganização territorial.

Pense-se num novo investimento que estaria por vir para esse Estado e, por analogia, para qualquer outro ente federativo. Poderiam os investidores aplicar os seus recursos em propriedades que estão sob litígio judicial?

É a mesma situação de um cidadão que estaria pronto para comprar um apartamento. Colocaria os seus recursos num imóvel que fosse objeto de disputa judicial? Certamente preferiria comprar um outro imóvel que lhe desse segurança jurídica. Se, porventura, ainda decidisse fazer o negócio, exigira um preço menor pelo risco corrido, com perda para o vendedor, que veria o valor do seu bem esvair-se de suas mãos.

O paradoxal é que a Funai diz fazer "justiça" e o "faz" com os recursos alheios! Não se repara uma "injustiça" criando outra!Engana-se quem pensa que se trata de uma questão que afeta somente os produtores rurais. Trata-se de uma questão muito mais ampla, que concerne a todos os cidadãos sul-mato-grossenses e, através destes, os cidadãos brasileiros em geral. Na recente demarcação da Raposa Serra do Sol, em Roraima, o problema estava localizado numa distante região do País, como se outras regiões e outros Estados não estivessem implicados.

Ora, estamos vendo que o longínquo se torna próximo e o particular se torna de interesse geral.A Constituição brasileira, nos artigos relativos às terras indígenas, estabelece claramente que se trata de terras que os índios "tradicionalmente ocupam", sendo o verbo conjugado no presente. Ele não está conjugado no passado, como se o que estivesse em questão fossem terras que fariam ancestralmente parte de tribos que teriam vivido em tal território.

No entanto, há hoje uma tendência antropológica e política de fazer outra leitura, claramente inconstitucional, como se uma portaria e um estudo antropológico valessem mais do que a Constituição. Assim, passam à identificação de um processo de demarcação conjugado no passado, para o qual qualquer "prova" passa a valer, apagando toda a História brasileira.

Hipoteticamente, consideremos, porém, que esse argumento antropológico-político tivesse validade e se aplicasse a qualquer porção do território nacional. Quais foram as primeiras cidades a que chegaram os portugueses? Salvador e Rio de Janeiro. É de todos conhecido, por relatos históricos e quadros, que se tratava de regiões tradicionalmente ocupadas por indígenas. Se fôssemos seguir esse argumento à risca, chegaríamos à conclusão de que estamos diante de terras indígenas, que deveriam ser demarcadas.

Até poderíamos dizer que as provas seriam mais contundentes do que aquelas relativas à região sul do Estado de Mato Grosso do Sul. O que pensa a Funai fazer? Expropriar essas cidades? O que faria com as suas populações, seus empregos, suas propriedades, suas escolas, seus hospitais, seus postos de saúde, suas ruas e seus parques? Criaria ela uma "nova nação" nesses territórios "liberados"?

http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?flavor=lerArtigo&id=859


Obs: comento quando puder

domingo, 3 de agosto de 2008

Clipping

1 - A ligação PT e FARC, mais claras do que nunca

http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/07/o-dossi-brasileiro-ou-o-que-os.html

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6780&language=pt

http://angelodacia.blogspot.com/2008/08/escndalo-pt-governo-farc-5-folha.html

http://bdadolfo.blogspot.com/2008/07/fim-da-picada.html

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/08/os-tentculos-do-terror.html

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/08/as-farc-e-um-vermelho-e-azul-com-eliane.html


2 - Procurem este filme

http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/08/reginaldo-do-abulafia-me-enviou-o.html


3 - O Brasil merece. Destaque para o Janer. Leiam sobre o mea culpa dos ex-comunistas poloneses.

http://cristaldo.blogspot.com/2008_08_01_archive.html#5907916889870796398

Ainda a demarcação

Meu tempo está muito exíguo, e talvez por isso não possa desenvolver mais o assunto deste estudo da FUNAI e da questão indígena como um todo.

Além de criticar temos que apontar um caminho. Já apontei um que acho mais correto, que é a integração do índio na nossa sociedade, com mesmos direitos e deveres e mantendo a cultura própria para os que quiserem.

Quanto ao estudo da FUNAI, o Correio do Estado publicou excelentes matérias neste domingo, pena não estarem disponíveis on-line.

O antropólogo chefe é citado por já ter fabricado laudos, com depoimentos inverídicos e tendenciosos para que houvesse demarcação de reservas, isto já em 1992.

E o meu artigo foi publicado pelo Correio do Estado no mesmo dia que os antropólogos chegaram em Campo Grande, saiu a matéria na capa e o artigo na segunda página. Ficou bom.

O cara é louco mesmo. Chegou falando que a FUNAI quer 3 milhões de hectares para os guarani. Facinho né. Tipo, o estudo é segundo plano, eu quero 3 milhões de hectares. Já se nota como vão forçar a barra pra isso.

Sabem quanto vale 3 milhões de hectares no sul do estado? Por volta de 30 bilhões de reais.

Imaginem se não pode correr um rio de dinheiro nisso tudo. E desapropriação sem indenização é homologar um banho de sangue.

Como disse meu tempo está exíguo. Próximo post um clipping, e até breve se Deus quiser.

Ps: O artigo foi publicado também, pelo site do Diego Casagrande e está no site da Correia da Costa leilões rurais (podiam me dar um boizinho pelo menos)

http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?flavor=lerArtigo&id=851

http://www.correadacosta.com.br/registro.aspx?cod=145&tipo=Notícias

sábado, 26 de julho de 2008

Esclarecendo

Até agora nenhum jornal publicou o artigo do último post. Talvez nem publiquem, por medo, por não ser politicamente correto ou sei lá por quê.

De qualquer forma só esclareço que não sou contra algum tipo de estudo caso haja de fato, e vejam bem, de fato, litígio sobre a área. Ou seja, se era uma área que era legalmente indígena e foi sendo tomada de maneira incorreta e sem o aval legal.

Mas, convenhamos, acho muito difícil ser este o caso de 99% das áreas em que os tais antropólogos vêm fazer o estudo. São municípios de terras altamente valorizadas e que os donos já estão sobre as áreas há muito tempo e, creio, de maneira legal e legítima.

Não lembro bem quantos municípios, nem o tamanho da área a ser vistoriada, mas é uma batelada. Olha, me cheira é um oportunismo daqueles nisso tudo.

Nem vou escrever sobre o que penso, que conseqüências algum estudo aloprado poderia ter sobre a região. Violência, aparecimento de índio de tudo que é cor, entre outras coisas; deixo pra imaginação e bom senso de cada um.

Tenho um texto chamado "Índios: morte anunciada.", que exponho algumas idéias sobre a questão indígena.

Quem teve aula de Antropologia sabe que eles são pautados pelo relativismo cultural, que peca ao ser exagerado e acaba querendo manter os índios como "bibelôs" da civilização. Às vezes me pergunto se os antropólogos e afins, não usam computador e sim máquina de escrever em nome da sua própria preservação cultural.

Aqui vai um desenho escrachado e divertido, mas por incrível que pareça, bem ilustrativo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Demarcando a discórdia


Fiquei sabendo que alguns antropólogos têm o intuito de fazer pesquisas para demarcação de terras indígenas no estado do Mato Grosso do Sul. Poderiam antes dar uma passada em Ipanema e Copacabana, pois as duas também eram áreas indígenas, como os próprios nomes atestam. Aliás, cuidado com isso, senão os franceses que foram expulsos do Rio de Janeiro por Mem de Sá, que faleceu em decorrência de uma flechada, também poderão reivindicar a orla carioca.

A colonização do que é hoje o Mato Grosso do Sul foi estimulada pelo governo do Brasil, após a guerra do Paraguai, a fim de garantir a soberania nacional. O que eram estas terras, em especial as do sul do estado, antes da guerra? Segundo consta, era uma área devoluta, pouco habitada, onde haviam índios, brasileiros e paraguaios.

Quem disse a frase: “Sei que morro, mas o meu sangue e o sangue de meus companheiros servirão de protesto solene contra a invasão do solo de minha pátria.”, foi o tenente Antônio João, em Dourados, antes de ir para o confronto fatal contra o exército de Solano López . Temos aí um ponto: quem lutou e garantiu a posse dessa área, foi o Estado brasileiro, pois penso que os indígenas dificilmente teriam condições de enfrentar as tropas paraguaias.

Justiça seja feita, os guaicurus lutaram ao lado dos brasileiros na guerra do Paraguai. Mas não podemos dizer que foi graças a eles que se obteve a vitória. Observamos, portanto, que se não fosse o esforço do exército brasileiro, estas terras pelas quais se pleiteia a demarcação indígena, não seriam indígenas e nem brasileiras, seriam paraguaias.

E não nos envergonhemos por esta guerra, afinal quem fez a ofensiva foi Solano López. Seria o mesmo que se compadecer de Hitler, já que a Alemanha saiu arrasada do confronto, mas sem citar que foi o Führer que começou a invasão aos países vizinhos. Hoje, felizmente, o Paraguai é um país irmão.

Temos então atualmente naquela área: legítimos herdeiros dos produtores rurais que vieram garantir a soberania nacional em terra inóspita a mais de 100 anos atrás, e que geralmente são vilipendiados por alguns formadores de opinião; e proprietários rurais posteriores (estes em maior número) que adquiriram as terras de boa-fé e em conformidade com a lei do Brasil.

Tanto uns como outros tem o seu valor. Tanto os pioneiros que enfrentaram as precárias condições iniciais, quanto os que vieram depois, em especial os do sul do país, trazendo progresso e produtividade. Não obstante o fato de termos dezenas de aldeias no estado, com a posse da terra reconhecida e respeitada.

Pergunto então: como pode se questionar a legitimidade das áreas se foi o próprio governo que estimulou e atestou a colonização desta terra pelos brasileiros, em conformidade às leis e por interesse nacional?

Então os títulos de propriedade nos cartórios não valem nada e, em último caso, a lei do Usucapião, que prevê:

Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis.

Quantos anos, ou melhor, décadas se passaram da posse dessas terras para que agora a FUNAI, ou sei lá quem, venha questionar a legitimidade de propriedade das mesmas?

Para os que vierem a se escandalizar com minhas palavras, achando que sou insensível perante os indígenas, sugiro que vão à aldeia Panambizinho em Dourados, área na qual poucos anos atrás foram desalojados colonos da época de Getúlio Vargas, para fundação de uma aldeia. Resultado: terra produtiva tornou-se quase ociosa do ponto de vista agronômico e os índios continuam pobres.

Numa situação mundial de crises de alimentos é uma falta de bom senso ir contra produtores, em especial os da região sul, devidamente reconhecidos pela eficiência e tecnologia.

Tornou-se moda dizer que as áreas indígenas são insuficientes, como se a solução fosse ampliá-las eternamente, mas isto é incorreto. Atualmente, elas ocupam 107 milhões de hectares, mais do que toda a área de lavouras temporárias, permanentes e de florestas plantadas do país.
Embora no sul do estado os indígenas estejam muito adensados, em Porto Murtinho a reserva Kadiwéu possui 538 mil hectares (área maior do que muitos municípios possuem), onde vivem cerca de 1.500 pessoas.
Se me permitem um comentário um tanto polêmico, faço a seguinte divagação: Os índios não eram nômades? Então que se realoquem nas atuais e extensas reservas já demarcadas no país.

Há outros pontos nesta questão da demarcação de terras, espero que as lideranças saibam levantar os argumentos corretos contra este equívoco, fruto da demagogia política da constituição de 1988, aquela que muito propriamente Roberto Campos chamou de “constituição besteirol”.

Trabalho e cidadania são o que podem melhorar a situação dos indígenas e não medidas descabidas como essa que podem gerar animosidade, conflitos e margem para o mais diverso tipo de oportunismo.
Publicado por:
Correio do Estado, 30/07/08; Diego Casagrande e Correia da Costa

sábado, 12 de julho de 2008

Estreiando vídeos

Eeee, viva a Internet. Após o último texto fiquei curioso de (re) escutar as bandas que citei. Achei tudo no youtube, olhem elas aí. Comento separadamente.

1 - Sex Pistols : Anarchy in UK (Anarquia no Reino Unido)
Uia, quanto doido. É impressão minha ou Johnny Rotten canta forçando um sotaque alemão? Porque isso? Gostaria de saber. E tem uma mulher muito esquisita no clipe.

2 - Garotos Podres: Papai Noel Velho Batuta
Ao vivo no programa Altas Horas, acho que assusta menos para os que não conhecem a banda. O vocalista tá gordinho hein? Também tem mais de 20 anos que lançaram o primeiro disco, acho que foi por volta de 1984. O correto seria "Papai Noel Filho da Puta", mas para passar pela censura da época mudaram para "velho batuta". Tem mais clipes deles no youtube, uma barulheira danada.

3 - Ramones: Pet Sematary
Só pra constar os Ramones. Esta música foi feita pro filme "Cemitério maldito" e virou um grande hit. Ela é um pouco mais pop do que as habituais do grupo. Os Ramones fizeram um estilo próprio, classificado como "punk rock". Uma das bandas que mais escutei.








quarta-feira, 9 de julho de 2008

Capitalismo e contracultura


Um dos movimentos de contracultura que mais me afeiçoei foi o movimento punk, que teve sua gênese nos anos 70. O som dos americanos Stooges, MC5 e, principalmente, Ramones, lançaram as bases do que seria mais tarde esculpido e transformado numa estética completa na Inglaterra, a partir de bandas como Sex Pistols e The Clash.

Não foi à toa que o ambiente de propagação tenha sido lá. O país estava numa crise econômica e social, o desemprego tinha altos níveis, principalmente entre os jovens. Os proletários suburbanos não tinham perspectivas de dias melhores. Eram os excluídos do Welfare State, que finalmente tinha se mostrado uma armadilha de longo prazo.

“Do it yourself!”, ou “Faça você mesmo!”, era o lema do movimento. Ou seja, não espere por ninguém, principalmente em se tratando de governo ou Estado. A atitude valia mais que a formação técnica para qualquer coisa. Por isso mesmo as canções não possuíam mais do que três acordes. Era um som básico.

O movimento teve uma ideologia anarquista. Curiosamente no Brasil, o punk, pela sua crítica contra o sistema - que sempre é remetido como capitalista, independente dos nuances - flertou com o socialismo, principalmente pela banda Garotos Podres. Embora “Anarquia, Oi!” seja um grande hit da banda, o vocalista, que se formou em História, declara-se socialista.

Mas Anarquia e Socialismo são antagônicos e a exemplo do que acontecera no passado, nas desavenças entre o socialista Marx com o anarquista Bakunin, culminando na expulsão dos anarquistas da Internacional Socialista, o caminho do punk seguiu outro rumo. As diminuições dos tentáculos do Estado aproximam liberais e anarquistas.

No âmbito político-econômico, e consequentemente social, foi Margaret Thatcher, uma discípula dos liberais austríacos, quem deu a melhor resposta. Suas ações destruíram a cidadela construída pelo corporativismo sindical e desobstacularam a Economia e o acesso ao emprego. A Inglaterra chegou nos anos 90 como pólo mundial de atração de mão-de-obra. Os jovens ingleses não vagavam mais sem perspectiva de renda e de um futuro melhor.

Na música o movimento punk se diluiu, mas também se remodelou. Haviam as acusações de “traidor de movimento”, para os que como Billy Idol, tinham se lançado mais ao showbizz capitalista. Apareceram os “punks de butique”. E mesmo Johnny Rotten tentou retomar o Sex Pistols décadas depois com o declarado objetivo de ganhar dinheiro.

O punk também se desdobrou em new wave, pós-punk, gótico, hardcore, influenciou o grunge, entre outras tantas vertentes. Mas isto é outra história. Arruaceiros e desocupados que não entendem o movimento, por vezes mancham a reputação do mesmo. À estes, a Lei e a punição.

E eu? Acho que continuo um pouco punk. Do it yourself!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pelas barbas de Karl Marx, ou de Fernandinho Beira-mar!!!


Libertaram Ingrid Betancourt. Isto todos já sabem. Alvíssaras!

Mas notem como a operação poderia ter sido malograda e como os integrantes das FARC estão fragilizados: os militares que se disfarçaram de guerrilheiros estavam usando a camiseta de Che Guevara, até aí correto (embora cômico), mas elas não eram vermelhas, como usual, elas eram brancas!

Ora companheiros, guerrilheiro que é guerrilheiro usa vermelho. Os integrantes das FARC não perceberam isso, foi muito vacilo mesmo. Ainda bem.

Segue a ótima análise.

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2008/07/do-inferno-para-liberdade.html

ps: Tem gente na cúpula do PT (i.e. Marco Aurélio Garcia) e setores da nossa inteligentsia acadêmica que devem estar tristes. Agora só resta o King Jon-il da Coréia do Norte, a seguir com os ideais comunas.

ps2: Atentai cidadãos: O Brasil possui guerrilha. Se chama Liga dos Camponeses Pobres, usam este nome pra dar uma de coitadinhos, mas são tão facínoras quanto as FARC, embora ainda estejam menores. Devem ser combatidos à luz da democracia e da lei.

domingo, 29 de junho de 2008

Publicação

"O camarada humanista e nós" foi publicado pelo jornal do sindicato rural local. Por motivo de espaço, dois parágrafos foram cortados. O texto na íntegra está no link abaixo. Os parágrafos cortados coloquei em azul, caso alguém que leia o jornal acesse este blog.

http://augustoaraujo.blogspot.com/2008/02/o-camarada-humanista-e-ns.html

É bom lembrar que Lênin está servindo como nome de um personagem de uma novela atual da rede Globo. É o filho do maluco beleza que acha que a mulher foi abduzida por ETs (é, já assisti alguns capítulos da novela mesmo), que se chama "Shiva Lênin". Ao dizer seu nome para outro personagem, este exclamou: "Você tem o nome do herói da revolução russa!"

Pois é, que herói. Desinformação pouca é bobagem.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mudança no visu

Como não tenho contador de visitantes, não faço a menor idéia da audiência deste blog. Penso que tenha uns 5 leitores usuais, amigos meus, e internautas advindos do Orkut, que passeiam pelos perfis.

Mesmo assim, comunico que resolvi mudar um pouco o visual do blog, mas muito pouco. Alguns podem já ter notado que uso letras grandes, mais até ao estilo negrito. Míope que sou, me causa repulsa letrinhas miúdas na frente do PC.

Agora percebi que o fundo branco, embora bonito e limpo, estava causando um brilho muito grande na vista. Resolvi então mudar, e por enquanto optei por um cinza ou gelo, não sei bem o nome da cor, mas que ofusca um pouco menos.
É isso.

sábado, 21 de junho de 2008

Girl Power - As Superpoderosas















Pois é, como não tenho muito talento pra ficar escrevendo toda hora, me contento em dar dicas de boas leituras. Destaco agora as garotas. São quatro, e como uma se chama Nariz Gelado e o desenho das meninas superpoderosas não tem um mínimo traço de nariz, acabou dando certo a ilustração do post já que coloquei a imagem que a própria Nariz Gelado tem em seu blog.

Como entro no portal "A Postos" praticamente só pra ler duas delas (Janaína Leite e Nariz Gelado), resolvi colocar o link direto. Comento cada uma das quatro agora.
1 - Janaína Leite:
Já foi apresentada aqui, seu blog se chama Arrastão. Este post http://arrastao.apostos.com/2008/06/retrato_brasileiro.html, que foi destacado pela Nariz, foi de arrepiar.
Pena que De Gaulle tinha razão e não vivemos num país sério.
2 - Nariz Gelado
Que ótima epígrafe:
Quando a geada ameaça a planície, este meu arrebitado nariz congela. A geada é minha razão de ser. A História é meu escudo e minha lança. À espera de um longo e rigoroso inverno, escrevo. Eu sou Nariz Gelado.
O blog é longevo e de extrema lucidez. Olavo de Carvalho cobrou o R.G. da Nariz. E precisa?
3 - Suzy
Vou linkar o blog de entrevistas dela que são magníficas. Vejam a lista dos entrevistados:
Maria Lúcia Victor Barbosa
Charles London
Graça Salgueiro
José Nivaldo Cordeiro
Rodrigo Constantino
Aluízio Amorim
C. Antônio
Quem quiser ir pro blog próprio da Suzy é só linkar de lá. O blog (de entrevistas) se chama Direto do Abismo (!?), a imagem é ótima e a trilha sonora (muito AC/DC) de primeira.
Suzy leu e compreendeu muito bem todos os articulistas/blogueiros acima mencionados. Altamente recomendado.
4 - Yoani Sánchez
A blogueira cubana do blog Generácion Y.
É inacreditável o tanto de comentários que existem para seus posts. Há um de 12 de Junho em que constam 4 498 comentários!Isto mesmo, QUATRO MIL QUATROCENTOS E NOVENTA E OITO comentários. Há outros com mil, dois mil, três mil comentários básicos.
Yoani Sanchez ganhou o prêmio Ortega y Gasset recentemente, mas obviamente não pôde sair de Cuba para recebê-lo. Também o Coma Andante, no seu livro recém-lançado, dirigiu críticas veladas a ela.
Yoani não é nem contra-revolucionária. Apenas expressa um respingo de liberdade. Como não prenderam ela ainda, não sei. A Internet é altamente controlada pela ditadura castrista, parece-me que Yoani posta rapidamente de um Hotel que trabalha.Mas já adquiriu notoriedade internacional e não parece ser mais desconhecida em Cuba. Talvez isto esteja salvando sua vida até aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Clipping e comentários

1- Um editorial do Estadão, que corrobora e complementa o último artigo que escrevi. Eu não o li previamente, muito menos eles me leram, trata-se apenas de bom-senso.

A rigor, é como se houvesse um acordo tácito entre os agressores e o poder público. Eles podem nutrir delírios medievais, mas parecem ser suficientemente espertos para não extrapolar nas suas incursões, praticando crimes contra a pessoa que levantariam tamanha grita a ponto de obrigar o Estado a acabar com a sua consagrada impunidade.

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/06/viciados-em-violncia.html

2- Dois artigos de Denis Rosenfield sobre a questão fundiária. Interessante que ele fala no segundo que houve quem ficasse surpreso com os dados por ele apresentados. As áreas de assentamentos e reservas são idênticas as áreas de agricultura e pecuária . Pois Xico Graziano há muito já apresentava estes dados. Quem quiser saber mais sobre o campo tem que ler os artigos do Xico.

http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?flavor=lerArtigo&id=683

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080609/not_imp186113,0.php

3- Erislandy Lara, o boxeador cubano que Tarso Genro, Lulla e cia devolveram à ditadura castrista, fugiu novamente de Cuba. Merece um post especial, mas estão aí dois artigos irretocáveis.

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2008/06/um-jab-na-dinastia-castro.html

http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2008/06/tarso-genro-o-capito-do-mato.html

4 - E por último, e talvez o mais importante para o dia-a-dia geral, um artigo sobre a CSS ,a nova CPMF. Atentem, além do ótimo texto, o desenho perfeito. Cobrem os senadores. Também divulgarei mais o tema futuramente.

http://afonsocachorrao.blogspot.com/2008/06/assaltantes-de-gravata.html


Por enquanto é só, pessoal!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Batendo na cangalha do(s) burro(s)


Meu pai dizia a expressão “Batendo na cangalha”, referindo-se ao gesto ou meias-palavras de pessoas que davam o recado de maneira não totalmente direta, mas através destes sinais, numa alusão ao carroceiro que bate na cangalha do seu animal de tração (geralmente um burro de carga) para dar uma ordem, mas sem vocalizá-la. Apesar de ruidosos, foi este o âmago dos protestos dos tais “movimentos sociais” em 11 estados no mês de junho.

Cito apenas algumas particularidades. Houveram protestos no RS contra o eucalipto. A demanda por madeira continua alta, seja in natura, seja pelos subprodutos como a celulose. De modo que quem quer preservar a Amazônia e florestas naturais, presta um grande desserviço ao meio ambiente em ser contra a silvicultura comercial.

Também interessante foi o protesto no Nordeste. Destruíram um laboratório de pesquisa com cana-de-acúcar. Quem conhece os canaviais do sudeste e centro-oeste do país, sabe que boa parte da mão-de-obra vem de nordestinos egressos da terra natal em busca de emprego e renda. Porque então lutar contra esta cultura, na própria terra dos trabalhadores?

Sim, há os velhos conceitos anticapitalistas nos protestos. “Contra a monocultura.”, “Contra a concentração fundiária.”, etc, etc. É o velho ranço do subdesenvolvimento intelectual arraigado no meio acadêmico e ungido por setores da Igreja Católica. Enquanto não respondermos à altura os argumentos destes senhores, teremos que conviver com eles. Ou então que nos unamos a eles e estendamos os protestos a mais setores!

Que tal sermos contra a monocultura das montadoras de automóveis, que só sabem fazer veículos automotivos? Talvez as grandes redes varejistas também deveriam ser criticadas. Pior é a concentração de computadores que utilizam o Windows. Abaixo todos eles!
Só não sei o que dizer aos usuários de automóveis (sejam populares ou de luxo), aos que compram no crediário em lojas populares e aos crescentes usuários de computador no país.

Quem se opõe ferrenhamente ao desenvolvimento natural das atividades econômicas, seja no campo ou na cidade, não está ajudando em nada a minorar os problemas sociais, pelo contrário, contribui para mais atraso e exclusão social. É o que fazem a maior parte destes tais movimentos sociais.

No meio das lideranças dos tais movimentos (anti) sociais, há os ideologistas, sim, mas há mais os oportunistas que fizeram daquilo um meio de vida. É a estes que escrevi o título do artigo.

Nunca antes na história deste país houve tanto dinheiro passeando na mão de ONGs e dos tais movimentos (anti) sociais. As ações conjuntas deles atrapalham, mas não irão colapsar o sistema capitalista, o bode expiatório para todos os males do Universo. Boa parte deles sabe disso. Mas seguem piqueteando e mandando seu recado codificado ao governo:

“Estamos aqui. É ano de eleição e queremos dinheiro. Observem bem, há muitos votos na nossa mão!”

E o governo? Bom, este põe a polícia para funcionar e os manifestantes após terem dado o recado saem de cena. Ninguém é responsabilizado pelos danos e prejuízos causados. O recado é entendido pelo burro de carga e este segue mandando dinheiro e esperando os votos dos movimentos (anti) sociais.

Mas eu pergunto: o burro de carga nesta história é o governo, ou quem financia o governo pagando os impostos?
Publicado pelo Correio do Estado em 13/06/08

domingo, 1 de junho de 2008

Dois artigos primorosos

Um é de Gustavo Bezerra, do blog do Contra. Outro é uma tradução da The Economist, no blog Resistência.

Gustavo discorre sobre Maio de 68 e a mitologia que cerca a data. Faço algumas observações:

1- De 68, o que teríamos de mais "libertário"ou democrático, seria a tentativa da Tchecoslováquia sair do comunismo e migrando para algo mais próximo da social-democracia. Mas os soviéticos amigos de Fidel, Che, Mao e tantos outros que eram aclamados pelos jovens parisienses, e mesmo brasileiros, sufocaram o movimento reformista tcheco.

A primavera de Praga, a meu ver, deveria ser o grande alvo de estudo de 68. No blog Realismo Socialista há cenas comoventes documentadas. - coincidentemente, tenho uma prima morando em Praga, é casada com um tcheco. Infelizmente, por motivos pessoais, não poderei visitá-la este ano.

2- Fiquei sabendo pelo texto do Gustavo que Nelson Rodrigues disse que não havia nenhum negro na passeata dos 100 mil.

Com certeza, estes movimentos "populares"sempre tiveram muito pouco de povo de verdade. O melhor cronista da época foi chamado de reacionário por seus pares, não?Nelson não engolia essa máscara libertária de 68. Tem um texto dele chamado "O ex-covarde"que é muito bacana.

3- Segundo Gabeira, no Brasil o muro de Berlim não caiu. Depois que entrei na Internet percebi com mais clareza isso mesmo, dentro de alguns debates e "formadores de opinião". Já tinha percebido algo em aulas de História/Geografia na escola e Filosofia/Sociologia na faculdade (cursei um ano de jornalismo).

De forma que não concordo com Gustavo quando ele diz que 1989 não terminou. Pelo menos no Brasil nem começou.

Quanto ao outro artigo:

Trata-se do lançamento de um filme sobre a aliança nazi-comunista e a semelhanças das duas ideologias. Os dois monstros totalitários, coletivistas que buscavam o "bem comum", em detrimento do indíviduo.

O fato de entrarem em guerra depois não é contraditório, haja visto as disputas e mortes entre leninistas, trotskistas, stalinistas, etc. Ou seja, comunistas sempre brigaram e se mataram entre si, esta história de que os nacionais-socialistas eram opositores "naturais" dos comunistas, etc, etc, é balela.

E a notícia de que os russos não gostam de lembrar este passado é interessante. Já li algo a respeito da tal "amnésia histórica" sobre as barbáries na Rússia sob o comando comunista. Ao contrário dos alemães que sofrem por saber dos crimes nazistas, parece que os russos querem varrer a poeira pra debaixo do tapete.

O filme parece documentar um pouco da tragédia de Holodomor sobre a morte de 7-10 milhões de ucranianos. Juntamente com a primavera de Praga, este fato também deveria ser mais evidenciado nos nossos livros de História. Afinal se houve uma nação realmente imperialista e maléfica no mundo foi a URSS e não os EUA, como os dementes nas escolas e faculdades insistem em repetir.

O cineasta letão tem sido alvo de perseguições na Rússia. Pois é, acho que se lançarem um filme no Brasil contra os preceitos esquerdistas, talvez mostrando a verdadeira face da guerrilha, - i.e. porque não mostraram Carlos Lamarca ordenando e acompanhando a morte do Tenente Alberto Mendes Júnior, no filme "Lamarca"?- teríamos as mesmas reações por aqui.

Os textos estão na íntegra e separadamente em posts abaixo desse. Destaco dois excertos ótimos de um e de outro:

"...Enfim, 1968 passará à História não como o ano da liberdade, mas do flerte com o totalitarismo. Não o ano do surgimento de uma nova geração, mais consciente e politizada, mas de uma multidão de palermas e zumbis ideológicos.

Muito mais importante, do ponto de vista político, foi 1989, a meu ver este sim o ano que não terminou. Não apenas porque, tendo nascido em 1974, pude presenciar, ao vivo e a cores, os acontecimentos desta última data, ao contrário daquela, que só existe para mim em livros e documentários em preto-em-branco. Mas principalmente porque, ao contrário de 1968, 1989 foi uma data verdadeiramente libertária, em que os ventos da mudança realmente sopraram em vários países, levando consigo o regime totalitário mais odioso da História.

Infelizmente, esse processo ainda não se completou, abortado em nosso continente pelos remanescentes de 1968, que insistem em restabelecer, na América Latina, o que se perdeu no Leste Europeu. O ano de 1989 ainda não terminou. O de 1968 precisa acabar."

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"...Conforme Françoise Thom (uma dos muitos luminares anti-comunistas que aparecem no filme) explica: “O Nazismo baseava-se na falsa biologia; o Marxismo baseava-se na falsa sociologia”. O sonho marxista do “homem novo”, por exemplo, espelhava a idéia nazista da superioridade racial. Os nazistas matavam principalmente com base em fundamentos raciais, enquanto os soviéticos matavam com base na classe social. Mas assassinato em massa é assassinato em massa."

1968: o ano que precisa acabar

Por: Gustavo Bezerra

Algum tempo atrás, em um comício, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, exortou os franceses a "liquidar a herança de Maio de 1968".Sarkozy tem muitos defeitos - seu estilo está mais para Berlusconi, por exemplo, do que para De Gaulle -, mas, aparentemente, o deslumbramento e a reverência beata em relação ao que foi o "ano que não acabou" não é um deles.

O presidente francês não padece do mal bastante comum entre muitos de sua geração, e principalmente entre os mais jovens, que insistem em ver os acontecimentos de 1968 com devoção supersticiosa, como se tivessem sido uma espécie de catarse libertária coletiva, de revolta geral contra o autoritarismo dos mais velhos e pela libertação individual. A lucidez de sua exortação só é comparável a seu bom gosto para as mulheres e talento para a autopromoção. Palmas para ele.

Este ano, 1968 completa quatro décadas. Como ocorreu dez anos atrás, a efeméride está sendo lembrada com uma nova enxurrada de livros, filmes e entrevistas, entremeada por um clima irritante de nostalgia, em que senhores e senhoras grisalhos relembram aquele período áureo de sua juventude, em que sonhavam mudar o mundo (para melhor? duvido muito). Via de regra, os mais jovens só ouviram falar de 1968 e dos anos 60 em geral por intermédio dessas lembranças, bastante seletivas, de velhos intelectuais "meia-oito" ou "soixante-huitards". Natural que sua visão sobre as barricadas de maio de 68 em Paris e os protestos estudantis ao redor do mundo, assim como sobre a "flower generation" e os hippies, seja tão fiel à realidade dos fatos quanto a série "O Senhor dos Anéis"...

Nos países ocidentais, o ano de 1968 já adquiriu o status de mito, um divisor de águas da segunda metade do século XX. E, como ocorre com todos os mitos, sua base fundamental não é a dura e feia realidade, mas o desejo, a vontade de que as coisas se encaixem em nossos sonhos. A lenda mais persistente sobre aquele período é que este teria sido um momento de explosão libertária. Trata-se de um equívoco, fruto da ignorância e da manipulação.

De libertário, 1968 não teve nada, ou muito pouco. Basta ver os slogans dos estudantes rebelados em Paris: ao lado de bordões anarquistas como "É proibido proibir", ou românticos como "Sejamos realistas: exijamos o impossível", encontravam-se platitudes marxistóides como "Abaixo o imperialismo norte-americano no Vietnã", "Viva Che Guevara", ou "Deus: te suponho um intelectual de esquerda" (este último, um lema da então nascente teologia da libertação, de famigerada memória).

O caráter muito pouco libertário de 1968 pode ser atestado pelo seguinte fato: aquele foi o ano da retomada mundial das esquerdas, desgastadas após décadas de stalinismo e burocratismo dos antigos partidos comunistas, vistos com cada vez mais desconfiança pelos mais jovens. Foi o momento em que a geração nascida durante ou após a Segunda Guerra Mundial - a geração de meus pais - se insurgiu não apenas contra o "velho", tudo que era antigo e cheirava à autoridade, mas também contra o que, até os dias de hoje, é novo - os valores da democracia liberal, como a tolerância e a liberdade de pensamento, algo ainda tão estranho a nós, deste subdesenvolvido Brasil.

De certo modo, o conjunto de revoltas estudantis ocorridas quase simultaneamente naquele ano - em Paris, Roma, Berlim, Tóquio, Rio de Janeiro - foi uma revolta não contra as velhas práticas e objetivos da esquerda, mas a favor delas. Buscava-se então recuperar aquilo que as esquerdas ocidentais haviam perdido durante os anos sombrios do pós-guerra na Europa - não por acaso, a palavra mais repetida em 1968 não foi "liberdade", mas "revolução". Daí o surgimento, nesse período, da "esquerda festiva" e da "New Left", capitaneada por figuras como Noam Chomsky e Tariq Ali, campeões do antiamericanismo e do populismo terceiromundista mais vagabundos, recobertos com uma embalagem "pop-chique".

Estes fizeram muito barulho protestando contra as atrocidades norte-americanas no Vietnã, onde trataram de transformar uma vitória militar numa derrota política, demonstrando assim os incríveis poderes de manipulação da televisão. Mas quase não se ouviu a voz deles quando se tratava de condenar os crimes do Vietcong... (é que estes, ao contrário das cenas de combate envolvendo os marines estadunidenses, não apareciam no noticiário da noite).

Que o libertarianismo associado aos anos 60 e às esquerdas seja uma farsa, não é algo muito difícil de constatar. Basta recordar que muitos dos estudantes franceses que ocuparam a Sorbonne ou seus colegas brasileiros que atiravam pedras na polícia tinham como modelos a China de Mao Tsé-Tung e a Cuba de Fidel Castro.

Na China, na mesma época, o Grande Timoneiro, que já contava mais de setenta anos de idade, arregimentava a juventude fanatizada por seu "Pequeno Livro Vermelho" contra a "velha geração", na chamada "Revolução Cultural" (na verdade, anticultural). Milhares de adolescentes chineses, gritando slogans e usando o uniforme dos Guardas Vermelhos, dedicavam-se a espancar e a humilhar seus professores, em nome do presidente Mao. O resultado foi uma multidão de mortos, num dos períodos mais sombrios de um dos regimes mais sanguinários de todos os tempos.

Em Cuba, o ditador Fidel Castro, visto como exemplo de revolucionário pelos jovens contestadores de então, mobilizava a polícia política para cortar à força os cabelos compridos dos jovens cubanos, enviando os homossexuais para "campos de reeducação" e tendo proibido, inclusive, o rock (em mais um exemplo de oportunismo ideológico, e percebendo o sex-appeal da cultura de 68, o tirano barbudo inaugurou em Havana, há alguns anos, uma estátua de John Lennon - um "antiimperialista", segundo ele...).

O mesmo Fidel Castro, que na mesma época recolhia os dividendos do mito recém-criado em torno da morte de Che Guevara na Bolívia, justificou, num discurso vergonhoso, a invasão da Tchecoslováquia pelas tropas soviéticas, em agosto daquele mesmo ano. O que demonstra que toda a "onda jovem" geralmente associada aos anos 60 teve, na verdade, um forte componente de mentira e manipulação.

No Brasil, o ano de 1968 também foi agitado, como sabemos. Aquele foi o ano das grandes demonstrações de protesto estudantil contra os militares no poder, como a Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro ("não vi um negro", escreveu Nelson Rodrigues, certamente o melhor cronista daqueles tempos;). Ao mesmo tempo, cozinhava-se na caldeira dos protestos o que seria o plat du jour daqueles tempos de chumbo: o terrorismo. No Rio de Janeiro, em julho, um comando terrorista de esquerda assassinou a tiros um major do Exército da Alemanha ocidental, tomando-o pelo militar boliviano que prendera, no ano anterior, Che Guevara.

Em São Paulo, alguns meses depois, outro grupo metralhou na frente de sua família um capitão do Exército norte-americano, julgando-o, sem provas, agente da CIA e torturador. No final do ano, um discurso idiota e infantil de um deputado oposicionista serviu de pretexto para o fechamento do Congresso e a decretação do AI-5, o famigerado Ato Institucional Número 5.

Nos anos seguintes, os atentados terroristas da esquerda se multiplicaram, assim como a tortura, resultando no mito de que os militantes da esquerda armada eram lutadores contra o "autoritarismo" e a favor da democracia. Até hoje os sobreviventes da luta armada do período apresentam-se como tais, não raro apelando para suas credenciais de ex-torturados e supostos ex-combatentes da liberdade para justificar mensalões e dossiês.

Também na área da mudança comportamental, os efeitos de 68 trazem um inconfundível sabor de farsa. A apologia do "amor-livre", graças à popularização da pílula anticoncepcional, assim como das drogas como a maconha e o LSD, longe de constituírem uma celebração da liberdade, parecem, hoje em dia, simples manifestação de tendências autodestrutivas, uma espécie de tentativa de suicídio coletivo. Hoje, a liberdade sexual deu lugar ao flagelo da AIDS, e a "expansão da mente" por meio de alucinógenos pregada por Timothy Leary resultou não em liberdade e autoconhecimento, mas nas batalhas entre narcotraficantes e polícia nas favelas cariocas.

Outros movimentos fortes na época, como o feminismo e a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA, ensejaram não a tolerância, mas cretinices como o sistema de cotas e a moda totalitária do politicamente correto, com sua novilíngua.

No campo das idéias, a década de 60 também deixou um rastro de destruição em seu caminho. Assistiu-se, desde então, ao triunfo do relativismo, mediante a onda "desconstrucionista" e "pós-moderna", embalada pelas teorias de Marcuse e da Escola de Frankfurt, que buscavam injetar vida nova no velho marxismo. A conseqüência desse gigantesco exercício de desconstrução mental foi a produção de uma vasta literatura desbancando as certezas da moral e da ética - tidas como meros "preconceitos burgueses" - e a implantação, em lugar destas, de uma visão de mundo relativista, que rapidamente descambou para o niilismo.

Em um mundo onde não se poderia mais ter certeza sobre nenhum assunto, a "desconstrução" tornou-se a nova palavra de ordem. Daí para a justificação de fenômenos como o terrorismo ("uma manifestação legítima de resistência contra a opressão colonial e capitalista") foi um pulo. De certo modo, pode-se traçar uma linha entre 1968 e Bin Laden.

Mas, acima de tudo, 68 foi o ano do surgimento, ou pelo menos da entronização no insconsciente coletivo, do "jovem". Este tornou-se, desde então, uma figura verdadeiramente totêmica, objeto de culto e de veneração respeitosa, acima do bem e do mal. Como reposítório das "idéias novas" de então, tudo passou a ser-lhe permitido. Nunca, em toda a História, a imaturidade foi tão louvada. "Não confie em ninguém com mais de 30 anos", tornou-se moda dizer.

O resultado foi o surgimento de uma geração de adultos imaturos e despreparados, eternos adolescentes, incapazes de encarar a vida de forma serena e minimamente responsável. Seus filhos e netos, atingidos de irrestível nostalgia por aquilo que não viveram, se encarregaram de manter acesa a chama da religião meia-oito.

Enfim, 1968 passará à História não como o ano da liberdade, mas do flerte com o totalitarismo. Não o ano do surgimento de uma nova geração, mais consciente e politizada, mas de uma multidão de palermas e zumbis ideológicos. Muito mais importante, do ponto de vista político, foi 1989, a meu ver este sim o ano que não terminou. Não apenas porque, tendo nascido em 1974, pude presenciar, ao vivo e a cores, os acontecimentos desta última data, ao contrário daquela, que só existe para mim em livros e documentários em preto-em-branco. Mas principalmente porque, ao contrário de 1968, 1989 foi uma data verdadeiramente libertária, em que os ventos da mudança realmente sopraram em vários países, levando consigo o regime totalitário mais odioso da História.

Infelizmente, esse processo ainda não se completou, abortado em nosso continente pelos remanescentes de 1968, que insistem em restabelecer, na América Latina, o que se perdeu no Leste Europeu. O ano de 1989 ainda não terminou. O de 1968 precisa acabar.

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P.S.: Para mim, o legado de 1968 é como o Fusquinha da foto (aliás, ano 68): até simpático, mas caindo pelas tabelas, e dificilmente vai te levar muito longe...

Um novo filme sobre os laços nazi-soviéticos

Ter sua efígie queimada nas ruas de Moscou por gorilas nacionalistas deve contar como uma espécie de Oscar caso você seja um cineasta letão cujo objetivo é expor a cegueira da Rússia moderna em relação à história criminosa da União Soviética. A ira do protesto organizado semana passada pelo grupo Jovem Rússia em frente à embaixada da Letônia era dirigida contra Edvins Snore, cujo filme “História Soviética” é o mais poderoso antídoto já produzido contra a tentativa de se criar um passado asséptico.

O filme é emocionante, audacioso e nem um pouco condescendente. Embora comece narrando a história do assassinato de 7 milhões de ucranianos em 1933, ele não é um mero catálogo de atrocidades. O principal objetivo do filme é mostrar as conexões íntimas – filosóficas, políticas e organizacionais – entre os sistemas nazista e soviético.

Conforme Françoise Thom (uma dos muitos luminares anti-comunistas que aparecem no filme) explica: “O Nazismo baseava-se na falsa biologia; o Marxismo baseava-se na falsa sociologia”. O sonho marxista do “homem novo”, por exemplo, espelhava a idéia nazista da superioridade racial. Os nazistas matavam principalmente com base em fundamentos raciais, enquanto os soviéticos matavam com base na classe social. Mas assassinato em massa é assassinato em massa.

Aqueles que ainda mantém uma certa queda pelo marxismo podem levar um susto ao ouvir que o sábio de Highgate referiu-se às sociedades menos desenvolvidas como Völkerabfälle (lixo racial) que deve “perecer no holocausto revolucionário”. Ou que o Partido Nazista, em seus primórdios, idolatrava Lênin (Joseph Goebbels disse que ele só perdia para Hitler em grandeza).

Aquela que talvez seja a melhor seqüência do filme mostra pares de pôsteres com desenhos praticamente idênticos: trabalhadores musculosos em poses heróicas apóiam o Partido e o Estado, menininhas louras sorriem alegremente, punhos esmagam inimigos, martelos arrebentam correntes. Sem a suástica e a foice e o martelo, seria dificílimo saber qual é qual.

A demonstração do Pacto Molotov-Ribbentrop é convincente: operadores de rádio soviéticos guiaram os bombardeiros alemães em seus ataques à Polônia. Uma base naval soviética perto de Murmansk auxiliou o ataque nazista à Noruega. A polícia secreta soviética ajudou a treinar a Gestapo e discutiu sobre como lidar com a “questão judaica” na Polônia ocupada.

A cooperação baseava-se num acordo escrito – completo com a assinatura de Lavrenty Beria, chefe da notória NKVD – que é mostrado no filme. “A NKVD proporá ao governo soviético um programa para reduzir a participação de judeus nos órgãos de estado e para proibir judeus e descendentes judeus de casamentos mistos nas áreas de cultura e educação”, lê-se na tétrica frase final. A Rússia alega que o documento é falso.

Imagens de arquivo bastante fortes mostram oficiais do Exército Vermelho brindando com seus colegas da SS em Berlim no mês de dezembro de 1939. Em 1940, a União Soviética tornara-se uma gigantesca fornecedora de grãos e petróleo para a máquina de guerra nazista, ao mesmo tempo em que encorajava os partidos comunistas da Europa Ocidental a sabotar a resistência antinazista.

“É reconfortante ver trabalhadores parisienses conversando com soldados alemães como amigos”, gabava-se uma publicação comunista francesa em julho de 1940. Vyacheslav Molotov, que era então o Ministro do Exterior da União Soviética, chamou a luta contra o Nazismo de “crime”. Junto a pronunciamentos similares, isso foi publicado em todos os jornais soviéticos. Essas páginas foram rapidamente removidas após a traição de Hitler.

Algo muito semelhante aconteceu no Ocidente. Criminosos de guerra nazistas são abominados; seus similares soviéticos são considerados honrados veteranos até hoje. Qualquer tentativa de trazê-los à justiça desperta protestos raivosos da Rússia. “Tirem as mãos dos nossos avôs”, era o slogan cantado pelos militantes da Jovem Rússia. Uma questão melhor seria: “O que aconteceu exatamente?”

O Sr. Snore e seus patrocinadores no Parlamento Europeu produziram uma obra agudamente provocativa. Seu tom, sua técnica e sua composição estão abertos a críticas. Mas aqueles que querem bani-lo deveriam tentar refutá-lo antes.

http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/05/gmeos-totalitrios.html

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aviso


Acabei de ver no jornal local os parlamentares do MS que estão favoráveis a criação da nova CPMF. Puseram um "S" de "social" na sigla.

Abre parêntese. Toda vez que ouvirem a palavra "social" em alguma coisa, fujam disso, caiam fora. É só uma vaselina pra CRÉU no cê.
Outra receita prática boa é o seguinte: se tiver um bando de "artistias" (como diria o paraíba) e "intelequituais", militando por uma causa, também fiquem espertos. Geralmente trata-se de idiotice politicamente correta. O referendo do desarmamento e umas dietas vegans são exemplos clássicos disso. Fecha parêntese.

E qual minha "surpresa" quando vejo que a bancada que defende o novo imposto é a do...PT!Lógico, que dúvida.

Portanto, onde tiver um comitê do "Partido dos Tributos", coloquem o cartaz acima para avisar a população.

Não dá pra não lembrar do Aluízio Amorim numa hora dessas: "Fogo nos botocudos!Fogo neles!!!"


O paradoxo vegetariano


Dias atrás vi na TV uma matéria sobre vegetarianismo. Lá pelas tantas uma mulher entrevistada explicou que os vegetarianos têm muito amor pela vida e quando descobrem como são criados e abatidos os animais de produção, se sentem impelidos a deixar de consumir carne.Parece ser uma atitude muito nobre, mas há nela algumas inverdades e um paradoxo.

Primeiro que os animais (entenda-se bovinos, fonte de carne vermelha) na maior parte do Brasil, são criados em regime semi-extensivo, num ambiente muito pouco estressante, principalmente quando comparado aos estabulamentos europeus ou norte-americanos. E mesmo os confinamentos brasileiros (que, se bem realizados, nem podem ser considerados geradores de stress) são feitos por períodos curtos, geralmente 3 ou 4 meses.

Durante a vida do animal não há sofrimento impingido a eles, pelo contrário, cada vez mais os produtores buscam melhorias em alimentação, sanidade, manejo e bem-estar animal, para que a atividade se torne mais rentosa. Claro, ainda existem criadores que, por falta de manejo da pastagem e suplementação alimentar na seca, deixam seus rebanhos emagrecerem, e os lucros também. Ruim para os animais e para seus donos.

A mulher da tal entrevista poderia argumentar que vivendo de modo livre ou selvagem, os bovinos estariam melhores. De forma alguma. Basta pensar nas infecções e míiases (bicheiras) que estaria sujeito um animal que ao nascer não tivesse seu umbigo curado. As diarréias e bacterioses que não seriam tratadas a contento. As verminoses que os enfraqueceriam. As doenças acarretadas pela falta de vacinação. Enfim, sua qualidade de vida sanitária seria muitíssimo mais precária e sujeita a maior mortalidade em condições naturais do que numa criação comercial.

“Tudo bem.”, falaria algum vegetariano. “Mas pelo menos não morreriam num frigorífico.” Ora, morreriam enfermos como demonstrei, ou senis, nas garras de um predador, mas morreriam. No frigorífico pelo menos sao abatidos sendo previamente dessensibilizados.

Mas atentemos para o paradoxo: Os vegetarianos no afã de proteger a vida destes animais, provavelmente, se conseguissem ganhar mais adeptos à sua prática, estariam diminuindo a chance desses animais viverem. Explico.

Temos hoje aproximadamente 200 milhoes de cabeças de gado no Brasil. Se de uma hora para outra grande parte das pessoas resolvessem, por amor aos bovinos, aderir ao vegetarianismo, o resultado seria a diminuição brutal do rebanho. Ou seja, condenar-se-ia peremptoriamente à morte muitas matrizes e reprodutores que poderiam ter uma vida mais longeva, pois não haveria interesse econômico na continuidade de sua criação. Milhões de bezerros que teriam chance de vir ao mundo, simplesmente não existiriam.

Alegam-se outras coisas para prática vegetariana, todas refutáveis, diga-se de passagem. Mas este paradoxo me parece muito interessante. Ou seja, os vegetarianos em pretenso ímpeto de proteger a vida dos bovinos, estariam acarretando mais mortes e diminuição do rebanho, com uma pior qualidade de vida para os remanescentes, se estes fossem relegados à vida selvagem.

Dessa forma, sigo comendo meu churrasco de consciência tranqüila.



Obs: Pra quem não entendeu a imagem, trata-se de Pamela Anderson num biquíni de alface. Os vegetarianos adoraram. O alface.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Fogo nos botocudos!!!

Está linkado Aluízio Amorim.
Que que eu acho dele? O cara é louco, mas é massa.Valeu Aluízio! E fogo nos botocudos, fogo neles!!!

Também está o Apostos, um portal de blogueiros. Destaco nele o blog Arrastão de Janaína Leite. Janaína desmentiu, com fatos e argumentos, todo o suposto "caso VEJA", que Luís Nassif (ou Nassifú), andou publicando na net.

sábado, 24 de maio de 2008

Será que agora vai? Clipping então

Vamos lá!Entrevistas e um rápido panorama do debate blogueiro:

1- Entrevista com Reinaldo Azevedo, imperdível
http://brunogarschagen.com/2008/05/03/reinaldo-azevedo-para-os-petistas-tudo-tem-um-preco-em-dinheiro-mesmo-e-eles-sempre-estao-dispostos-a-pagar/

2- Entrevista com Rodrigo Constantino para o Café Colombo:
http://cafecolombo.com.br/2008/04/20/uma-luz-na-escuridao-por-rodrigo-constantino-2/

3 - Entrevistas com alguns blogueiros e articulistas, inclusive Aluízio Amorim (Fogo nos botocudos!!!)
http://darkabysses.blogspot.com/

4 - Artigo de Olavo de Carvalho, a insipiência da tal direita tupiniquim
http://www.olavodecarvalho.org/semana/080221jb.html

5 - A eleição de Berlusconi (o Lulla italiano, vide podcast; na verdade não consegui linkar o podcast, que é mais divertido,mas está o texto) e o fim da esquerda (pelo menos num país civilizado)
http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/integra_150408.html

6 - O professor aloprado do Anglo de Tatuí, que corrobora plenamente a recente série de artigos meus (A nova velha batalha)
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/04/as-nossas-escolas-1-mentira-como-um.html
http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2008/04/forjando-zumbis.html

7 - Historiador corrobora assertivas de que luta armada por democracia era balela, como já afirmei em primórdios do blog, apenas usando simplicidade e percepção (que modesto); outro destrói a tese da maldade dos ingleses (leia e entenda)
http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/05/extra-extra-j-so-dois-os-nossos.html

8 - Excelente artigo de Gustavo Ioschpe, Educação e capitalismo (algo semelhante ao que já escrevi, mérito de minhas fontes de leitura, também)
http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_140508.shtml


Pronto, demorei, mas cá estou e considero os links deste post um supra-sumo da blogosfera e afins. Tenho um novo texto, logo coloco e também alguns novos links gerais. Abraços.


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Consegui

Depois de dias desformatado, cá estou de volta.

Tudo por causa de um modo de configuraçao de layout (wysiwyg, ou what you see is what you get), que estava desativado.

Mas, alto lá. Ainda meu teclado nao está perfeito. O pc foi formatado e umas teclas de acentuaçao estao desconfiguradas.

Entao, tá. Breve, novos textos.